A guerra dos Estados Unidos e de Israel provocou aumentos de preços, maior pressão nos orçamentos das famílias e uma fuga dos países do Médio Oriente por parte dos viajantes, mas, apesar de tudo, o turismo vai continuar a crescer. E, na Europa, até mais que o previsto.
As previsões são da Tourism Economics, subsidiária da consultora Oxford Economics, e foram apresentadas esta quarta-feira em Malta, durante um evento organizado pelo HBX Group, empresa de tecnologia B2B para o sector do turismo, dona da Hotelbeds e da Bedsonline.
Em Dezembro de 2025, antes de começar a guerra norte-americana e israelita contra o Irão, a consultora antecipava para 2026 um crescimento de 8% nas chegadas de turistas internacionais em todo o mundo. Agora, de acordo com os dados analisados até ao final de Março, a previsão aponta para um crescimento de 6%.
David Goodger, managing director da Tourism Economics para a Europa, Médio Oriente e África (EMEA), sublinhou que o Médio Oriente é, obviamente, a região mais afectada. Em vez de um crescimento de 13% nas chegadas internacionais, a consultora agora prevê uma quebra de 32% em 2026.
A Europa, por outro lado, melhorou as suas perspectivas. As chegadas de turistas internacionais deverão crescer 8% em 2026, em vez dos 6% previstos pela consultora em Dezembro passado. O mesmo acontece com África, onde o turismo internacional deverá crescer 8%, mais um ponto percentual que a previsão anterior.
Na América do Norte e na América Latina as previsões sobre as chegadas de turistas internacionais mantêm-se inalteradas, com crescimentos de 4% e 5%, respectivamente.
Na Ásia, as perspectivas baixaram um ponto percentual, mas continuam a apontar para um crescimento das chegadas de turistas internacionais a dois dígitos (+12%).
Estas são as previsões da Oxford Economics considerando um impacto temporário da guerra. Se o conflito se prolongar por seis meses, em vez de crescer 6%, as chegadas de turistas internacionais deverão baixar 1% em todo o mundo, mantendo um crescimento na Europa (+3%), na Ásia (+5%) e na América Latina (+1%), uma estagnação na América do Norte e quebras no Médio Oriente (-59%) e em África (-1%).
Aumento de preços
David Goodger sublinhou que uma das principais consequências económicas da guerra é o aumento do preço do petróleo e, sobretudo, do combustível para aviação, que está em níveis recorde. A pressão nos gastos operacionais das companhias aéreas poderá traduzir-se num aumento entre 5% e 10% nas tarifas aéreas.
A subida dos preços do combustível e o aumento da inflação estão a pressionar o orçamento disponível das famílias, mas, ainda assim, menos que em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Desta forma, a Tourism Economics prevê que haverá desaceleração no consumo, mas não um colapso da despesa, porque as famílias ainda têm alguma folga financeira.

Viagens alteram-se, mas continuam
Apesar dos riscos, o turismo tem mostrado resiliência em crises anteriores, revelando-se cada vez mais como uma prioridade, tanto no segmento das viagens de lazer como nas viagens de negócios.
David Goodger sublinhou que a despesa dos viajantes tem estado relativamente estável, com alguma poupança em alojamento e maiores gastos em experiências e actividades. O executivo indicou que muitos viajantes continuam dispostos a gastar em luxo e em experiências de valor, mesmo num contexto de maior pressão nos preços. Globalmente, a ideia central é que o turista poderá cortar em alguns aspectos da viagem, mas não abdica da viagem em si.
Com a insegurança provocada pela guerra e com o aumento do preço dos voos, também provocado pelo conflito, as viagens para destinos mais próximos deverão prevalecer este ano, antecipou ainda o executivo da Tourism Economics. A sua análise destaca a Alemanha e o Reino Unido como grandes mercados emissores regionais e mostra que destinos como Itália e Espanha estão entre os principais beneficiários das alterações, havendo também espaço para mercados como Marrocos, Egipto, Albânia, Montenegro e Croácia.
Além do aumento dos custos, os dados recolhidos pela Tourism Economics também destacam a sobrelotação dos destinos turísticos como uma preocupação relevante para os viajantes, o que favorece os destinos menos saturados, mais baratos ou mais diferenciados, revelando-se uma oportunidade para destinos emergentes na Europa e no Mediterrâneo.
O PressTUR está em Malta a convite do HBX Group
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