Com a suspensão dos voos para o Médio Oriente no final de Fevereiro, que entretanto estão a retomar, a procura pela Ásia abrandou e as vendas de viagens para o Brasil, México e EUA aumentaram, revelou ao PressTUR o director de Operações da Bestravel, Ricardo Teles.
As vendas para o Brasil já estavam a crescer e aceleraram mais após o início da guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão. Já as vendas para o México e para os EUA estavam em baixa no início do ano e começaram a recuperar depois de 28 de Fevereiro, sublinhou Ricardo Teles.
De um modo geral, as vendas das 43 agências de viagens Bestravel estão “mais ou menos em linha com o ano passado”, embora ainda exista “muita venda de última hora para fazer”.
O director de Operações está com “muita expectativa” para a campanha de promoções que a Bestravel tem no mercado até 31 de Maio. “É uma campanha em que nós colocamos muita força, colocamos muito da máquina por trás, com apoio de todos os nossos parceiros estratégicos”.
PressTUR: As agências de viagens Bestravel sentiram um impacto directo da guerra nas reservas? Cancelamentos, alterações de destinos, abrandamento de reservas…
Ricardo Teles: Tivemos diferentes fases. No início, tínhamos muitos clientes nos destinos. E não estamos a falar só dos destinos afectados, como o Dubai e o Qatar, onde tínhamos muita gente. Estamos a falar também de muitos clientes a fazer trânsito nestes destinos, que são a porta da entrada na Ásia. A nossa primeira preocupação foi resolver a situação dos que lá estavam. Foi uma situação complexa, mas recebemos muito apoio do Dubai, do Qatar e das companhias aéreas. Resolveu-se, e houve ali, naturalmente, naqueles primeiros dias, alguma paragem de vendas para aqueles destinos.
PressTUR: E para a Ásia?
Ricardo Teles: Reorganizámo-nos muito rapidamente para criar outras portas de entrada para a Ásia, porque está com uma procura tremenda, e continua a ter essa procura. A Tailândia continua a ter procura, o Japão está com uma procura fortíssima. As Maldivas também. E eram destinos que eram usados com [voos via] Dubai, Qatar, Abu Dhabi, etc. Alteraram-se as portas de entrada pela Europa – Amesterdão, Frankfurt, etc. –, e também muito por Istambul. Agora, apesar de continuar a haver procura para estas portas de entrada, não está tão massiva como era, porque há clientes que preferem mudar de destino. Isto está a levar a que haja destinos que estão a subir, e alguns em recuperação. O Brasil, por exemplo, já vinha a crescer paulatinamente nos últimos anos, e este ano está com uma subida tremenda. E de 28 de Fevereiro para a frente, esta subida ainda acelerou. Mas temos também um destino que não estava com o ritmo de vendas que era pretendido, o México, que desde essa altura também começou a recuperar. Também havia um destino que estava com uma quebra tremenda, às vezes por questões de ideologias ou de percepções, que são os Estados Unidos, e que também está com uma boa recuperação neste momento.
PressTUR: Estas alterações de voos para a Ásia também provocaram alterações nos preços, não é? A oferta de voos concentrou-se…
Ricardo Teles: Estamos a falar de reservas que já estavam feitas, de alterações, e aí também tenho que louvar o apoio que temos recebido dos nossos parceiros de seguros, a SGS e In Sure Broker. O apoio dado às reservas que já estavam feitas foi exemplar e permitiu-nos passar por essas alterações sem grandes sobressaltos. Para reservas novas, sabemos que os hubs na Europa são um pouco mais caros, e por isso é que se usava mais Dubai e Qatar. A Turkish tem também preços muito atrativos. Mas com muita mestria e muito know-how, tem-se conseguido criar pacotes que permitem que os clientes continuem a ir.
PressTUR: Os seguros cobriram a diferença nas alterações das reservas?
Ricardo Teles: Sim, cobrem a diferença. Quando o seguro é feito antes do destino estar afectado, está coberto. Havia duas questões: uma é quando o destino final é um dos destinos afectados, como o Dubai e o Qatar. Aí é cancelamento e devolução. Quando é só trânsito, os seguros cobrem a diferença do trânsito por outro aeroporto. É mais tranquilo para o cliente, que não desembolsa mais dinheiro e é bom para a agência, porque tem solução para o cliente. Não foi fácil, porque toda a gente começou a procurar as mesmas portas da entrada e os voos também começaram a subir. E os novos clientes já tomam a decisão sobre se aquele valor é aceitável ou se mudam de destino. Alguns estão a mudar de destino, para destinos como Brasil, Estados Unidos, etc., e outros continuam a ir.
“Egipto já está a entrar nos nossos tops de vendas”

PressTUR: O que é que se está a vender mais este Verão?
Ricardo Teles: Eu digo sempre isto e gosto de frisar sempre: o nosso destino mais vendido é sempre Portugal, Portugal no seu todo. Temos um grande destaque de Açores e Madeira, mas também muito Portugal continental.
PressTUR: E cresceu a procura por Portugal?
Ricardo Teles: Tem vindo a crescer paulatinamente, mas já estava em números muito altos e, portanto, mantém-se. Não há assim uma alteração exponencial. Quem ia para a Ásia não altera propriamente para ir para as costas de Espanha. Este cliente quer uma viagem mais longa, um Brasil, uns Estados Unidos, ou quer continuar a ir para a Ásia, mesmo que seja via outra cidade. Este cliente normalmente não muda para este tipo de destinos.
PressTUR: Que outros destinos estão com mais procura este ano?
Ricardo Teles: Cabo Verde continua a vender muito bem. É um dos nossos destinos primordiais. Caraíbas continua muito forte. Djerba está-se a vender muito bem. E este ano, até com os charters que temos da Soférias, o Egipto já está a entrar nos nossos tops de vendas.
PressTUR: Estamos a falar de quantos passageiros?
Ricardo Teles: Não tenho um número completamente certo.
Na segunda parte da entrevista, Ricardo Teles destaca o trabalho das agências de viagens e a forma como o seu valor se torna mais evidente sempre que existem perturbações globais, como a suspensão dos voos entre a Europa e o Médio Oriente.
A segunda parte da entrevista será publicada amanhã, quarta-feira, dia 20 de Maio.
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