O Aeroporto de Lisboa, que está no limite da sua capacidade, continua a ser o que mais cresce em Portugal, tendo feito 30% do aumento total de passageiros nos primeiros dez meses deste ano.
Os aeroportos portugueses receberam 63,9 milhões de passageiros de Janeiro a Outubro, mais 2,9 milhões (+4,7%) que no período homólogo do ano passado, de acordo com os dados divulgados hoje pelo INE.
O maior aumento verificou-se no Aeroporto de Lisboa, que somou mais 865 mil passageiros (+2,9%) que há um ano, superando, pela primeira vez nos primeiros dez meses de um ano, os 30 milhões de passageiros.
O Aeroporto Humberto Delgado, com 30,746 milhões de passageiros de Janeiro a Outubro, recebeu 48,1% do total de passageiros que passaram pelos aeroportos portugueses neste período.
O segundo maior contributo para o crescimento do movimento de passageiros nos aeroportos portugueses verificou-se no Porto, que fez 28,1% do aumento total, ao receber mais 809 mil passageiros (+5,9%) que há um ano.
Com 14,5 milhões de passageiros, o Aeroporto do Porto recebeu 22,8% do total.
Os dados divulgados pelo INE mostram ainda que o Aeroporto de Faro recebeu 9,583 milhões de passageiros (15% do total), com um aumento de 515 mil (+5,7%) em relação ao ano passado.
O conjunto dos outros aeroportos portugueses somou 9 milhões de passageiros, mais 695 mil (+8,4%) que há um ano.
No mês de Outubro, Lisboa somou 3,3 milhões de passageiros (+3,6%), o Porto recebeu 1,6 milhões (+6,6%), Faro recebeu 1,1 milhões (+2,8%) e os outros aeroportos somaram 877 mil (+6,8%).
Novo aeroporto para a região de Lisboa
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, voltou a alertar no início de Dezembro para a necessidade de aumentar a capacidade aeroportuária da região de Lisboa. “Sem um novo aeroporto, muito dificilmente teremos crescimentos no turismo”, afirmou.
O dirigente propôs a criação de “uma alternativa intermédia ao aeroporto em Alcochete”, que ainda levará mais de 10 anos a construir. “O Montijo é uma opção intermédia rápida, eficaz e mais barata”, disse Francisco Calheiros, no Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), em Macau.
No mesmo evento, o secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Espírito Santo, opôs-se à ideia de que um aeroporto no Montijo seria uma solução rápida, dizendo que se trata de uma “falácia”. As obras “não iam demorar três anos, iam demorar cinco, seis, sete anos, e portanto não é solução”.
Hugo Espírito Santo disse ainda que a construção de um aeroporto no Montijo seria um erro. “O actual aeroporto de Lisboa é um erro. Ter um aeroporto em que cada aeronave atravessa 400 mil habitantes é um risco. Fazer um novo aeroporto complementar numa zona que atravessa 200 mil habitantes era cometer um erro em cima de outro”, afirmou o governante.
Alcochete é a solução que está acordada entre o Governo e a ANA Aeroportos / Vinci Airports, mas os prazos de construção divergem. O secretário de Estado das Infra-estruturas disse que o Governo aponta para 2034/2035, enquanto José Luís Arnaut, chairman da ANA, também em Macau, indicou que essa previsão seria realizável apenas num “cenário idílico”. A previsão da concessionária é abrir o Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete, em 2037.
Sobre o Aeroporto Humberto Delgado, Hugo Espírito Santo anunciou no mesmo evento que estarão disponíveis mais dois slots por dia em 2026, graças a uma redução do tempo médio de espera.
“Estamos a contar ter 39 slots em 2028, 40 slots em 2029 e 42 slots em 2030. Depende de quê? Depende da execução das obras. Estamos agora no processo de fechar com a ANA e de acelerar todo esse processo”, anunciou Hugo Espírito Santo em Macau.
Ver também:
Novo aeroporto em Alcochete em 2035? Só num “cenário idílico”
CTP quer um aeroporto no Montijo como “alternativa intermédia” a Alcochete
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