As receitas das companhias aéreas provenientes da marcação de lugares, do transporte de bagagens, das refeições servidas a bordo e outros “ancillaries” deverão superar este ano, pela primeira vez desde 2019, as receitas do transporte de carga.
Os “ancillaries”, que são os serviços complementares não incluídos no preço do bilhete, deverão crescer 12,6% este ano, alcançando os 165 mil milhões de dólares, de acordo com as previsões globais da IATA, maior associação internacional de companhias aéreas.
“A rápida expansão destas receitas é reflexo das estratégias das companhias aéreas para maximizar a facturação por cliente face ao impacto nos custos de combustível”, sublinha a IATA.
As receitas provenientes do transporte de carga, por sua vez, deverão crescer 7,2%, para 162 mil milhões de dólares. “Com o crescimento da carga medida em toneladas de carga por quilómetro voado (CTK) estimado em apenas 0,7% para 2026 (e de meros 0,2% em termos de carga efectivamente embarcada), o avanço na facturação é impulsionado prioritariamente pelo repasse dos custos do combustível”, sublinhou a IATA.
“O rendimento médio da carga (yield) deve crescer 6,5% em 2026, após três anos consecutivos de retração”, acrescentou a Associação.
Os custos com combustível deverão subir quase 40%, passando de 252 mil milhões de dólares em 2025 para 350 mil milhões de dólares em 2026. A previsão baseia-se num preço médio estimado para o barril de petróleo bruto de 95 dólares (Brent) para o ano (uma alta de 37% face aos 69 dólares em 2025). O preço do querosene deve registar média anual de 152 dólares por barril (alta de quase 70% face aos 90 dólares em 2025). O crack spread (o prémio pago pelo combustível de aviação em relação ao petróleo bruto Brent) deve registar uma média de 57 dólares por barril, um recorde histórico.
A IATA sublinha que as companhias aéreas fizeram protecção financeira (hedging) de aproximadamente um terço do seu consumo de combustível previsto para 2026, “o que ajuda a suavizar a volatilidade de curto prazo, mas não elimina a exposição a aumentos persistentes de preços”.
Ver também:
Companhias aéreas esperam recorde de ocupação, mesmo com subida de preços dos voos
IATA reduz previsões de rentabilidade para metade devido ao combustível
Para aceder ao site da IATA clique aqui.




