O impacto no turismo provocado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel é “um obstáculo no caminho”, que teve efeitos negativos imediatos, mas será passageiro e poderá até representar “uma oportunidade”, de acordo com o CEO do HBX Group, uma das maiores empresas de tecnologia para o turismo.
“É um obstáculo no caminho. Se a situação se mantiver sob controlo em termos de tempo, as coisas deverão recuperar rapidamente”, sublinhou Nicolas Huss, questionado sobre as consequências económicas da guerra norte-americana e israelita contra o Irão, em conferência de imprensa em Malta, onde decorreu o evento MarketHub, organizado pelo HBX Group.
Os efeitos foram imediatos, com “grande impacto no Médio Oriente e algumas repercussões nos destinos mais próximos”, sublinhou o CEO da empresa, detentora de uma imensidão de dados sobre o comportamento dos viajantes. Por dia, o HBX Group processa 8 mil milhões de pesquisas nas suas plataformas (Hotelbeds, Bedsonline e outras), através das quais apresenta opções de alojamento, excursões e outros serviços turísticos para agências de viagens, operadores turísticos e outras empresas que vendem viagens e produtos turísticos.
O início da guerra obrigou a reembolsos, repatriamentos e alterações de viagens para outros destinos, “um imenso trabalho de bastidores, sem criação de valor”, sublinhou o CEO do HBX Group. O dinheiro devolvido deverá ser reinvestido em viagens, mas, de acordo com as previsões da Oxford Economics, para destinos mais próximos do local de residência dos viajantes.
Os destinos turísticos do Médio Oriente são, obviamente, os mais afectados pela insegurança provocada pela guerra, mas as repercussões também chegam aos destinos da Ásia, porque grande parte das ligações aéreas de e para a Ásia fazem escala no Médio Oriente.
Além da concentração geográfica, Nicolas Huss destacou os efeitos nos gastos por sector, antecipando poupanças no alojamento para compensar a subida dos preços dos voos, devido ao aumento do preço do combustível de aviação e à redução da capacidade disponível. Por outro lado, prevê mais gastos em actividades e experiências.
Outro desafio provocado pela guerra, de acordo com o executivo, é o adiamento do momento da reserva para mais próximo da data da viagem, devido à incerteza sobre a possibilidade da sua realização.
Ainda assim, todas as alterações verificadas podem ser encaradas como “uma oportunidade”, sublinhou o CEO do HBX Group, graças à capacidade da empresa para se adaptar às circunstâncias do mercado, por ter “dados e capacidade de IA [Inteligência Artificial]”. No fundo, “tudo se resume a insights em tempo real sobre o que está a acontecer, para onde as pessoas estão a ir e como podemos tirar partido disso”.
As previsões de Nicolas Huss baseiam-se numa contenção do conflito no tempo. Se a guerra se prolongar, “as coisas provavelmente tornar-se-ão muito mais preocupantes em termos de inflação, reacção dos bancos centrais, poder de compra das famílias”, entre outros temas, o que resultará numa “economia mais frágil, com um nível de risco mais elevado”.
Portugal com taxas de crescimento “incrivelmente positivas”
Sobre Portugal, o CEO do HBX Group destacou o seu optimismo para o futuro. Depois de “muito sucesso” até à pandemia de covid-19, houve uma estabilização do mercado português, quer como destino quer como mercado emissor, mas “agora o desenvolvimento e as taxas de crescimento que temos em Portugal são incrivelmente positivas”.
“Estamos a fechar contratos de longo prazo muito fortes, tanto na distribuição como na contratação de hotéis. Assinámos contratos de longo prazo muito interessantes e estamos optimistas quanto ao futuro”, sublinhou Nicolas Huss.
Ver também: Os efeitos da guerra no turismo: abranda, mas vai crescer
O PressTUR está em Malta a convite do HBX Group
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