Pode um restaurante requintado, integrado num hotel de referência, ser transformado numa tasca de luxo? Pode e é mesmo esse o objetivo da revolução gastronómica que está a ser criada pelo chef José Luiz Diniz que ainda nem fez seis meses à frente da cozinha do Ardea, integrado no hotel Legacy Cascais Curio Collection by Hilton. Uma aposta ganha para um restaurante de porta aberta diretamente para a rua e que já garante que cerca de 60% dos clientes não estejam hospedados no hotel, mas reconheçam os trunfos gastronómicos que aqui se servem.
“Hoje em dia os chefes topo de gama estão a deixar cair a cozinha ‘fine dining’ e os pratos de degustação estão a voltar um bocado às origens. O que queremos fazer aqui não é fácil, os clientes que já conhecem o espaço estão habituados a um certo nível e de repente eu venho para aqui transformar isto numa tasca fina (risos)”, conta o chef José Luiz Diniz, durante um almoço para jornalistas. E prossegue: “Quando um chef de cozinha vem para um restaurante deste nível fazer filetes de pescada com arroz de tomate, há aqui um choque grande. ‘O que é que nos aconteceu? Será que nos enganámos no restaurante?’, questiona-se. Mas o conceito é mesmo ir buscar sensações e passar não só a beleza do prato, mas o sabor que ele transmite”, diz, com paixão.
Para não criar o tal ‘choque’ de estilo gastronómico, o processo fez-se de mansinho, por etapas. “Nós começámos devagarinho, com o conceito mediterrânico, mantendo a inspiração italiana e a partir daí juntámos Portugal, Espanha e Grécia. E tem corrido muito bem, pois houve logo uma grande aceitação pelos clientes”, reforça ainda.
Agora, com a nova carta, estreada há menos de uma semana, o objetivo é mesmo assumir que sim, a comida de conforto está mesmo em alta e, na verdade é isto que a maioria dos clientes, portugueses ou estrangeiros, realmente quer.
“É verdade, na nova carta fomos mais arriscados e até filetes de pescada com arroz de tomate temos… (risos). Ou “o bife à Tuga” servido em tigela típica.. O que queremos transmitir aqui é que se pode comer bem em hotéis chiques. Hotel chique não é sinónimo de comida de plástico, demasiado elaborada. E é esta mensagem que queremos transmitir”, reforçou José Luiz Diniz, lembrando que a apresentação continua, naturalmente, a ter a apresentação de um restaurante de topo.
E, de facto, assim foi. Na prova do novo menu, saboreámos, de entrada, um gaspacho de tomate, com pepino e croutons crocantes – “que poderia ter sido feito à moda alentejana, mas cuja inspiração foi a da Andaluzia” detalhou o chef – com um sabor e apresentação irrepreensível.
Seguiram-se uns raviolis de camarão e mascarpone servidos em caldo de marisco, que na cozinha do chef é todo feito de raiz: “Aqui não entra a Knorr (risos) e temos caldos para tudo e feito a rigor. Um caldo de peixe demora 20 minutos, um caldo de marisco três horas e meia, um demi-glace, apropriado para o molho do bife leva dois dias”, explica o especialista em gastronomia.
No prato de peixe, o naco de atum foi rei e feito na chapa, guarnecido com amêijoas salteadas em alho, azeite, limão e coentros, com grelos salteados. Nas carnes, optou-se por “bife da vazia de boi à portuguesa”, com presunto e ovo, devidamente acompanhado de batata trufada. Uma delícia!
As sobremesas, com reminiscências da carta anterior, transportaram-nos para além fronteiras, mas sempre com um toque de portugalidade: um tiramisú com vinho de Carcavelos e uma tartelete de chocolate negro equilibrada com raspas de laranja do Algarve. Refeição fechada em pleno, qual cereja no topo do bolo. O preço médio ronda os 35 euros por pessoa.
“O restaurante tem atraído clientes externos, para além dos hóspedes do hotel. O facto de ter acesso direto pela Avenida 25 de Abril, sem passar pelo lobby do hotel, é um benefício para atrair quem não está aqui hospedado”, realçou ainda Ana Lamas, diretora-geral do Legacy Cascais, acrescentando que os clientes externos “representam já cerca de 60% da faturação do restaurante Ardea”.
O hotel, recorde-se, abriu há dois anos, em Abril de 2024 e resultou de uma reconversão do mítico hotel Cidadela de Cascais, uma referência nas décadas de 60 e 70 e que contava, na altura, com cerca de 150 quartos. A atual proprietária, a Reformosa, resolveu transformar o espaço numa unidade hoteleira mais pequena, um “boutique hotel”, de quatro estrelas superior, com 59 quartos, e juntar-lhe um condomínio de luxo com cerca de 40 casas.
O selo ‘Hilton’ deu ao Legacy o prestígio de ser o primeiro hotel de Cascais a pertencer à marca mítica. O Legacy Cascais está integrado na Curio Collection by Hilton, que só pode ser implementado em hotéis com História, como é o caso, estando a decoração do restaurante em sintonia com o toque de sofisticação que a marca exige. Também no restaurante Ardea, nome usado para identificar o grupo de aves que incluem as majestáticas garças reais, esse luxo está sempre presente.
A cadeia Hilton, no qual se integra o Legacy Cascais, soma atualmente 14 hotéis em Portugal, estando previstas mais duas novas aberturas este ano – o Casa de Sada Algarve Beach Resort, Curio Collection by Hilton, um novo resort à beira-mar em Armação de Pêra, no Algarve, (com a inauguração prevista para o segundo trimestre de 2026) e o Hampton by Hilton Lisbon Baixa, um hotel com 157 quartos situado no centro de Lisboa (previsto para o terceiro trimestre de 2026).
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