“Foi um Verão na globalidade positivo”, mas “as coisas não estão brilhantes” para os hotéis, afirmou a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira.
As conclusões da dirigente resultam das respostas de 403 empreendimentos turísticos inquiridos pela AHP entre 28 de Setembro e 11 de Outubro.
Os dados, apresentados esta segunda-feira em videoconferência de imprensa, revelam que a taxa de ocupação dos hotéis em Portugal baixou 1 ponto percentual em relação ao Verão de 2025, para 80%.
Por outro lado, o preço médio por quarto ocupado subiu 3%, para 171 euros, e a receita média por quarto disponível (RevPAR) aumentou 1%, para 137 euros.
“Foi um Verão na globalidade positivo, com um preço médio a crescer relativamente pouco”, sublinhou Cristina Siza Vieira. “Estes 3% [de aumento do preço médio], se perceberem o que se está a passar com a inflação percebem que, enfim, as coisas não estão brilhantes, brilhantes”.
Quebra em Lisboa “não é surpresa”
A Grande Lisboa foi a única região do país com uma quebra nos três indicadores apresentados. A ocupação baixou 2 pontos percentuais, para 82%, o preço médio desceu 1%, para 173 euros, e a RevPAR caiu 4%, para 142 euros.
O desempenho da hotelaria na Grande Lisboa “não é surpresa” para a vice-presidente executiva da AHP, porque a oferta de lugares em voos para a região estagnou, ao mesmo tempo que a oferta de quartos de alojamento turístico aumentou.
“É o mesmo numero de assentos distribuídos por mais quartos”, resumiu Cristina Siza Vieira.
Outro factor que “causou muito estrago” no desempenho da hotelaria da Grande Lisboa foi o impacto do novo sistema de Entrada e Saída do Espaço Schengen no Aeroporto Humberto Delgado, que provocou longas filas no controlo de fronteiras, com efeito negativo na captação de visitantes.
Os dados da Associação revelaram que a taxa de ocupação mais elevada deste Verão registou-se nos hotéis da Madeira (90%, tal como em 2025). Os maiores aumentos deste indicador, por outro lado, registaram-se no Alentejo (+2 p.p., para 73%, abaixo da média nacional de 80%) e na Península de Setúbal (+2 p.p., para 86%).
O Algarve liderou em preço médio (228 euros, +2%) e em receita por quarto disponível (195 euros, +2%).
Os maiores aumentos de preço médio verificaram-se na Madeira (+6%, para 196 euros) e no Centro (+6%, para 102 euros, abaixo da média nacional de 171 euros).
Sobre a receita média por quarto disponível (RevPAR), os dados da AHP indicam que o maior aumento ocorreu no Alentejo (+7%, para 107 euros, abaixo da média nacional de 137 euros).
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