Mais de metade dos hotéis em Portugal mantêm o ritmo de reservas para a Páscoa “sem alterações significativas” provocadas pela guerra no Médio Oriente, mas quase um quarto (24%) das unidades registou cancelamentos ou abrandamento de novas reservas.
As conclusões resultam de um inquérito da Associação da hotelaria de Portugal (AHP), realizado entre 9 e 20 de Março, com respostas de 394 empreendimentos (hotéis, hotéis-apartamento e pousadas).
“Face à recente instabilidade geopolítica no Médio Oriente, que comportamento nota no seu ritmo de reservas para a Páscoa”, questionou a AHP aos seus associados.
De acordo com os resultados apresentados hoje em conferência de imprensa online pela vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, 60% dos inquiridos mantém o ritmo de reservas previsto para a Páscoa “sem alterações significativas”, enquanto 24% verificou “aumento de cancelamentos ou abrandamento de novas reservas”.
As regiões com maior incidência de cancelamentos ou abrandamento de reservas foram a Península de Setúbal (73% dos inquiridos) e os Açores (32%).
Por outro lado, os resultados também mostram que 16% dos hotéis verificaram “aceleração de reservas (potencial desvio de outros destinos para Portugal)”, sobretudo no Alentejo, onde 45% dos inquiridos notam aceleração das reservas, e na Madeira (32%).
As regiões onde mais hotéis responderam que o ritmo de reservas se manteve igual ao previsto foram o Algarve (77%), o Norte (72%), o Centro (67%) e a Madeira (62%).
Abrandamento dos Estados Unidos
O inquérito revelou um abrandamento da procura por Portugal por parte dos turistas dos Estados Unidos esta Páscoa. Cristina Siza Vieira associa este abrandamento a “razões de instabilidade”, considerando que poderá ser “desconfortável” para um norte-americano viajar para o estrangeiro estando “o seu país em guerra aberta”. Por outro lado, e pelos mesmos motivos, também pode haver maior contenção de gastos dos residentes nos EUA.
Os resultados do inquérito mostram que 22% dos inquiridos apontaram os Estados Unidos como um dos seus três principais mercados emissores para o fim-de-semana da Páscoa (3 a 5 de Abril). No ano passado foram 38%. A diminuição também resulta de um efeito estatístico, porque o inquérito em 2025 foi feito mais próximo do fim-de-semana da Páscoa do que este ano, e porque a própria pausa lectiva acontece este ano mais cedo que em 2025.
Ver também: Turistas dos EUA e Alemanha foram os que mais contribuíram para o aumento das receitas turísticas em Portugal em 2025 / Turistas dos Estados Unidos fizeram quase 60% do aumento de dormidas de estrangeiros em Portugal em 2025
Portugal lidera as respostas ao ser apontado por 70% dos inquiridos como um dos três maiores mercados para o fim-de-semana da Páscoa. Seguem-se Espanha (54%), Reino Unido (36%) e Alemanha (34%).
Outro dado relevante sobre os mercados é que a Coreia do Sul e a China “desapareceram do radar”, estando ausentes das listas dos maiores emissores para esta Páscoa, destacou Cristina Siza Viera.
Os dados divulgados pela AHP mostram que, até 20 de Março, data de fecho do inquérito, as reservas registadas pelos hotéis inquiridos apontavam para uma ocupação média de 57% e um preço médio de 147 euros no fim-de-semana da Páscoa.
A Madeira liderava com uma ocupação média de 76% e um preço médio 184 euros. Cristina Siza Vieira também destacou o Alentejo (47% e 163 euros) e Grande Lisboa (66% e 168 euros).
Ver também: Turismo em Portugal vai crescer em 2026, mas a um ritmo mais lento – Cristina Siza Vieira, AHP
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