Os dados do tráfego de passageiros nos aeroportos europeus em Janeiro evidenciavam “uma procura resiliente” e “perspectivas positivas para os próximos meses”, mas a guerra iniciada pelos EUA e Israel “está a afetar as previsões de tráfego, tornando o cenário altamente incerto neste momento”, de acordo com o director do ACI Europe, Oliver Jankovec.
Jankovec aprofundou e explicou que “o Médio Oriente e em particular o Golfo [da Pérsia], nos últimos 20 anos, tornou-se uma parte importante da conectividade e volume de tráfego para muitos aeroportos europeus – desde os maiores regionais aos principais hubs. Isto não diz respeito apenas a conectividade directa e tráfego para o Médio Oriente, mas também à conectividade indirecta, através daquela região para a zona da Ásia-Pacífico”.
“Isto significa que, mesmo que parte da procura subjacente impulsionada pelo lazer, pudesse trocar para outros destinos ou outras rotas directas e indirectas para a região da Ásia Pacífico, este tráfego simplesmente não é substituível”, completou o director.
Em Janeiro, o tráfego aumentou 4,6% em relação ao mesmo mês de 2024, com os aeroportos dos países que não pertencem à UE+, a crescerem 8,8%, quando os países do mercado da UE+ cresceram 3,6%.
O crescimento foi marcado pelo crescimento do tráfego de passageiros internacionais, +5,5%, com o transporte de passageiros domésticos a aumentar 1,8% e continuam -8,1% abaixo dos números pré-pandemia.
No mês de Janeiro, na região do mercado UE+, os aeroportos da zona Leste e da periferia deste bloco registaram crescimento no número de passageiros a dois dígitos, com destaque para a Eslováquia (+98%), Eslovénia (+20,8%) e a República Checa (13,5%).
Os aeroportos na Holanda, afectados pelo mau tempo, na Islândia e na Letónia, afectados por cortes de companhias aéreas, registaram quebras respectivas de -7,3%, -4,3% e -3,2%.
Em Itália, na Alemanha, Espanha, em França e no Reino Unido foram registados crescimentos de 4,1%, 3,5%, 2,6%, 2,1% e 2%, respectivamente.
Fora da União Europeia, a Moldávia e a Macedónia do Norte registaram crescimento de 35,4% e de 31%.
Em relação a crescimento absoluto, o Aeroporto de Istambul (+6,4%) ultrapassou o de Heathrow (+2,2%) com 6,9 milhões de passageiros em Janeiro, contra os 6,5 milhões em Heathrow. O aeroporto de Istambul registou uma média de 220.000 passageiros por dia.
Madrid-Barajas (+3,5%) chega ao terceiro lugar depois de ultrapassar Paris-Charles de Gaulle (+0,7%), seguidos de Amesterdão que seguiu a tendência da Holanda com uma performance negativa, -9,1%.
A ACI Europe destacou o crescimento do Aeroporto de Frankfurt, +4,9%, que chegou ao sétimo lugar, atrás do aeroporto Istambul Sabiha Gökçen, +14,3%.
Relativamente a Aeroportos de menores dimensões (passageiros que recebem menos de um milhão de passageiros por ano), estes ainda continuam com valores abaixo dos níveis pré-pandemia, tendo crescido em média 12,7% em relação a Janeiro de 2024, ainda estão 28,7% abaixo dos níveis pré-pandemia.
Apenas 49% dos aeroportos de pequenas dimensões (small airports, menos de um milhão de passageiros por ano) recuperou dos níveis pré-pandemia.
Uma curiosidade interessante conectada com o título desta peça, o Aeroporto de Tel Aviv (Jaffa) registou um crescimento de 24,4% no tráfego de passageiros, coincidindo com uma vaga de ‘cidadãos’ israelitas que tem vindo a abandonar aquele estado. É o aeroporto de grandes dimensões (large airport, que transporta entre 10 a 25 milhões de passageiros anualmente) que mais cresce em Janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2024.
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