Época de vindimas rima sensorialmente com o Douro vinhateiro, certo? Não há região que melhor transmita a experiência do vinho na sua plenitude e não há sítio melhor do que a secular Quinta da Pacheca, localizada em Lamego, no coração do Vale do Douro, para proporcionar experiências de A a Z, desde o “Ahhhh, que bem que se está no Douro!” até “ZZZZZ, que soninho bem revigorante”. Pelo meio vem o ‘V’ de vindimar, o S” do Spa com produtos feitos de uva ou o “P” de pintar um quadro usando vinho do Porto de diferentes estágios (sim, é um dos workshops mais requisitos) e por aí fora até preencher todas as letras do alfabeto, tal é a variedade de experiências que este hotel direcionado para o enoturismo oferece.
Mas não há maior experiência que meter as mãos na terra e sentir ‘in loco’ o percurso da uva da videira até à mesa.
“Aqui, há provas de vinho, harmonizações e experiências vínicas clássicas, mas há também momentos que dificilmente se encontram noutro lugar. Experiências que permitem entrar verdadeiramente no universo do Douro e sentir, por algumas horas, o ritmo e a alma desta terra. E é durante a Vindima, em Setembro, que tudo ganha uma dimensão especial”, conta, entusiasmado, Ricardo Castro dos Santos, diretor de Marketing da Quinta da Pacheca.
A experiência começa pela manhã, com um pequeno-almoço de vindima inspirado nas memórias e tradições das famílias durienses: pão, batata cozida, bacalhau, sardinha assada, azeite e uma reconfortante sopa de cebola e batata. Uma mesa simples, genuína e profundamente portuguesa, acompanhada, naturalmente, por um copo de vinho.
É um momento de autenticidade rara. Ao lado dos visitantes, os trabalhadores da quinta partilham a mesma mesa e a mesma refeição. Não há diferenças entre quem chega para viver a experiência e quem todos os anos trabalha a terra. Come-se o mesmo, vive-se o mesmo, partilha-se o mesmo Douro.
“Lembro-me da casa da minha avó, quando íamos para vindima, Íamos logo às 7h da manhã para a vinha e logo às 8h30 aparecia alguém com um cesto que tinha o pãozinho, a batata cozida, a sardinha assada na brasa…E é isso que recriamos aqui com os nossos hóspedes e clientes e eles adoram”, conta Ricardo Castro dos Santos.
Depois, é hora de ‘trabalhar’. Com as mãos na terra e a tesoura na mão, os visitantes juntam-se aos trabalhadores e participam no corte das uvas. Por algumas horas, o luxo assume uma nova definição: desligar o telemóvel, abandonar a pressa e recuperar o prazer de fazer algo com as próprias mãos. Porque talvez o verdadeiro luxo dos nossos dias seja precisamente esse — ter tempo, estar presente e voltar à terra.
E quando a manhã chega ao seu ponto alto, as uvas seguem para o lagar. A música das concertinas e o ambiente de festa anunciam um dos momentos mais emblemáticos da Vindima: a pisa da uva.
“É em ambiente de festa que as pessoas chegam à adega e entram no lagar, Fazemos o momento da pisa das uvas durante meia hora e é incrível. Eu vejo o rosto das pessoas, há pessoas que se emocionam, que choram na pisa… Muitos lembram-se da casa dos avós… É um momento de muita conexão emocional. Até para quem vem de fora e nunca experienciou isso antes. É muito autêntico”, reforça ainda o responsável.
Há cerca de 15 anos, quando os proprietários decidiram abrir as portas da adega durante toda a época da Vindima, muitos consideraram a ideia impossível. Permitir que os hóspedes circulassem pela adega, acompanhassem o trabalho do enólogo e participassem no processo significava transformar o coração da produção num espaço também dedicado à experiência. Mas foi possível.
Hoje, a Vindima pode prolongar-se por cerca de 30 dias, recebendo hóspedes que entram na adega, conversam com o enólogo, acompanham o processo e descobrem, de perto, tudo aquilo que está por detrás de cada garrafa.
