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Hotéis em Portugal estão com menos reservas até ao fim do ano, mas com melhores preços

Os hotéis em Portugal estão com menos reservas para os últimos três meses deste ano, comparando com 2025, mas com melhores preços, revelou hoje a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira.

A conclusão resulta de um inquérito realizado pela AHP entre 28 de Setembro e 11 de Outubro, com respostas de 403 empreendimentos turísticos.

Aos apresentar os resultados, Cristina Siza Viera destacou que este abrandamento das reservas em relação ao ano passado poderá resultar da tendência crescente das reservas “last minute”. Estas reservas feitas mais próximo da data da viagem têm vindo a crescer com o agravamento da instabilidade económica e geopolítica.

Os dados divulgados revelam que 45% dos inquiridos estão com as reservas para Outubro piores ou muito piores do que no período homólogo de 2025. Os preços, por outro lado, estão melhores ou muito melhores para 60% dos respondentes.

Para Novembro, 61% dos hoteleiros respondeu que as reservas até à data de fecho do inquérito estavam piores ou muito piores. No entanto, os preços estavam melhores ou muito melhores para 54% dos inquiridos.

Para Dezembro, as reservas estavam piores ou muito piores para 53% dos hoteleiros, e os preços estavam melhores ou muito melhores para 48%.

Viver em instabilidade, o novo normal

A AHP também questionou os hoteleiros sobre os riscos e/ou desafios com maior impacto na operação até ao fim deste ano. Uma das principais conclusões é que a instabilidade económica e geopolítica passou a ser apontada por menos inquiridos (61%) do que no inquérito realizado antes do Verão (71%). “É o novo normal, vivermos em instabilidade”, indicou Cristina Siza Vieira.

Por outro lado, “há um crescimento muito grande” no número de inquiridos que apontam o “aumento generalizado do custo da energia e combustíveis” como um dos principais desafios/riscos. Passou de “menos de 50%” das respostas antes do Verão para 58% no inquérito fechado a 11 de Outubro.

Os hoteleiros também estão mais preocupados com o “crescimento galopante dos custos operacionais”, sublinhou a vice-presidente executiva da AHP. Este fenómeno passou a ser visto como risco/desafio à operação para 52% dos hoteleiros. Antes do Verão eram 38%.

Aumento da oferta de alojamento turístico

Outra conclusão assinalada pela vice-presidente executiva da AHP é o crescimento expressivo, de 7% para 23%, da percentagem de hoteleiros que considera a “oferta excessiva de alojamento turístico” como um risco/desafio à sua operação até ao final do ano.

Cristina Siza Vieira considera que se trata de “uma questão de percepção”, relacionada com os dados mais recentes da Lodging Econometrics. No segundo trimestre de 2026, a consultora revelou que Portugal tinha 120 projectos hoteleiros em ‘pipeline’, com 14 mil quartos. É o quinto maior ‘pipeline’ da Europa, com Lisboa a liderar em novos projectos e novos quartos. “Esta divulgação fez, a nosso ver, com que crescesse esta preocupação”, indicou a dirigente.

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