“A tranquilidade que noutros tempos conhecemos acabou. Teremos sempre novos desafios imprevisíveis”, prevê o director Comercial do Grupo Ávoris, Constantino Pinto, em entrevista ao PressTUR.
PressTUR: Como correu o Verão em termos operacionais? Houve mudanças de operações, de aeroportos de partida, cancelamentos?
Constantino Pinto: Correu bastante melhor que o ano passado, felizmente. No início da temporada tivemos um problema com Palma de Maiorca a partir de Lisboa, originado precisamente pelo congestionamento do aeroporto. Mas depois conseguimos encontrar alguma estabilidade. Tivemos um incidente em Setembro que afectou todos no aeroporto do Porto, que fechou para pavimentação da pista. Isso agitou um bocadinho, mas felizmente correu tudo bem. Tivemos uma avaria, não de longo curso. Felizmente o longo curso correu bem e isto é quase um milagre. É um avião que está constantemente a atravessar o Atlântico duas vezes por dia. Estamos preparados, mas há sempre imponderáveis. Já em Espanha a situação não foi tão fácil. Um dos aviões que opera teve vários problemas, mas foram sempre resolvendo. Em termos de Caraíbas, de facto, funcionou como um relógio. Até os furacões nos ajudaram este ano. Havia expectativa que fosse muito agitado a esse nível, mas não foi. No médio curso tivemos quatro ou cinco situações pontuais em que o avião não conseguiu aterrar no Porto devido ao mau tempo e foi para Vigo. Tivemos uma avaria no aparelho que está a voar do Porto, o Boeing 737-800 da Enter Air, mas que foi resolvida, com um avião que veio de Paris. Portanto, tendo em conta o actual panorama e a realidade que todos sofremos no dia-a-dia com os aeroportos, a operação correu extraordinariamente bem.
PressTUR: Quais são os principais desafios ao desenvolvimento da actividade turística em Portugal? Imagino que as limitações do aeroporto de Lisboa seja um dos desafios…
Constantino Pinto: Sim, sem dúvida. Enquanto não tivermos esta situação resolvida, a operação vai ser muito condicionada. O aeroporto e a ANA estão a fazer um esforço muito grande. Vamos ter uma ampliação de portas de embarque, mas vamos ter sempre uma limitação. Não só não poderemos aumentar operações como teremos sempre dificuldade em repor as operações que tradicionalmente tínhamos à partida de Lisboa. Temos que recorrer às alternativas que temos. Neste momento, Beja continua a não ser uma alternativa. Para o médio curso nunca vai ser. Uma pessoa faz uma hora e meia de voo para Palma de Maiorca não vai gastar duas horas e meia de autocarro para ir para Beja. À ida até é capaz de tolerar, mas no regresso é um desastre. É um grande desafio conseguir garantir a estabilidade da próxima operação. No longo curso temos mais tranquilidade, mas o médio curso continua a ser uma preocupação muito grande. Depois temos a conjuntura internacional vai condicionar muito o comportamento do mercado. Já nos acostumámos a que existe uma guerra na Europa e uma guerra no Médio Oriente. Se não houver nada de anormal a tendência é que estes conflitos se resolvam e que as coisas regressem a alguma normalidade. Eu já não acredito naquilo que era o conceito de normalidade tradicional. Acho que haverá sempre qualquer coisa a afectar, mas a verdade é que estamos a ganhar capacidade de superar todas as crises. A tranquilidade que noutros tempos conhecemos acabou. Teremos sempre novos desafios imprevisíveis. Acho que a questão da conjuntura internacional e dos condicionalismos que temos a nível nacional com o aeroporto de Lisboa são os principais desafios. Depois temos ainda a conjuntura económica portuguesa. Preocupa-me a outros níveis, a nível social, mas nesta área das viagens não me preocupa tanto. Eu acho que também adquirimos aqui já alguma estabilidade. As viagens passaram a ser uma primeira necessidade. E se for preciso fazer um sacrifício para ter umas férias de Verão, as pessoas fazem. Se isto não nos garante o crescimento do mercado, pelo menos é capaz de nos garantir a manutenção do mercado tal como está.
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