O presidente da AHETA, Hélder Martins, alertou hoje para a urgência de melhorar a experiência dos turistas no Algarve de forma transversal, que enfrentam constrangimentos no aeroporto, nas estradas e nos comboios.
“No Algarve temos que cuidar da galinha dos ovos de ouro. Temos novos turistas, novas rotas, mas o produto turístico tem que se reinventar”, começou por afirmar Hélder Martins, na abertura da Conferência Turismo 30+, a decorrer em Albufeira.
“Não basta termos o sol e praia, as melhores marinas e os melhores campos de golfe. É necessário que aquilo que nós oferecemos tenha uma leitura transversal de grande qualidade, senão as rotas e os turistas deslocam-se para outros destinos”, alertou o presidente da AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve.
Hélder Martins salientou que “os novos turistas esperam um destino de qualidade, e não o esperam apenas dentro de cada unidade hoteleira, mas no aeroporto, nas estradas e nos comboios”.
O dirigente particularizou alguns desafios, como a requalificação da estrada Nacional 125, “onde proliferam stands de automóveis usados, colocados de forma ilegal”, e dos comboios, que têm “carruagens com 50 anos”.
Hélder Martins destacou ainda problemas na burocracia relacionada com a construção de hotéis no Algarve, que “demoram em média sete anos” a ser aprovados.
“Se o Algarve não der este salto e não se preparar condignamente para os tempos que aí vêm, podemos estar mal”, perspectivou o presidente da AHETA.

Na mesma ocasião, José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, sublinhou que é necessário “responder aos desafios imediatos: habitação, água, mobilidade, entrada no aeroporto”.
Para o Algarve “continuar a ser líder por excelência no turismo”, José Apolinário defendeu a melhoria da qualificação dos trabalhadores, “para que o trabalho no turismo possa ser melhor remunerado”.
José Apolinário destacou ainda que, apesar de haver “descontentamento” no Algarve em relação à segurança, educação e saúde, existe “aceitação em relação ao turismo”, porque “a maioria das pessoas considera o turismo positivo para o desenvolvimento regional”. Na sua visão, “o turismo é a força motriz da região”.
Na mesma conferência, o presidente da Câmara de Albufeira, José Carlos Rolo, alertou para a ligação entre dois desafios: a escassez de mão-de-obra na hotelaria e a habitação.
“Era importante que houvesse uma missão do Governo, das autarquias e dos empresários no sentido de resolver de uma vez por todas a questão da habitação para os trabalhadores da industria turística”, defendeu o autarca. “Se não houver habitação, torna-se mais difícil de resolver questão da mão-de-obra”.
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