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Chegadas de turistas portugueses à Tailândia já estão a recuperar

As chegadas de turistas portugueses à Tailândia abrandaram com o início da guerra no Irão, devido à redução forçada de voos, mas já há sinais de recuperação e as expectativas são altas para os últimos meses do ano, revelou esta quinta-feira, em Lisboa, a directora do Turismo da Tailândia para o Sul da Europa.

O turismo português estava a crescer no país, com mais visitantes em Janeiro e em Fevereiro, mas a guerra iniciada sem justificação legal pelos EUA e Israel contra o Irão no dia 28 de Fevereiro travou os aumentos, porque as ligações aéreas mais usadas para chegar à Ásia, que incluem escalas no Médio Oriente, foram suspensas.

Com a redução da oferta de voos, nos primeiros cinco meses do ano, chegaram à Tailândia 23 mil 433 turistas portugueses, menos 5,58% que no período homólogo do ano passado.

No entanto, nos primeiros dias de Junho, mesmo antes do acordo provisório assinado entre os EUA e o Irão para negociar o fim da guerra, as chegadas de turistas portugueses ao país já estão a alcançar o mesmo nível do período homólogo do ano passado, revelou a directora da Autoridade de Turismo da Tailândia para o Sul da Europa, num encontro com jornalistas portugueses em Lisboa.

“Um sinal positivo”

Prakaipruek Damrongvadha afirmou que o acordo provisório entre os EUA e o Irão, assinado na quarta-feira, representou “um sinal positivo para o sector do turismo”, porque a eventual reabertura do estreito de Ormuz fará baixar o preço do combustível de aviação e os preços dos voos.

A redução dos preços dos voos entre o Sul da Europa e a Ásia “pode demorar algum tempo”, admitiu a executiva. Por isso, “acreditamos que o último trimestre do ano será uma boa oportunidade para impulsionarmos o mercado ao nível do ano anterior”.

“Temos boas perspectivas para o quarto trimestre, para o Inverno”, enfatizou Prakaipruek Damrongvadha.

Perante este cenário, o objectivo do Turismo da Tailândia para 2026 será cumprido se igualar o número de turistas portugueses recebido no ano passado, que foi um ano recorde, com 57.597 turistas, mais 4,93% que no ano anterior.

Verão deixou de ser época mais forte

Para os meses de Verão, a expectativa assenta sobretudo em reservas de última hora, que poderão ser impulsionadas pela realização do Thai Festival, um evento dedicado à cultura, arte e gastronomia da Tailândia que começa hoje em Belém, dia 19, e decorre até Domingo.

O Thai Festival “é uma boa forma de aumentar a visibilidade e inspirar as pessoas a viajar para a Tailândia”, frisou Prakaipruek Damrongvadha, que é directora do Turismo da Tailândia para o Sul da Europa desde Fevereiro, baseada em Roma, Itália.

As elevadas expectativas da directora para o final do ano coincidem com o desempenho do mercado português no ano passado. O Verão europeu, que normalmente era a época em que mais portugueses visitavam a Tailândia, deixou de o ser em 2025. Os meses mais fortes, no ano passado, foram Novembro e Dezembro, revelou, na mesma ocasião, a representante do Turismo da Tailândia em Portugal, Rosário Louro.

O tempo médio de permanência dos turistas portugueses na Tailândia alcançou os 13,38 dias em 2025 e o gasto médio foi de 1.244 euros.

As mulheres representaram mais de metade dos visitantes (55%), revelou Rosário Louro. Mais de metade dos portugueses que estiveram na Tailândia em 2025 tinham entre 25 e 34 anos (52,5%) e a grande maioria fez nesse ano a sua primeira viagem ao país (79,5%).

Os dados apresentados pela representante do Turismo da Tailândia em Portugal e CEO da Jervis Pereira indicam ainda que 90% dos portugueses viajaram sem estar integrados em grupos e 67,4% fizeram as suas reservas online, enquanto 18,6% recorreram a agências de viagens e operadores turísticos.

Mais valor que volume

A Tailândia está empenhada numa estratégia que privilegia o valor em relação ao volume. Ou seja, o foco é aumentar os gastos dos turistas que visitam o país, sem necessariamente aumentar o número de visitantes, que em 2025 foram 32,97 milhões. É, aliás, a mesma estratégia de Portugal e de todos os países com elevados fluxos de visitantes.

Para concretizar este aumento de receitas, que em 2025 totalizaram 38,25 mil milhões de euros, o Turismo da Tailândia está a investir no segmento de luxo, para tentar captar turistas que gastem mais no país.

O luxo em que a Tailândia está a investir é mais experiencial que material, de acordo com Prakaipruek Damrongvadha. Sob o lema “Healing is the New Luxury”, o país está a promover “não apenas hotéis, mas experiências com um significado mais profundo”, momentos que “permitem aos visitantes reconectarem-se com eles próprios durante a viagem”.

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