A ADHP dedicou um painel à Sustentabilidade Social no seu XIX Congresso, a decorrer entre 30 e 31 de Março no NAU Salgados Palace, em Albufeira, com base num estudo elaborado pela Universidade de Aveiro.
O painel contou com uma apresentação de Carlos Costa, professor da Universidade de Aveiro e coordenador do estudo, e uma sessão de debate que envolveu o vice-presidente da ADHP, Raul Ribeiro Ferreira, e os congressistas presentes.
O estudo foi encomendado pela Secretaria de Estado do Turismo, Comércio e Serviços e pelo Turismo de Portugal, e elaborado com uma equipa composta por Mariana Martins e Ana Malta, da Universidade de Aveiro, e está disponível no website do Turismo de Portugal.
Carlos Costa começou por afirmar que “quando estamos a falar de hospitality, estamos a falar de pessoas”, e que o primeiro activo do sector do turismo são os recursos humanos, descritos pelo docente como “o centro das operações”, e lançou a questão “qual a política de recursos humanos que nós queremos?”.
O estudo, que contou com 4.898 participantes, 1.259 deles trabalhadores na área e 3.639, estudantes de turismo, não tem o objectivo de responder a questões, mas sim trazer informação para os orgãos políticos tomarem decisões, salientou o docente.
De forma a mencionar a importância deste sector em Portugal, Carlos Costa afirmou que “quem tirou o país da crise foi o turismo” e foi também este o sector mais afectado pela pandemia e o com melhor desempenho depois da mesma.
Melhorar a qualidade de vida e apoiar outras actividades
Carlos Costa defendeu a necessidade do turismo evoluir de uma actividade sazonal para um impulsionador da qualidade de vida das pessoas e apoiar outras economias, e deve alinhar-se mais efectivamente com o Objectivo de Política 4 da Comissão Europeia para a construção de uma Europa Mais Social.
A envolvência com outros sectores é um dos pontos mencionados pelo docente da Universidade de Aveiro, acrescentando que deve desenvolver-se também para a preservação ambiental e contribuir para estimular os ecossistemas locais que englobam, por exemplo, ofícios tradicionais ou agricultura.
Abordando a questão da remuneração, o estudo demonstra que apesar de os salários estarem ‘colados’ ao salário mínimo, as regalias associadas às funções, como bónus, acabam por elevar o salário médio.
No que diz respeito aos horários de trabalho no sector do turismo, o estudo sublinha que há inquiridos dispostos a trabalhar 10 horas por dia 4 dias por semana, 8 horas por dia 5 dias por semana, ou 10 a 12 horas todos os dias durante a época alta, mas sem actividade na época baixa.
No que diz respeito à formação, o docente indica que a “educação ao longo da vida tem de existir e tem de ficar” e que a igualdade de oportunidades é “fundamental numa sociedade moderna”, um conceito de sociedade que não discrimina género, nacionalidade, etnia, entre outras características. As políticas de inclusão no sector devem ser aplicadas de forma proactiva e deve ser da responsabilidade do Governo, defendeu.
No decorrer da sessão de questões e respostas e em relação à temática da auto-regulação, Raul Ribeiro Ferreira relembrou que a ADHP criou um currículo e certificação para directores de hotéis, descrevendo-o como um “selo de qualidade” que reconhece que os funcionários estão totalmente capacitados para desempenhar a função. No entanto, a aceitação por parte do sector empresarial não foi elevada, afirmou o vice-presidente da ADHP, indicando que pode haver o receio de existir um aumento salarial associado à certificação.
Carlos Costa defendeu ainda que o turismo em Portugal necessita de pessoas com formação em gestão na área ao mesmo nível da formação e desempenho da capacidade técnica e prática neste sector.
O professor universitário terminou a sessão defendendo a necessidade de mudar a estrutura de governança para haver desenvolvimento na área do turismo em Portugal.
Para aceder ao estudo clique aqui.
O PressTUR participa no Congresso a convite da ADHP




