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Ricardo Teles (Bestravel) critica campanhas de promoções de viagens demasiado longas e agressivas

As campanhas de promoções dos operadores turísticos e das agências de viagens têm sido demasiado longas e agressivas, e estão a pressionar a rentabilidade, avisou Ricardo Teles, director de Operações da Bestravel.

“Podem haver períodos específicos de campanhas, em que sejamos todos mais agressivos no preço, nas margens, para atrair novos clientes, para dar algum ‘boost’ nas vendas, mas não se deve estar sempre com esta agressividade”, defendeu Ricardo Teles em entrevista ao PressTUR.

PressTUR: Como está a evoluir a rentabilidade das agências de viagens Bestravel, com as subidas dos preços, com os suplementos de combustível, com a oferta disponível no mercado…

Ricardo Teles: Cada vez mais tem havido pressão nas campanhas. Temos estado demasiado tempo em campanhas. Se não são campanhas de redes [de agências de viagens], são campanhas de operadores turísticos, se não são de operadores, são de redes… Isto, naturalmente, afecta a rentabilidade de todos. Temos algumas redes a fazer campanhas que nós consideramos demasiado agressivas, e por demasiado tempo. Dito isto, as agências Bestravel têm a vantagem de ter o empresário à frente do negócio, que faz a análise do que compensa vender ou não. Isto significa que as agências Bestravel, ou a maior parte delas, não estão dispostas a entrar em loucuras e querem manter as suas rentabilidades médias mais ou menos estáveis. Podem haver períodos específicos de campanhas, em que sejamos todos mais agressivos no preço, nas margens, para atrair novos clientes, para dar algum ‘boost’ nas vendas, mas não se deve estar sempre com esta agressividade. A nossa média de rentabilidade não está a baixar relativamente a 2025. Esta é uma análise do pacote. Obviamente que, se o não-comissionável, como são os suplementos de combustível, continuar a aumentar… o que se ganha é o mesmo, mas no bolo, em percentagem, a rentabilidade é inferior, mas isto é uma contingência que nós não conseguimos controlar.

PressTUR: Como estão a evoluir as vendas nas agências de viagens da região Centro? A zona foi afectada por tempestades violentas, com grandes prejuízos para as pessoas, que, por isso, poderão não ter tanta disponibilidade financeira para viajar… A Bestravel tem agências na região Centro?

Ricardo Teles: Temos. E não só no Centro mais afectado. Temos uma agência em Leria, que abriu no final do ano passado. E temos agências noutras zonas que também foram afectadas, como Coruche, Santarém, Coimbra, Aveiro e espero não me estar a esquecer de nenhuma. Temos velocidades diferentes de recuperação, consoante a forma como foi afectada a região e qual o grau de implementação da agência. Por exemplo, em Leria nós sabemos que podíamos estar mais à frente. Sabemos que ainda há muitos clientes ali em recuperação, há fábricas que ainda não estão a trabalhar, casas que ainda necessitam de algum apoio e houve muita destruição, mas não conseguimos saber o quão à frente poderíamos estar, porque é uma agência que começou no ano passado. Não tenho dados para perceber o que estamos a perder ou a ganhar. Nas outras zonas a recuperação foi muito mais rápida, porque o grau de destruição não foi tão forte. Logo nos primeiros tempos houve clientes que tiveram que remarcar. Fizemos várias remarcações, com muita compreensão de muitos operadores, de companhias aéreas e até de hotéis no estrangeiro a permitir essas remarcações com a explicação das situações. Alguns tiveram que cancelar por questões óbvias, porque não poderiam mesmo e felizmente não em grande número. Mas contamos já estar a começar a laborar normalmente.

PressTUR: Que análise faz da oferta disponibilizada no mercado pelos operadores turísticos este ano?

Ricardo Teles: Acho que este ano até houve alguma correcção ao nível dos charters. Se em Janeiro me perguntassem se havia excesso para o México, eu diria automaticamente que sim, pelo que se estava a vender. Não estou a criticar os operadores que puseram aquelas operações para o México, porque puseram com base em vendas que tinham, em históricos, etc. É muito fácil no final do jogo nós dizermos como é que jogávamos, não é? Quando se tem que decidir é que se tem que tomar essa decisão. O México estava-se a vender relativamente mal. Agora com esta recuperação se calhar já não há excesso. Obrigou a algumas campanhas, etc. No ano passado, com os problemas que existem no aeroporto de Lisboa, houve uma transferência muito grande de charters para o Porto, com a ideia de que aquilo que se estava a vender em Lisboa conseguia-se vender no Porto também. Isto não é um facto e percebeu-se bem no ano passado em alguns charters. Há uma questão cultural. É que há muitos anos havia muito mais voos em Lisboa do que no Porto e, portanto, as pessoas do Porto já sabiam que tinham que ir a Lisboa, ou a Madrid, a Vigo, Santiago ou seja o que for. Mas as pessoas de Lisboa irem ao Porto apanhar um voo é muito complicado. É até difícil, às vezes, propor essa solução. No ano passado, alguns voos que eram tradicionalmente vendidos na totalidade [de Lisboa] ficaram com bastantes lugares por vender no Porto. Não é uma aritmética simples. No ano passado isso levou a pressão de campanhas. Este ano houve bastante inteligência de alguns operadores a juntarem algumas operações, que foram as menos bem vendidas no ano passado. E, portanto, eu acho que este ano, nesse aspecto, até está mais adequado. Para as Caraíbas continuam a haver muitos voos, muitos voos, mas também sei que não vai mudar.

PressTUR: As agências de viagens Bestravel devem terminar o ano acima de 2025? Iguais? Pior?

Ricardo Teles: É a pergunta para um milhão de dólares. Estou com muita expectativa nesta campanha [de aniversário da Bestravel, a decorrer até 31 de Maio], até porque é uma fase chave para o Verão. Ainda vão existir campanhas de última hora, pontuais, mas esta campanha é aquela em que fomos mais agressivos. Estou com expectativa de ver os resultados. Com a velocidade a que o mundo está a mudar hoje em dia é muito complicado saber como vai ser para o mês que vem. Se falássemos antes de 28 de Fevereiro, antes até das questões de Cuba, eu garantia já que iria ser um ano acima do ano passado. Com tudo o que se passa desde aí… A minha esperança é que todo este período conturbado termine muito rapidamente, porque é bom para todos os players do mercado. Nós nunca desejamos mal a outras redes. Estar tudo tranquilo no mercado, o cliente com segurança para viajar, sem problemas, sem pensar se os preços vão aumentar, se há suplementos ou não… estar tudo tranquilo para nós é o melhor que pode acontecer.

Para ler as primeiras partes da entrevista clique:

Ásia abranda, mas Brasil, México e EUA crescem nas vendas de viagens – Ricardo Teles, Bestravel

Da pandemia à guerra: agências de viagens voltam a provar o seu valor – Ricardo Teles, Bestravel

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