O Atlantic Connect Group, constituído pelos empresários Carlos Tavares, Tiago Raiano, Paulo Pereira e Nuno Pereira, acusou o júri da privatização da Azores Airlines de rejeitar a sua proposta de compra “sem fundamento jurídico”.
A posição do júri liderado pelo economista Augusto Mateus é uma “opção que está ao serviço de uma narrativa e não de uma avaliação objectiva”, acusa o consórcio.
Em comunicado, o grupo revela que apresentou esta quinta-feira “uma resposta formal ao parecer do Júri, considerando que a recomendação de exclusão da sua proposta para a aquisição da Azores Airlines assenta em fundamentos jurídicos errados e na aplicação de critérios que não constam do procedimento”.
Os quatro empresários consideram a posição do júri “manifestamente incoerente”, uma vez que, no mesmo relatório, reconhece que a proposta tem “vantagens claras do ponto de vista financeiro”, mas diz que “não cumpre os objectivos da privatização”.
Sobre a idoneidade do consórcio, que, além dos dois parceiros iniciais, passou a contar com dois “empresários portugueses amplamente reconhecidos”, Carlos Tavares e Paulo Pereira, o grupo considera que a decisão do júri “contraria o senso comum económico e empresarial e aproxima-se perigosamente de uma apreciação injustificada e de natureza difamatória”.
“O Atlantic Connect Group considera ainda infundada a exclusão da proposta com base no entendimento de que a entidade pública alienante não deve assumir responsabilidades por decisões tomadas antes da privatização”, acrescenta o comunicado. “As obrigações que caberiam à SATA Holding encontram-se devidamente identificadas, quantificadas e refletidas nos Relatórios e Contas da SATA Internacional, sendo, por isso, plenamente conhecidas e mensuráveis”.
Os empresários defendem ainda que a recomendação de rejeição da sua proposta “é afastar-se dos verdadeiros objetivos da privatização”, uma vez que, garantem, a sua solução protege “o erário público, os trabalhadores e a própria Região Autónoma dos Açores”.
O consórcio “estranha ainda a ligeireza com que o Júri ignora os acordos alcançados com as estruturas sindicais e com os representantes dos trabalhadores”, que são “o maior activo da companhia aérea”.
O processo de tentativa de compra decorre “há cerca de três anos”, recorda o Atlantic Connect Group, para sublinhar que “está preparado” para os defender os seus direitos “através de todas as vias legais, nacionais e internacionais”.
A “proposta submetida é sólida, responsável e alinhada com o interesse público”, reitera o grupo, “esperando que o parecer do Júri venha a ser revisto à luz dos factos, das regras do procedimento e das necessidades reais da Azores Airlines”.
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