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Campanhas contínuas “estão a destruir” os produtos dos operadores turísticos – Carlos Baptista, Newtour

Os operadores turísticos “estão a destruir a sua comunicação e, por inerência, a dinâmica da venda” ao promover e participar em campanhas promocionais ao longo de todo o ano, que eliminam a urgência de comprar, defendeu Carlos Baptista, administrador da Newtour.

Em conferência de imprensa sobre as novidades do grupo de agências de viagens independentes GEA Portugal, de que o grupo Newtour tem 60% em conjunto com a PCF Consultores (os restantes 40% pertencem a Pedro Gordon), Carlos Baptista sublinhou que, este ano, as vendas de viagens à medida e os produtos de gama média-alta cresceram, enquanto “o produto de tour operação decresceu”.

A quebra na venda de pacotes de operadores turísticos “não é um efeito só da crise”, da inflação e da subida do preço dos combustíveis, defendeu o administrador da Newtour. “Há uma destruição e uma degradação do produto da tour operação até na forma como ele é gerido comunicacionalmente”.

“O produto da tour operação passa o ano em campanha. Não há uma urgência de comprar por parte do cliente à data de hoje. Os operadores estão a destruir a sua comunicação e, por inerência, a dinâmica de venda”, frisou Carlos Baptista.

“Não há linha, o consumidor já nem respeita, porque a seguir à Black Friday vem outra coisa qualquer com preços iguais ou mais baixos”, enfatizou o executivo.

Para 2027, o administrador da Newtour sublinha que “é impossível” prever se o volume de vendas das agências de viagens GEA Portugal vai aumentar, estagnar ou diminuir. Há vários factores em jogo. “A geopolítica internacional pode piorar, como pode melhorar drasticamente”.

Por outro lado, há um sinal positivo para o próximo ano. “Há vários operadores que vão retirar operações [charter]”, indicou Carlos Baptista. A redução da oferta para 2027 pode ser uma resposta a um “excesso de produto” este ano, que prejudicou a rentabilidade, com sucessivas reduções de preços para encher voos.

No entanto, ainda há operadores turísticos a aumentar a oferta. Estes, de acordo com o executivo, estarão a fazê-lo para aumentar quota de mercado, enquanto os operadores que reduzem a oferta, estarão a fazê-lo em busca de rentabilidade.

Ainda assim, apesar das promoções de última hora, as vendas cresceram este ano. Sem revelar valores absolutos, o director Operacional da GEA Portugal, Ricardo Correia, revelou que, de Janeiro a Setembro, o volume de facturação subiu 14,6% em relação ao período homólogo do ano passado.

O crescimento da rede de agências contribuiu para o aumento do volume de vendas. O Grupo GEA Portugal conta actualmente com 595 agências de viagens, mais 39 (+7%) que em 2025, que têm 714 balcões, um aumento de 41 (+6,1%), revelou Nuno Tomaz, director Comercial da empresa.

Questionado sobre a criação de uma nova marca para a empresa, Pedro Gordon, administrador da GEA Portugal, anunciou que está a ser desenvolvida uma nova identidade para implementar “muito provavelmente” no primeiro semestre de 2027. A criação de uma nova marca não corresponde a um projecto novo, mas a uma necessidade de substituição da identidade, porque “a marca GEA não é nossa propriedade”. O executivo revelou ainda que a nova marca deverá ser lançada em conjunto com a GEA LATAM.

Ver também: GEA Portugal quer novos padrões de serviço e equilíbrio nos preços para travar fuga de clientes para canais directos

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