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Iberia propõe negociar a saída de 1.700 trabalhadores de handling e criar nova empresa

A Iberia propôs aos sindicatos que representam os seus trabalhadores de assistência em terra (handling) negociar a saída de 1.727 trabalhadores e criar uma nova empresa com os restantes, que seria detida a 100% pelo IAG.

A Iberia sublinha em comunicado que todos os trabalhadores dos centros de trabalho da Direcção de Serviços Aeroportuários seriam transferidos para a nova empresa através dos termos previstos no artigo 44º do Estatuto dos Trabalhadores.

Todos os trabalhadores da nova empresa de handling, de que a Iberia teria uma participação maioritária, manteriam o Acordo de Empresa que têm com a Iberia, assim como os mesmos direitos e condições, “sem quaisquer alterações”, especifica a transportadora em comunicado.

Contudo, “o plano de viabilidade desenvolvido para esta empresa contempla medidas de desvinculação para 1.727 pessoas até 31 de Dezembro de 2026”, acrescenta a companhia aérea.

As saídas de trabalhadores seriam feitas através de duas modalidades: rescisões amigáveis, a que poderiam aderir os trabalhadores com menos de 56 anos de idade no momento da rescisão do contrato; e reforma antecipada, a que poderiam aderir os trabalhadores com 56 anos ou mais à data da cessação do contrato de trabalho. A partir do momento da cessação do contrato de trabalho e até aos 65 anos, “a empresa pagaria em 12 prestações anuais um complemento variável consoante a idade em que tal medida fosse tomada sobre o salário regulamentar, ou seja, sobre o total das suas receitas anuais brutas”.

A proposta da Iberia foi divulgada hoje em comunicado, após negociações com os sindicatos dos trabalhadores de handling, que estiveram em greve de 5 a 8 de Janeiro. Clique para ler: Maioria dos clientes da Iberia afectados pela greve foi recolocada noutros voos.

Os trabalhadores estiveram em greve para contestar a decisão da Iberia de rejeitar fazer ‘autohandling’ nos oito aeroportos onde perdeu a concessão no último concurso da AENA, gestora dos aeroportos espanhóis. Os oito aeroportos são Barcelona-El Prat, Palma de Maiorca, Málaga, Alicante, Gran Canária, Tenerife Sul, Ibiza e Bilbau.

A Iberia defendeu na altura a sua posição dizendo que não seria economicamente viável fazer o ‘autohandling’, ou seja, prestar os serviços de handling às empresas do IAG.

Hoje em comunicado, a empresa alerta para “as características do negócio”, onde “as margens são estreitas”, razão pela qual “é necessário um grande volume, o que só pode ser alcançado de forma sustentável através da prestação de serviços a empresas terceiras”.

“Para conseguir ter negócio de terceiros, o efeito de rede é essencial. Sem ele, as possibilidades de fidelizar clientes são bastante reduzidas. Ou seja, o problema não se centra única e exclusivamente nos oito aeroportos onde a Iberia não tem licença para operar, mas em todos os aeroportos da rede. O negócio precisa de volume para sua sobrevivência”, sublinha a companhia aérea.

A Iberia garante que tem continuado “a analisar alternativas com toda a determinação e assumindo a sua responsabilidade, com o objectivo de conseguir manter a actividade em todos os aeroportos e, além disso, encontrar soluções que permitam o desenvolvimento da actividade tanto a nível nacional como internacional, que garantem a viabilidade e o desenvolvimento do negócio desta nova empresa e o futuro a longo prazo de todos os trabalhadores”.

É neste contexto a Iberia propõe a criação de uma nova empresa de handling com “uma nova marca e possibilidades reais e viáveis ​​de desenvolvimento e expansão”. O projecto contaria com “um Centro de Formação Profissional de Excelência para profissionais de handling, localizado na sede de La Muñoza, próximo ao aeroporto Adolfo Suárez-Madrid Barajas”.

A nova empresa, acrescenta a Iberia, “teria objectivos ambiciosos de crescimento nacional e vocação para o desenvolvimento internacional, com os olhos postos especialmente na Europa e na América Latina”.

A Iberia conclui a nota de imprensa sublinhando que “compreende a incerteza que os trabalhadores vivem”, mas “reitera que, para oferecer um futuro aos funcionários aeroportuários licenciados e não licenciados, é necessário que todos permaneçam unidos numa única empresa”. A companhia defende que “é a oportunidade de construir um futuro sólido e se tornar um dos líderes em handling internacional”.

Para aceder ao site da Iberia clique aqui.

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