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Brasil tem tudo para ser uma potência na produção de combustível sustentável para aviação – IATA

Numa altura em que a produção de combustível sustentável para aviação (SAF) representa apenas 0,8% do combustível usado pelas transportadoras aéreas, a associação internacional de companhias aéreas IATA desafia o Brasil a tornar-se “uma potência global” neste sector.

“O Brasil tem todos os ingredientes para se tornar uma potência global em SAF. Possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, além de matéria-prima abundante. Além disso, como segundo maior produtor mundial de biocombustíveis líquidos, o país beneficia de profundo conhecimento técnico e infra-estrutura desenvolvida”, sublinhou Willie Walsh, director-geral da IATA, citado num comunicado.

“O Brasil tem uma oportunidade real de ser líder global na descarbonização da aviação”, acrescentou Willie Walsh.

A IATA, que organizou a sua 82ª assembleia geral anual no Rio de Janeiro de 6 a 8 de Junho, anunciou que a produção global de SAF em 2026 deverá atingir cerca de 2,4 milhões de toneladas, representando apenas 0,8% do consumo de combustível de aviação, a um custo de 4,3 mil milhões de dólares para as companhias aéreas.

“Será mais um ano decepcionante para a produção de SAF. Cinco anos após o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050, a produção de SAF representará apenas 0,8% do consumo de combustível das companhias aéreas este ano. O caminho para satisfazer 65% das nossas necessidades em 2050 está a tornar-se cada vez mais difícil a cada ano, com políticas governamentais mal sequenciadas e o manifesto desinteresse das empresas petrolíferas”, sublinhou o director-geral da IATA, lembrando que “o actual choque energético deverá tornar ainda mais urgente o desenvolvimento de renováveis, incluindo o SAF”.

A IATA sublinha que as companhias aéreas necessitarão de cerca de 500 milhões de toneladas (Mt) de SAF para atingir a sua meta de emissões líquidas zero de CO2 até 2050.

O Brasil, de acordo com a associação, “tem um dos maiores potenciais de biomassa do mundo, cerca de 180 Mt até 2050, o que poderá gerar cerca de 60 Mt de SAF”.

“Em 2030, o etanol de origem sustentável derivado do açúcar, bem como os óleos virgens e usados, poderão atingir cerca de 18 Mt, o que se traduz num potencial de produção de SAF de aproximadamente 12 Mt”, acrescenta a IATA, sublinha que este volume “equivale a cinco vezes a produção global estimada de SAF em 2026, de 2,4 milhões de toneladas”.

A informação divulgada pela IATA indica que o Brasil tem cerca de 15 projetos de SAF em curso e, se todos forem concluídos, “colocará cerca de 2 milhões de toneladas de SAF em funcionamento”.

Marie Owens Thomsen, vice-presidente sénior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, sublinhou que “a escala do potencial brasileiro é tal que os benefícios económicos podem ser transformadores”.

Para acelerar a produção de SAF não só no Brasil mas a nível global, a IATA defende que é necessário “expandir o fornecimento de energia renovável para sustentar a produção de SAF e garantir a disponibilidade suficiente de matérias-primas e energia limpa”.

A Associação pretende que seja garantido “o acesso aberto às infraestruturas de combustível, incluindo oleodutos, armazenamento e sistemas de abastecimento dos aeroportos, para permitir uma concorrência leal e uma distribuição eficiente”.

Outra medida necessária para acelerar a produção de SAF, de acordo com a IATA, é “reforçar o apoio político através de uma sequenciação eficaz dos incentivos à produção e de estruturas de investimento que proporcionem segurança e reduzam o risco antes da imposição de quaisquer mandatos”.

A Associação defende ainda a viabilização de “um mercado global de SAF com volumes suficientes a preços comercialmente viáveis, essenciais para a sustentabilidade financeira e económica das companhias aéreas”.

“Um sistema de reserva e reivindicação é fundamental para transformar o mercado de SAF de local para global, tornando-o acessível às companhias aéreas e aos produtores de SAF”, acrescenta a IATA. “Um mercado global de SAF deve também ser apoiado por normas harmonizadas que criem regras duradouras e uma concorrência leal”, conclui a Associação.

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Para aceder ao site da IATA clique aqui.

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