A Meliá informou esta terça-feira que a sua filial portuguesa Ilha Bela Gestão e Turismo vai encerrar todos os seus serviços de gestão e comercialização hoteleira em Cuba na sexta-feira, dia 24 de Julho.
A decisão da Meliá, informada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), conclui o processo iniciado no dia 3 de Junho, altura em que retirou a gestão e o uso da marca em 15 estabelecimentos, de acordo com o jornal espanhol “El País”.
A retirada da Meliá de Cuba engloba a eliminação total da utilização das suas marcas, das suas actividades de turismo de recepção e da cadeia de abastecimento local ligada às suas operações.
O grupo hoteleiro espanhol liderado por Gabriel Escarrer justifica a decisão citando as “significativas dificuldades operacionais, legais, económicas e financeiras” que afectam persistentemente o ambiente em Cuba.
Estas condições, de acordo com a empresa, “impedem até uma estabilidade operacional mínima”.
O “El País” recorda que a Meliá, que chegou a gerir 34 hotéis em Cuba, com quase 14 mil quartos, era até há pouco tempo o principal operador turístico estrangeiro na ilha.
Cuba tem enfrentado graves dificuldades de abastecimento desde que se agravou o estrangulamento económico imposto pelos Estados Unidos. No final de Janeiro, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos países que fornecem petróleo a Cuba, que perdeu o seu principal fornecedor, a Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, por militares dos Estados Unidos no dia 3 de Janeiro.
A captura do presidente venezuelano pelos EUA foi classificada como uma “intervenção militar unilateral em desacordo com o direito internacional” pela porta-voz do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, ao comentar a intervenção a 6 de Janeiro.
Ver também: Cuba propõe gestão de hotéis a cubanos após saída de grandes cadeias hoteleiras



