A Inteligência Artificial (IA) já está presente na maioria das reservas processadas pelo HBX Group, gigante da tecnologia no turismo, com 8 mil milhões de pesquisas por dia, mas o seu papel na venda de viagens está a mudar rapidamente. Aproxima-se a fase da IA Criativa, prevê David Amsellem.
A IA começou por ser utilizada internamente, para tornar os sistemas mais rápidos e eficientes, mas está a entrar cada vez mais na venda de viagens.
“Um ano em IA equivale a 10 anos na realidade. Os agentes de IA, que eram um sonho há um ano, são agora algo corriqueiro. Estamos a usar agentes de IA diariamente”, afirmou David Amsellem, Chief Distribution Officer do HBX Group, em conferência de imprensa em Malta, durante um evento organizado pela empresa na semana passada.
“Até há um ano, ainda falávamos sobre procurar, comparar e reservar. E sobre a pesquisa, prevíamos que a IA talvez provocasse uma disrupção, porque em vez de perguntar ao Instagram, perguntaria ao meu agente de IA. Mas isso já é passado. Hoje, a maioria das reservas provém, de uma forma ou de outra, da IA”, afirmou David Amsellem.
As reservas ainda não são totalmente executadas por IA, “mas provavelmente serão em breve” e o HBX Group está a preparar a sua tecnologia para isso.
Para processar reservas totalmente executadas por IA, a empresa desenvolveu a sua própria camada de MCP (Model Context Protocol), que é um padrão que permite que os LLMs (Large Language Models) se conectem de forma padronizada a dados, ferramentas e sistemas externos.
Desta forma, “quando o cliente liga para fazer uma alteração na reserva, é necessário dar-lhe acesso a todas as secções do fluxo de pesquisa, mesmo que tenham sido concebidas por IA”.
“Temos a camada MCP para sermos acessíveis pela IA, visíveis no espaço da IA, mas também fiáveis para os humanos, de tal forma que, quando nos ligam, nos enviam um e-mail ou interagem até com um agente de IA, tenham acesso e controlo sobre a viagem, algo que ainda não é garantido”, frisou o Chief Distribution Officer.
Próxima fase: IA Criativa
A revolução da Inteligência Artificial (IA) também está a trazer novos participantes para a distribuição de viagens, avisou David Amsellem. “Estou a falar dos LLMs (Large Language Models). Provavelmente serão os próximos agentes de viagens”.
Os LLMs “precisam de acesso específico aos dados” para os agentes de IA comunicarem entre si, que é algo que “ainda está por vir”, mas “já existem alguns casos de utilização”.
Com a comunicação entre agentes de IA estabelecida, “acredito que, daqui a um ano, estaremos a discutir a próxima fase, que é a IA Criativa”, sublinhou David Amsellem.
“Hoje em dia, abrimos o Chat GPT para perguntar onde ir, mas aquilo em que acreditamos é que, daqui a um ano, o Chat GPT nos dirá, com base nas nossas capturas, que está na altura de ir de férias”, lembrando que “os nossos filhos estarão de férias e, já agora, há um desconto para a Grécia naquela altura do ano e deve reservar aquele passeio de catamarã esta semana”.
Erros
Existem, no entanto, erros. Um deles está relacionado com a precisão com que a IA compreende a comunicação humana. Geralmente, a IA “não se consegue autocorrigir” e “faz aquilo a que chamamos aberrações, ou seja, pode construir sobre uma mentira ou sobre um erro”.
Por outras palavras, “se a IA não entender o que lhe pede, mesmo que corrija o prompt, geralmente não corrigirá o raciocínio, a abordagem e o que estava a projectar, porque, por definição, a estabilidade de uma IA depende da estabilidade do prompt depois de o iniciar”, detalhou o executivo.
Em segundo lugar, existem erros resultantes do facto da IA não ser guiada pela precisão, mas sim pela eficiência. “Se for feito um pedido a um motor cujo tempo de resposta é de 200 milissegundos, mas a IA for treinada para seleccionar respostas em 100 milissegundos, vai inventar a resposta. Neste caso específico, a IA preferiria inventar um preço com base no que observou nos últimos três meses em vez de solicitar mais 100 milissegundos para obter o preço correcto. Isto pode gerar erros no futuro. É por isso que precisamos de evoluir os nossos sistemas para garantir que continuamos visíveis e legítimos neste novo mundo da IA”.
“Dizemos que são necessários anos para construir uma reputação e minutos para a destruir. Com a IA, é ainda pior”, alertou David Amsellem. A IA aprende sozinha e por repetição. “Um único milissegundo pode ser prejudicial, uma vez que o motor de IA irá avaliar a sua pontuação. Se, por exemplo, a sua API não responder dentro dos 200 milissegundos definidos nas suas referências, poderá receber uma pontuação negativa e a IA nunca mais entrará em contacto consigo para solicitar preços”, exemplificou David Amsellem.
As previsões do Chief Distribution Officer do HBX Group têm por base uma tentativa de “pensar um pouco mais rápido que o mercado” das viagens e turismo, com a convicção de que haverá “uma nova disrupção”, já que “um ano em Inteligência Artificial equivale a 10 anos na realidade”.
Ver também:
Impacto da guerra no turismo: um obstáculo e uma oportunidade – CEO do HBX Group
Os efeitos da guerra no turismo: abranda, mas vai crescer
O PressTUR esteve em Malta a convite do HBX Group
Para mais notícias clique: Mercados




