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Orango Parque ‘Project’ tem novo circuito e procura parcerias para continuar o trabalho nos Bijagós

O Orango Parque Hotel, projecto da Fundação CBD Habitat para a preservação da biodiversidade e comunidades do arquipélago dos Bijagós, na Guiné-Bissau, tem um novo programa inspirado na distinção da UNESCO e procura parcerias no mercado português para continuar o seu trabalho.

O PressTUR conversou com Ana Maroto e Mariana Ferreira, da Fundação CBD Habitat, que trabalham directamente com o projecto Orango Parque Hotel, na ilha de Orango, no Arquipélago dos Bijagós, ao largo da Guiné-Bissau.

Em relação a esta temporada, Ana Maroto afirmou que “em termos de trabalho, a parte do Projecto Orango Parque Hotel foi muito boa. O projecto manteve-se, por assim dizer, todo o ano. O pessoal foi contratado para toda a temporada”, no entanto, “a partir dos finais de Novembro, quando houve eleições na Guiné-Bissau, sofremos vários cancelamentos de reservas e terminamos a temporada um pouco pior do que esperávamos”.

No entanto, Ana afirma que “apesar de os números de ocupação serem mais baixos, o importante é o projecto, damos prioridade a que o projecto continue a funcionar, então o parque não sofre como poderia sofrer outro negócio, não sofre cortes de pessoal, nem de nenhum tipo de serviço do hotel”.

“Mas isso vem a custa de ter financiamento externo”, explica Ana Maroto, “há um financiamento que tem de ajudar o hotel para poder comepensar estas receitas que não teve”.

No que concerne a 2026, Ana Maroto espera que “remonte, que seja melhor, mas está sempre dependente da situação política na Guiné-Bisau, então esperemos que não afecte tanto na opinião sobre temas de segurança nas agências de viagens”, explicando que “a prioridade do viajante, logicamente, é a sua segurança, procuram sempre destinos que sejam seguros e se os Ministérios de Assuntos Externos não recomendam viajar até à Guiné-Bissau porque o governo está em transição, nós acabamos por sofrer as consequências”.

Quando questionada sobre se essa instabilidade política na Guiné afecta alguma da sua operação no Orango Parque, Ana foi peremptória, “não, não mudou nada. A nossa fundação continua a funcionar da mesma forma. O que acontece em relação às próximas temporadas, é o mesmo que acontece nesta, os preços têm aumentado porque o governo de transição implementou novas taxas e novos impostos, que logicamente, uma parte tem de cair sobre os viajantes, porque não podemos assumi-los na totalidade”.

“A expectativa é boa, mas com cautela”, remata Ana Maroto sobre temporada que se avizinha.

Sobre as novidades para esta nova temporada, o destaque vai para a declaração da UNESCO sobre os Bijagós, como noticiado pelo PressTUR (Omatí Minhô é Património Natural Mundial, Bijagós na lista da UNESCO).

“Esta declaração fez com que todos nós, que trabalhamos nas ilhas, tentemos aproveitar um pouco deste impulso”, explicou Maroto, “então para esta temporada nós criamos o Circuito UNESCO, por assim dizer, que inclui ‘hotspots’ de ambos os parques nacionais (Orango e Poilão) para fazer estar visitas”.

Descrevendo esta experiência, a representante do Orango Parque indicou que vai abranger “a colónia mais importante de hipopótamos de água salgada em Orango, a tartaruga verde, em Poilão, que é um dos pontos mais importantes da África Ocidental”, com dormida num acampamento.

Também está incluída uma visita a uma ‘tabanka’, aldeia do povo Bijagó que habita estas ilhas.

Mariana Ferreira afirmou que “promover este destino não é só falar do Orango Parque Hotel, que é o único hotel dentro do parque nacional, mas é importante falar daquilo que está ali graças ao Orango Parque Hotel, e aos seus parceiros, na área da preservação, tanto ambiental como cultural, porque estando lá entidades que realmente zelam por isso, qualquer turista que vem e opta por uma estada no Orango Parque Hotel, opta por contratar as excursões e tudo, contribui directamente para esta preservação”.

Mariana Ferreira sublinhou em relação ao visitante a Orango “o seu dinheiro está realmente canalizado para esta vertente que é tão bonita, que é a preservação ambiental e cultural”, acrescentando que “é importante que chamemos Orango Parque Hotel de um projecto”.

