O turismo em Portugal deverá continuar a crescer em 2026, mas a um ritmo mais lento, beneficiando, por um lado, do desvio de fluxos turísticos de destinos prejudicados pela guerra no Médio Oriente, mas, simultaneamente, afectado pela subida dos custos do combustível de aviação, que fará subir os preços dos voos.
Recorrendo às estimativas do Banco de Portugal e aos dados sobre o desempenho do alojamento turístico em Janeiro, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, anunciou hoje uma previsão de abrandamento do crescimento do turismo em Portugal este ano.
Depois dos crescimentos de 3% em hóspedes, 2,2% em dormidas e 5% em receitas turísticas no ano passado, Cristina Siza Vieira prevê para este ano um crescimento de 2,5% em número de hóspedes, 1,7% em dormidas e 3% em receitas.
A vice-presidente executiva da AHP reconhece que “os factores de instabilidade e de indefinição são demasiado grandes”, pelo que estas previsões devem ser encaradas “com prudência”.
Cristina Siza Vieira admite que “no curto prazo” Portugal pode beneficiar do desvio dos fluxos turísticos de destinos mais próximos do Médio Oriente, onde os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra sem justificação legal contra o Irão. Com esses desvios, os destinos portugueses que deverão beneficiar serão “destinos de resort”.
Ainda assim, os turistas chegam a Portugal de avião e os preços dos voos estão a subir, devido ao aumento do preço combustível de aviação, também em consequência da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel.
Um ponto positivo nas previsões de Cristina Siza Vieira é que viajar se tornou “quase um direito fundamental”, “um impulso vital da nossa humanidade”. Nesse sentido, mesmo com “preocupações no horizonte”, com aumentos dos preços e consequente redução do orçamento para viajar, a vice-presidente da AHP prevê que “continuaremos a viajar, mas com ajustes” no orçamento.
Cristina Siza Vieira sublinhou ainda a importância do mercado interno. “Sempre dissemos que o mercado interno é muito importante e continuará a ser”. É preciso “encontrar os momentos ideais para apostarmos no mercado interno, fora de Agosto e fora dos momentos de grande pressão turística”.
Reconhecendo a importância do mercado interno, a vice-presidente da AHP lembrou que, quanto mais apoios existirem para ajudar as pessoas a suportar a subida dos preços provocada pela guerra – como Espanha está a fazer, ao reduzir os impostos sobre combustíveis, luz e gás – mais orçamento terão para viajar.
Ver também: Guerra no Médio Oriente prejudicou reservas para a Páscoa em 24% dos hotéis em Portugal – inquérito AHP
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