Tem um castelo recentemente premiado pelo Iberian Festival Awards como “cenário ideal para eventos únicos e pitorescos em Portugal”, um dos mais concorridos festivais de música clássica do país e, sem dúvida, é um dos melhores locais de Portugal para deixar o nosso imaginário recuar séculos e experienciar como terá sido a vivência no tempo em que D. Afonso Henriques se batia contra os mouros.
Estamos na vila muralhada de Marvão, no distrito de Portalegre e a subida de carro até ao topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros, não poderia ser mais aprazível, com os seus campos verdejantes a perder de vista até terras de Espanha.
No dia em que o PressTUR lá foi, Jorge Rosado era o rei. Este jovem empresário hoteleiro, que desde 2024 tomou as rédeas da Pousada de Portugal naquela vila, a convite do grupo Pestana, deu um passo em frente e abriu recentemente a sua própria unidade – Marvão Hotel Museu.
Em dia de inauguração, no passado dia 13 de Março, não continha a emoção perante uma plateia com boa parte dos residentes da vila e várias figuras institucionais, entre os quais Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, e Luís Vitorino, presidente da Câmara Municipal de Marvão.
“Há 35 anos que os elementos do Governo não subiam até cá ao topo”, gracejou, no seu discurso, Jorge Rosado, após a visita-guiada à unidade hoteleira de 4-estrelas.
Edificado a partir da agregação de três casas, a maior das quais era uma habitação apalaçada, o hotel tem uma imponente janela Manuelina como uma das suas jóias da coroa, um dos pontos mais referenciais da vila. A outra é a magnífica vista que se pode desfrutar a partir da sala panorâmica e que alcança Espanha, num dos lados, e a Serra da Estrela, a pouco mais de uma centena de quilómetros, na outra ponta da sala. E depois há o núcleo museológico, o Museu da Pedra à Pólvora, integrado no hotel, que apresenta uma exposição de armas, objetos e documentos relacionados com a história da vila de Marvão e a sua ligação transfronteiriça com Espanha. Segundo os promotores, o museu nasceu da colaboração entre Jorge Rosado e José Rivero Sudon, natural de Albuquerque, em Espanha, uma espécie de padrinho do projeto, dada a sua ligação ao local, desde o início.
“Muita gente passava, apreciava e perguntava ‘de quem é aquela casa com uma magnífica janela Manuelina e que está fechada há décadas’? O José foi a única pessoa que conseguiu juntar e agregar os três proprietários das três casas tradicionais, que eram casas distintas e depois montar e começar a construir o projeto. Mas, entretanto, bate a pandemia e as fronteiras foram fechadas, ficando ele impossibilitado de vir cá. É nessa altura que ele me passa o projeto, já com alguns trabalhos de escavação que, como estamos em zona histórica classificada, obriga a uma série de pré-requisitos. E disse-me – ‘eu não quero perder isto. Isto era o meu sonho de vida’. E foi assim. Hoje, ele sabe que esta é também a sua casa”, conta Jorge Rosado ao PressTUR.
Uma “casa” enorme, transformada em ‘boutique hotel” com 12 quartos, todos diferentes, todos personalizados com materiais locais. Do mobiliário, feito cuidadosamente à medida até às delicadas peças de decoração feitas com casca de castanha, passando pelas mantas feitas de lã das ovelhas de uma produção pecuária também da propriedade de Jorge Rosado, são muitos os 1001 pormenores que podem ser apreciados no espaço.
O projeto, que representou um investimento de 2,3 milhões de euros, com 40% de financiamento do programa Portugal 2030, tem ainda restaurante, a tal sala panorâmica com lareira e um terraço no último piso com jacuzzi de sal, oferecendo vistas sobre a envolvente natural e patrimonial da vila.
A aposta na gastronomia, é aqui um trunfo, até porque nestas andanças turísticas, é algo incontornável para atingir o sucesso.
“O chef Daniel Almeida vem do Japão onde trabalhou num restaurante com duas estrelas Michelin. Esteve a formar-se em Bilbau e já tinha estado connosco através de um estágio da Escola da Hotelaria. Agora regressou porque tem a ambição de ser o chefe mais jovem em Portugal a receber uma estrela Michelin”, realça ainda o empresário, destacando que o restaurante, que terá “uma identidade muito própria”, se chamará Guarita, “por ser um espaço de abrigo e um espaço identitário do castelo de Marvão”.
Aqui, o objetivo será regressar às origens com uma visão virada para o futuro. “Ele quer valorizar os produtos endógenos, a nossa cozinha tradicional. A minha mãe foi cozinheira profissional por 37 anos e quer transmitir também os valores de cozinhar em panela de barro, de desmanchar o borrego, de utilizar todas as partes do porco… Eu já tinha intenção de o trazer para cá porque ele valoriza muito a nossa identidade gastronómica. E nos dias de hoje isso é muito importante”.
Sempre a subir
O Alentejo, recorde-se, cresceu cerca de 7% nas dormidas do 4º trimestre, o maior aumento entre todas as regiões do país, num total anual de cerca de 3,5 milhões de dormidas, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em 2025, as dormidas de residentes em Portugal continuaram a ser dominantes no Alentejo, representando 66,8% do total anual, ainda que o número de estrangeiros tenha vindo a aumentar (+5% de dormidas em 2025).
“O Alentejo é muito grande, do tamanho da Bélgica, portanto tem operações hoteleiras muito diversas desde operações da costa alentejana, como a Comporta, por exemplo, que são muito diferentes das operações hoteleiras do interior, como aqui, em Marvão. Porém, há um denominador comum, a qualidade, e eu acho que é isso que tem conseguido ajudar o Alentejo a ter bons resultados”, realçou, ao PressTUR, José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, acrescentando que “pela primeira vez foram ultrapassados 300 milhões de euros de proveitos” na região.
Os novos projetos da região alentejana distinguem-se por um “luxo discreto” que continua a atrair maioritariamente nacionais (dois terços), mas com o mercado estrangeiro a crescer sustentadamente. “O Alentejo tem uma representatividade da procura inversa em relação a Lisboa ou o Algarve, por exemplo, mas em 2025 tivemos mercados internacionais a crescer significativamente como o mercado alemão que aumentou 11% ou o holandês 9%”, sublinhou ainda o responsável.
“O tipo de turista que vem para o Alentejo, e posso dizer isto agora com alguma propriedade porque acabámos de fechar um estudo com a Universidade de Évora que nos atualizou o estudo do perfil de visitante, é um turista exigente que procura qualidade, conforto, o tal luxo discreto, uma grande ligação à comunidade e à cultura. E tudo isso ele encontra no interior do Alentejo. Por isso é que o Marvão, o seu peso histórico, o Festival Internacional de Marvão, é um destino nesse ponto de vista”, rematou ainda o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo.
Refira-se que o Festival Internacional de Música de Marvão (FIMM), é um dos grandes acontecimentos turísticos da região, já vai na 12ª edição e este ano realiza-se de 24 de Julho a 2 de Agosto.
O Castelo de Marvão, recorde-se, está classificado como monumento nacional desde 1922 e a vila muralhada está integrada no Parque Natural da Serra de São Mamede.
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