O restaurante Tágide está a celebrar 80 anos de existência e está em festa. Referência gastronómica em Lisboa, gozando de uma localização única no centro de Lisboa, no Largo da Academia Nacional de Belas-Artes e com uma vista aberta que se estende até ao Tejo, o espaço tem muito mais do que repasto ou vista, tem também História. E esta sente-se assim que transpomos as suas portas e subimos a imponente escadaria que dá acesso ao primeiro andar (no piso térreo funciona o Tágide Wine & Gastrobar, da mesma gerência).
Consegue-se mesmo recuar no tempo e imaginar aqui Charles Aznavour, Gilbert Bécaud ou Simone de Oliveira, que aqui abrilhantaram jantares em que a música e espetáculo se cruzavam à mesa.
A sofisticação e a elegância manteve-se, sem perder a atualidade e o mercado respondeu em conformidade. “Trabalhamos muito com empresas, em eventos corporativos e fazemos também muitos casamentos e datas especiais onde a clientela portuguesa é dominante, mas no grupo de clientes particulares são os estrangeiros que se destacam”, explica Suzana Barros de Brito, realçando que a componente corporativa excede os 40%.
A proprietária que tem liderado a gestão do Tágide há quase duas décadas, tem multiplicado o número de iniciativas que associam as artes à gastronomia ou não fosse ela também ceramista, criando eventos com provas gastronómicas e vinícolas com exposições à mistura.

A paixão pelo barro remonta à adolescência: aos 15 anos, Suzana Barros de Brito pintou os primeiros azulejos num curso de verão. Já à frente do Tágide, retomou as aulas de cerâmica e criou um conjunto de pratos em grés com motivos de fósseis marinhos, ainda hoje usados para servir uma das entradas da carta do restaurante: vieiras com caviar. Esse regresso ao barro deu origem, em 2023, a um projeto próprio: a terr.a.mar (ou t.a.m.), nome que junta as suas duas paixões, a terra e o mar, às iniciais dos três filhos, Tomás, António e Mafalda.
A coleção inclui peças decorativas e utilitárias, pratos de servir e de amuse-bouche, taças para manteiga e azeite, jarras, e também bijuteria, todas vidradas a alta temperatura para poderem ser usadas em contexto de restauração. Várias peças fazem já parte da decoração e do serviço do Tágide, e outras encontraram casa em hotéis e residências privadas, incluindo um vaso criado para a Casa Margô Lagos, no Algarve.
A arte à mesa é complementada com a envolvência do espaço, com a gastronomia a surgir como a cereja no topo do bolo.
O espaço é cénico. À decoração original ou às suas reminiscências, assinada por Duarte Pinto Coelho, um decorador com fama internacional, juntaram-se pormenores únicos através da azulejaria, que importam a portugalidade para o interior do espaço num ápice.
Ao chef Hugo Rochi, brasileiro com ascendência italiana, coube a missão de estruturar numa viagem de sabores e estímulo de paladares, a partir do objetivo definido por Suzana Barros de Brito. “Quem vem, vem pela experiência gastronómica. Trazemos sabores mais contemporâneos, porque sabemos que as pessoas gostam de alguma contemporaneidade quando se trata de gastronomia, mas mantemos a tradição à mesa”, reforça a proprietária.
Para celebrar os 80 anos, o restaurante criou os menus de degustação “Camões” e “Tágide”. O primeiro permite escolher uma entrada, um prato principal e uma sobremesa da carta por um valor de 68 euros. O “Tágide” amplia a escolha para seis momentos que reforçam a viagem de estímulo gustativo e também visual. Sarrajão Curado, Barriga de Leitão Fumada ou a sobremesa Ovo Dourado são algumas das opções.
Uma homenagem gastronómica também à história do espaço – o Tágide foi um dos primeiros restaurantes de Lisboa a ser distinguido com uma estrela Michelin.
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