O Governo quer manter uma posição maioritária na TAP, com 50,1% do capital, de acordo com o diploma da privatização aprovado esta quinta-feira, que prevê a venda de 44,9% do capital a investidores e a oferta de 5% aos trabalhadores.
O Governo sublinha que se trata de uma “primeira fase” da privatização da companhia aérea portuguesa.
O Governo anterior, liderado pelo mesmo primeiro-ministro do Governo actual, Luís Montenegro, defendia a venda de 100% da TAP, mas, sem maioria no Parlamento, declarava-se aberto ao diálogo, como indicou, numa audição em Fevereiro, o ministro das Infra-estruturas, Miguel Pinto Luz, que mantém a mesma pasta no novo executivo, também sem maioria parlamentar.
A TAP é detida a 100% pelo Estado português desde Dezembro de 2021, na sequência de um auxílio estatal devido aos impactos da pandemia de covid-19.
Sobre a aprovação do diploma que marca mais um arranque para a privatização da TAP, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou hoje que esta decisão terá “oportunamente desenvolvimento com a apresentação do caderno de encargos” pelos ministros de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e das Infra-estruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Luís Montenegro garantiu que quer salvaguardar o hub da TAP em Lisboa, bem como “o aproveitamento de todas as infra-estruturas aeroportuárias do país, em particular do aeroporto hoje Humberto Delgado e amanhã Luís de Camões (o novo aeroporto de Lisboa), mas também do Porto e de Faro e os aeroportos das regiões autónomas”.
“Queremos que a companhia seja rentável, seja bem gerida, seja enquadrada num contexto competitivo, seja financeiramente sustentável e esteja ao serviço do interesse estratégico do país”, garantiu o primeiro-ministro.
A privatização da TAP atraiu interesse dos grandes grupos europeus de companhias aéreas, designadamente Lufthansa, Air France-KLM e IAG (British Airways, Iberia e outras transportadoras).
Em 2024, a TAP teve um lucro líquido de 53,7 milhões de euros, o que corresponde a uma descida de 123,6 milhões de euros ou 69,7% em relação a 2023. As receitas operacionais da companhia atingiram um montante recorde, impulsionados pelos serviços de manutenção. No primeiro trimestre deste ano, um período que tradicionalmente acaba ‘no vermelho’, a TAP teve um agravamento do prejuízo em 20,1%.
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