“É essa proximidade que distingue a Quinta da Pacheca: não se limita a mostrar o Douro — permite vivê-lo”, reforça Ricardo Santos.
“O primeiro ano foi difícil, o segundo ano foi um bocadinho menos e agora parece normal. Portanto, a nossa normalidade é ter clientes durante os 30 dias da vindima. Eles vão à adega, conversam com o enólogo, participam, vão pisar umas uvas. Claro que eles não colhem muitas toneladas de uvas, nem pisam muitas uvas. Mas eles sentem a essência e sentem-se parte. Muitos clientes ligam-me no ano seguinte, a perguntar pelo vinho que fizeram no ano passado porque o querem comprar”, graceja o responsável de marketing.

Mas a experiência na Quinta da Pacheca não termina na vinha. Depois da pisa, a tradição continua à mesa, num almoço partilhado com os trabalhadores, onde a gastronomia é generosa e ligada à identidade do Douro. Arroz de feijão, feijoada, cabrito ou entrecosto são alguns dos sabores que fazem parte desta experiência, revelando uma região através daquilo que tem de mais autêntico: a sua terra, as suas pessoas e a sua mesa.
A ligação ao território é, aliás, um dos pilares fundamentais da experiência. Descobrir uma vinha velha, perceber como sobrevive ao calor do Douro, conhecer os seus ciclos e compreender como nasce um vinho são momentos que aproximam o visitante da essência da região. E há ainda a possibilidade de ir mais longe: colher diretamente da horta os produtos da estação e levá-los para a cozinha, onde, em conjunto com o chef, se transformam numa refeição.
Também o vinho é apresentado de uma forma próxima e acessível. A aprendizagem faz parte da experiência: compreender como se prova um vinho, reconhecer aromas, perceber a acidez ou descobrir o trabalho de um enólogo. A intenção é que cada visitante saia da Quinta da Pacheca não apenas com uma boa memória, mas com novos conhecimentos — sentindo que aprendeu algo que poderá levar consigo e partilhar à mesa, em casa.
“Entre as experiências mais especiais está o Port Wine Blending, onde cada visitante pode criar o seu próprio lote de vinho do Porto, acompanhado por um enólogo. É uma oportunidade para compreender como diferentes lotes são conjugados, explorar o gosto pessoal e, no final, deixar uma marca física da experiência através de um rótulo personalizado”, explica Ricardo Santos.
A oferta estende-se ainda a cursos de vinho, iniciação à prova e harmonizações, sempre numa relação estreita entre vinho, gastronomia e aprendizagem.
E porque o bem-estar também faz parte da experiência, o Spa procura manter esta ligação à identidade da propriedade, privilegiando produtos associados à uva e marcas portuguesas. “A Portugalidade assume-se, assim, como um dos pilares da Quinta da Pacheca: valorizar aquilo que é nosso, criar parcerias nacionais e transformar vinho, gastronomia, arte, cultura e design numa expressão contemporânea da identidade portuguesa”, realça o responsável.
Essa identidade sente-se também através do azeite do Douro. Produzido em pequena escala e com extração a frio numa fase precoce de maturação, procura preservar a frescura e os aromas da azeitona. O resultado é um azeite suave e delicado, perfeito para acompanhar alguns dos prazeres mais simples da vida: pão, azeitonas, azeite e vinho.
A Quinta da Pacheca dispõe atualmente de um total de cerca de 50 quartos, distribuídos por diferentes tipologias após as sucessivas expansões da propriedade. A Ala Clássica (Casa-Mãe) abarca 15 quartos localizados na casa principal, que é datada do século XVIII e a Ala Moderna, mais 24 quartos num registo contemporâneo, acrescentados na expansão mais recente para aumentar a capacidade de receção do hotel. Recentemente, a Quinta da Pacheca passou a integrar as Wine Barrels (Pipas de Vinho), suites instaladas no meio das vinhas em formato de barrica gigante.
A cereja, ou melhor dizendo, o bago de uva no topo do bolo para transformar a viagem ao Douro numa experiência memorável.
Ver também: “Pacheca River”: a experiência de dormir num iate no coração do Douro
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