Ana Maroto acrescentou ainda mais um ponto sobre o papel de preservação, “a parte da formação do viajante”, que no momento em que chega “recebe informações sobre quais áreas são protegidas, que animais podem ver, os códigos de conduta para respeitar a população local quando entramos nas aldeias, como se actua, por exemplo, em relação a fotografias a meninos, dar caramelos nas aldeias, certos códigos de conduta que a filosofia do projecto evoca um pouco nessa formação”. Estas ‘guidelines’ segundo Maroto são “extrapoláves” para outros destinos.

Mariana Ferreira sublinhou outro aspecto deste projecto, que “foi a nossa preocupação desde o primeiro momento, desde primeiros actos como ver um pescador ao pé da nossa praia, a forma como lança a rede, tem uma maneira especial. O marisco é o que nós chamamos de ‘mariscar com as mulheres’ porque quando a maré vai, tem uma maneira especial, com uma colher, de tirar o marisco, e esse marisco é comido pelos turistas, mas o importante é participar nesta dinâmica, não é só levar para a mesa um produto, é cultural também, a gastronomia faz parte da identidade do povo Bijagó. Mas além disso, nós nunca vamos optar pelos espectáculos ditos de teatro, folclorizar, banalizar, a cultura Bijagó.

Ferreira menciona que há momentos específicos em cada altura do ano, como “a festa da colheita do arroz, com grantes festas, fazem festas também para a saída do defunto, que é mais ou menos em meados de Maio, e se calha naquele dia ninguém esconde nada de ninguém, ou seja, [os viajantes] podem assistir a isto de maneira natural”.

“Além disso”, acrescenta Ferreira, “o artesanato, nós próprios começamos a fomentar isto, nós próprios encomendámos as camas de praia que temos, são feitas na aldeia. Os murais são de pintores locais guineenses”, que passaram por um processo no qual “convidámos cada um para fazer aquilo que sentir, ficaram numa espécie de retiro de duas semanas, uns punham música no máximo e estavam a pintar, outros preferiam estar ao lado a ouvir uma história”.

“Estavamos a sonhar um pouco com residências artísticas”, explicou Mariana Ferreira, ressalvando que “ainda temos de amadurecer a ideia”.

O que não é para este projecto é o conceito de turismo de massa, “não precisamos de multidões, até pela filosofia do nosso projecto, não precisamos de turismo de massa ali”, sendo que para Ferreira, o tipo de viajante que procura “só se encontra, realmente, de maneira personalizada, quando as agências sabem quem são os seus clientes e qual cliente tem perfil para ir lá”.

Ferreira confessou ainda, que “quando estava em Orango, quando dizia [aos visitantes], no último dia da viagem, ‘acreditem que vocés são pessoas especiais”, sublinhando que “não é qualquer um” que faz este tipo de aventura tão enriquecedora.

No que diz respeito a mercados, o espanhol e o alemão ‘lutam’ pelo primeiro lugar, o primeiro devido ao facto de a Fundação ser espanhola, o segundo está relacionado com uma série de documentários que foram feitos nos Bijagós e acabaram por passar na Alemanha, o que acabou por levantar curisosidades nesse público, bem como na Suíça e na Áustria.

Para finalizar, Mariana Ferreira sublinhou que “estamos abertos a parcerias, sobretudo com o mercado português, porque isto não é um destino normal, o que sustenta o Orango Parque Hotel é o projecto e o que faz é procurar ajuda, não somos só nós, os outros também, há outras ilhas e, com certeza, terão os seus problemas”.

“Temos este peso nos bastidores que ninguém percebe não é? A toda a hora salinização, a deterioração dos tectos, da palha, os barcos têm que ser sempre, todos os anos, revistos, os motores, o sal, a humidade, e tudo numa ilha. Portanto se tivéssemos um parceiro, ou mais parceiros neste caminho, digamos, de gestão operacional do dia-a-dia, quiçá podíamos concentrarmo-nos mais naquilo que realmente interessa”.

Veja a viagem que o PressTUR fez ao Orango Parque Hotel:

De Bissau aos Bijagós

Arquipélago dos Bijagós: A Ilha Sagrada de Poilão 1/2

Arquipélago dos Bijagós: A Ilha Sagrada de Poilão 2/2

Arquipélago dos Bijagós: Os hipopótamos de água salgada

Saiba mais no site do Orango Parque Hotel.

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