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TAP avança na era NDC: 2026 será o ano da transição – Justin Jovignot

O NDC (New Distribution Capability) está a mudar a forma como as companhias aéreas vendem os seus voos, e a TAP não é excepção. Em 2026, a companhia fará avanços decisivos na implementação desta tecnologia, revelou Justin Jovignot ao PressTUR.

Um dos principais destaques da estratégia da TAP é que, ao contrário dos grandes grupos europeus de aviação, não vai cobrar uma sobretaxa pelas reservas com a nova tecnologia NDC efectuadas nos GDS (Global Distribution Systems), que são os sistemas de reservas mais utilizados pelas agências de viagens, revelou o director de Distribuição e Estratégia Comercial da companhia aérea.

A TAP quer potenciar a utilização da nova tecnologia NDC, que deverá possibilitar ganhos de receitas, mas quer fazê-lo garantindo “uma transição tranquila” para as agências. “Mais de 50% da nossa receita vem das agências de viagens. Não queremos interromper isso”, sublinhou Justin Jovignot.

Nesse sentido, a companhia aérea vai prolongar até ao final de 2026 os seus acordos de Private Channel, que são acordos de distribuição de voos e serviços celebrados sobretudo com grandes agências e TMCs (travel mangement companies), que acedem a este ‘canal privado’ através de sistemas implementados em GDSs.

Com este novo adiamento do fim dos acordos de Private Channel, a TAP também adiou para 2027 o início da cobrança de uma sobretaxa para reservas efectuadas com a antiga tecnologia (EDIFACT).

Além das alterações programadas, Justin Jovignot também falou ao PressTUR sobre as vantagens da nova tecnologia, quer para a companhia aérea quer para as agências. Clique para ler: NDC: nova tecnologia traz benefícios para TAP e para as agências de viagens – Justin Jovignot.

PressTUR: A TAP está a planear deixar de fornecer através de Private Channel? Quando e porquê?

Justin Jovignot: Acabámos de assinar um acordo com a Amadeus para poder distribuir o conteúdo NDC da TAP através do seu GDS. Assim, o nosso conteúdo NDC ficará disponível nos três GDS em todo o mundo [Amadeus, Travelport e Sabre]. A transição para o NDC leva tempo para as agências de viagens, para os fornecedores de TI [tecnologia da informação] e para nós também. Por isso, estamos a dar mais um ano aos acordos de Private Channel. Vamos prolongar até ao final de 2026 para dar às agências de viagens, aos fornecedores de TI e à TAP a oportunidade de trabalharem em conjunto para uma transição tranquila. Durante 2026, o Private Channel ainda estará disponível e o NDC estará disponível nos três GDS. Além disso, temos 12 agregadores de NDC com os quais já estamos a operar. Portanto, 2026 será um ano para a transição para o NDC.

PressTUR: Além dos GDS e dos agregadores, que outras formas têm as agências de viagens para aceder ao NDC da TAP?

Justin Jovignot: Temos ligações directas com algumas agências de viagens e também temos um portal de NDC, o TAP Connect. As agências não-IATA, as agências mais pequenas que não trabalham com os três GDS, por exemplo, podem ter acesso a este portal para reservar o nosso conteúdo NDC.

PressTUR: Quais são os principais canais que as agências de viagens utilizam para aceder ao NDC da TAP?

Justin Jovignot: As agências de viagens offline, mais tradicionais, preferem os GDS. Estamos a ouvir atentamente o mercado e é por isso que não interrompemos o Private Channel antes de termos um contrato com os três GDS, para que tenham opções. Não quisemos precipitar e acelerar o fim do Private Channel. Queremos fornecer o nosso melhor conteúdo no Private Channel até que a transição seja técnica e totalmente possível do ponto de vista das agências de viagens. Não queremos destabilizar o sector.

PressTUR: Mas existe uma diferença de níveis de adopção entre as agências de viagens corporativas e as agências de viagens online (OTAs), por exemplo…

Justin Jovignot: Sim, com certeza. Quase todas as OTAs já estão ligadas aos NDC, através de ligação directa ou através de agregadores. Se falarmos apenas em OTAs, a adopção é muito alta, cerca de 85% a 90%. Esta era a meta para 2025. Em 2026, o objectivo é fazer com que esta transição aconteça para o resto das agências de viagens menos tecnológicas.

PressTUR: Porque é que as OTAs são as primeiras a adoptar o NDC?

