A companhia aérea low cost Ryanair, a maior transportadora aérea na Europa em número de passageiros, continua numa espécie de circo itinerante pela Europa, tendo já passado por Portugal e Espanha, a anunciar cortes de voos e lugares por não receber cortes em impostos e taxas por parte dos Governos dos países em questão.
A Ryanair anunciou que vai cortar 24 rotas e 800 mil lugares na Alemanha, durante o Inverno de 2025, justificando a estratégia com a abordagem do Governo da Alemanha aos custos e impostos aplicados às companhias de aviação.
Dara Brady, CMO da companhia, foi citado em comunicado afirmando que “é muito desapontante que o mais recente eleito Governo alemão já tenha falhado no compromisso de reduzir o imposto regressivo de aviação e os custos elevadíssimos que estão a prejudicar o sector da aviação na Alemanha”.
A companhia fez cortes em nove aeroportos alemães, incluindo Berlim, Hamburgo e Memmingen, além de manter operações encerradas em Dortmund, Dresden e Leipzig, e vai operar no Inverno de 2025 com uma capacidade inferior ao Inverno de 2024.
O CMO da companhia, num estilo populista com afirmações assertivas que constatam problemas generalizados e identificam soluções simples, afirma que “a indústria de viagens aéreas na Alemanha está quebrada e precisa de uma solução urgentemente. Devido aos seus custos excessivos, a Alemanha apenas recuperou 88% do seu tráfego pré-covid, o que é, de longe, a pior recuperação de todos os principais mercados europeus”, e dá a solução, “até que o Governo resolva as excessivas (e crescentes) taxas de aviação, as taxas de controlo de tráfego aéreo, as taxas de segurança e os custos aeroportuários, o tráfego aéreo alemão vai continuar a diminuir, enquanto outros países europeus mais competitivos (sem impostos sobre a aviação) beneficiam do crescimento acelerado do tráfego da Ryanair – às custas da Alemanha”.
Dara Brady vai mais longe e indica que “a Ryanair, mais uma vez, pede ao ministro dos Transportes, Patrick Schnieder, que tome medidas urgentemente para consertar o quebrado sistema de transporte aéreo alemão e reduzir os custos elevados de acesso que, combinados com monopólio de tarifas elevadas da Lufthansa, forçaram os cidadãos alemães e visitantes a pagar as taxas mais elevadas da Europa”.
Finalmente, o CMO promete que “a Ryanair está pronta e disposta a trazer crescimento transformativo à Alemanha e, no caso de o Governo tomar finalmente acções para reduzir os custos de acesso, pode trazer mais 30 aeronaves (+3.000 milhões de dólares de investimento), duplicar o tráfego para 34 milhões de passageiros por ano, e apoiar a criação de mais de 1.000 empregos adicionais na Alemanha”.
Ora, o comunicado da Ryanair ainda acrescenta um ponto digno de destaque, ao comparar os custos de aviação na Alemanha com os da Irlanda, da Polónia e, surpreendentemente, de Espanha. A companhia aponta a Espanha como bom exemplo por não cobrar taxas de aviação, mas a verdade é que anunciou o corte de 1 milhão de lugares em Espanha devido ao aumento de 6,62% em taxas da AENA e a planos de incentivo ineficientes que, de acordo com a companhia, tornam os aeroportos regionais espanhóis inviáveis.
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