Justin Jovignot: As OTAs, especialmente as globais, são mais empresas tecnológicas especializadas em viagens do que agências de viagens tradicionais. Têm uma equipa de tecnologia, têm muitos developers, percebem melhor a tecnologia e são mais rápidas. As agências de viagens tradicionais, e se nos focarmos no segmento corporate e nas TMCs [travel management companies], têm muito mais exigências. Não é o mesmo tipo de cliente. Um viajante corporativo, por exemplo, pode alterar os voos 10 vezes por dia. Existe um duty of care que uma TMC tem e que as OTA não têm, ou têm muito menos. Portanto, é uma história completamente diferente entre uma TMC e uma OTA. [A adopção do NDC] nas TMC demora mais tempo. Estamos a trabalhar com elas para nos ligarmos às suas ferramentas de reservas online. Precisamos de estar ligados às ferramentas de reservas online que as empresas utilizam. O objectivo é estarmos ligados a todas as ferramentas de reservas online relevantes até ao final de 2026, para que possamos começar a migrar o tráfego empresarial [para o NDC].

PressTUR: A TAP planeia aplicar uma sobretaxa pelas reservas com a tecnologia EDIFACT? Quando?

Justin Jovignot: Há algo que vamos fazer de forma diferente de algumas grandes companhias aéreas na Europa. Não vamos cobrar sobretaxa para reservas via NDC através de GDS e agregadores. Reconhecemos plenamente o ambiente das agências de viagens e queremos que tenham acesso aos conteúdos mais baratos, incluindo via GDS, que, pelo que sabemos, é a sua forma de ligação preferida, regra geral. Para reservas com tecnologia EDIFACT, em 2026, como estamos a prolongar o acesso ao Private Channel à maioria das agências, não vamos aplicar uma sobretaxa. Durante esta transição, precisamos que estas agências de viagens comecem a implementar e a adoptar o NDC, melhorando todos os aspectos tecnológicos, ao mesmo tempo que mantêm acesso ao melhor conteúdo. Em 2027 vamos cobrar uma sobretaxa pelas reservas com tecnologia EDIFACT para recuperar o custo, que é muito elevado.

PressTUR: Porque é que a TAP não vai cobrar uma taxa sobre as reservas com tecnologia NDC nos GDS?

Justin Jovignot: Para dar tempo às agências de viagens e para não perder competitividade. Estamos num mundo muito competitivo e acreditamos na parceria e naquilo que as agências de viagens representam para a TAP, que é muito importante. Mais de 50% da nossa receita vem das agências de viagens. Não queremos interromper isso. Queremos que continuem a ter a oportunidade de aceder ao melhor conteúdo. Isso é muito importante para nós.

PressTUR: Haverá diferenciação de tarifas, preços ou serviços entre NDC e EDIFACT?

Justin Jovignot: Não exactamente. Mais ou menos. Em 2026, a TAP vai começar a apostar em algumas técnicas mais modernas de venda de bilhetes de avião. Vamos introduzir, por exemplo, aquilo a que chamamos de continuous pricing [definição contínua de preços], uma tecnologia que permite definir um ponto de preço limitado entre dois RBD [Reservation Booking Designator, código utilizado nos sistemas de reservas para classificar diferentes classes tarifárias e códigos de reserva dentro do mesmo voo]. Com isto, a agência poderá ver uma tarifa mais barata no NDC do que no EDIFCAT. Isto porque a tecnologia NDC permite a definição contínua de preços e o EDIFACT não. A definição contínua de preços será aplicada no site e em NDC, mas não em EDIFACT. Esta é a primeira diferenciação que teremos em 2026. Com definição contínua de preços, por vezes o NDC será mais barato do que o Private Channel com EDIFACT. Actualmente, entre o EDIFACT fora do Private Channel e todas as outras opções já temos uma diferença de preço, porque temos alguns RBDs que não estão disponíveis fora do Private Channel. Além disso, os ancillaries [serviços complementares] já são hoje mais baratos no NDC do que no EDIFACT, mesmo em Private Channel.

PressTUR: Porquê?

Justin Jovignot: Porque investimos em tecnologia para o merchandising e podemos fazê-lo. Podemos optimizar um pouco o preço dos nossos ancillaries [serviços complementares], mas isso aplica-se apenas ao NDC e ao nosso canal directo, e não à tecnologia EDIFCAT. Portanto, hoje existe uma diferenciação nos assentos e nas bagagens, por exemplo, entre o NDC e o EDIFACT no Private Channel.

PressTUR: Isto acontece por causa das limitações da tecnologia EDIFACT?

Justin Jovignot: Sim, por causa das limitações tecnológicas. Daqui para a frente, tudo o que implementarmos a nível de gestão de ofertas será aplicado somente à tecnologia NDC. Os fornecedores já não estão a investir em EDIFACT. A TAP está apenas a seguir esta tendência.

Continua: NDC: nova tecnologia traz benefícios para TAP e para as agências de viagens – Justin Jovignot

Para aceder ao site da TAP clique aqui.

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