Alexandre Marto Pereira, CEO da United Hotels of Portugal, que representa oito hotéis em Fátima, um em Lisboa e um em Óbidos, prevê um crescimento “forte” no próximo ano, sustentado na expectativa de recuperação dos mercados asiáticos e brasileiro.
Os países asiáticos foram os últimos a relaxar as restrições às viagens internacionais impostas durante a pandemia de covid-19, um cenário que ainda que teve impacto este ano na operação das unidades da United Hotels of Portugal (UHP).
“O impacto da pandemia nos países asiáticos, mesmo psicologicamente, foi muito mais forte do que na Europa e nos Estados Unidos. Isto teve implicações nas decisões de viagens internacionais, principalmente nas viagens de longo curso”, sublinhou Alexandre Marto Pereira.
Com o alívio das restrições e o tempo decorrido desde a pandemia, “esperamos um boom asiático em 2024”, frisou o executivo, num almoço com jornalistas esta terça-feira, em Lisboa.
Além dos mercados asiáticos, o CEO da UHP também está a contar com a recuperação do mercado brasileiro no próximo ano, devido ao aumento do número de voos. Clique para ler: Reforço da TAP no Brasil no próximo Verão é um novo recorde – Carlos Antunes.
Alexandre Marto Pereira perspectiva para o próximo ano “um crescimento contínuo, não tão grande como este ano, mas forte”, apesar de antecipar uma estagnação do mercado português, que representa 34% das dormidas no alojamento turístico de Ourém de Janeiro a Outubro, segundo o INE.
“A minha expetativa é que, fruto do aperto no consumo provocado pela inflação e subida de taxas de juro, a procura do mercado nacional por lazer estagne. No entanto, espero uma recuperação do mercado brasileiro, por força do aumento do número de voos, e depois dos mercados asiáticos que estavam fechados”, sublinhou o CEO da UHP.
Receitas dos hotéis UHP deverão subir 40%
Os dez hotéis da United Hotels of Portugal deverão fechar o ano com cerca de 280 mil dormidas, mais 40% que no ano passado. Os resultados deste ano, contudo, contam com mais uma unidade hoteleira que em 2022, o Hotel Josefa d’Óbidos.
Analisando apenas os oito hotéis do Fátima Hotels Group, Alexandre Marto Pereira perspectiva fechar o ano com cerca de 188 mil dormidas, mais 33% que no ano passado.
Sobre as receitas totais, sem detalhar valores absolutos, o executivo avançou que perspectiva superar em 40% os resultados do ano passado.
Os dados divulgados na semana passada pelo INE mostram que os hotéis portugueses atingiram no final de Outubro 3.666,7 milhões de euros de receitas, o que já é um novo recorde anual, 251 milhões acima dos 12 meses do ano de 2022, que era o melhor ano de sempre. Clique para ler: Hotéis portugueses já comemoram melhor ano de sempre em receitas.
Dormidas em Ourém superam 2022 em apenas nove meses
Alexandre Marto Pereira destacou que o alojamento turístico de Fátima superou a marca de 1 milhão de dormidas nos primeiros dez meses deste ano, mais 33% que no período homólogo do ano passado. Isto significa que “Fátima cresceu três vezes mais” que o alojamento turístico português, que somou mais 11% de dormidas nesse período, enfatizou o executivo.
Dados do INE consultados pelo PressTUR indicam que o alojamento turístico de Ourém somou 1,012 milhões de dormidas de Janeiro a Outubro, superando o total dos 12 meses do ano passado em 18%, ou 151,4 mil dormidas. Contudo, Ourém já tinha superado em apenas nove meses, de Janeiro a Setembro, o total de 2022, com 869,7 mil dormidas, mais 8.349 ou +1% que nos 12 meses do ano passado.
Na comparação com os primeiros dez meses de 2022, o aumento das dormidas em Ourém foi de 33%, como indicado pelo CEO da UHP, que em valor absoluto corresponde a um crescimento de 253 mil dormidas.
Turismo internacional representa dois terços das dormidas em Ourém
As dormidas de não residentes representaram 66% das pernoitas em Ourém até Outubro, com um total de 667,8 mil, mais 50,7% que no período homólogo do ano passado.
O alojamento turístico de Ourém também beneficiou de um aumento das dormidas dos residentes em Portugal até Outubro, embora mais modesto, em 9%, para 344,9 mil pernoitas, o que corresponde a 34% do total.
Os dados do INE mostram ainda que o mês mais forte para o alojamento turístico de Ourém foi Agosto, quando se realizou a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, nos dias 1 a 6, com um total de 154 mil dormidas, mais 25,4 mil ou mais 19,7% que um ano antes.
“Fátima no radar do turismo religioso mundial”
A visibilidade que Portugal ganhou com a Jornada Mundial da Juventude “fará com que Fátima fique no radar do turismo religioso mundial nos próximos anos”, frisou o CEO da UHP.
Alexandre Marto Pereira defende que se deve “olhar para Fátima como uma âncora para o turismo português”, uma vez que há turistas internacionais que só viajam por motivos religiosos e só visitam Portugal porque querem conhecer Fátima. Em 2019, 10% das dormidas no alojamento turístico de Fátima foram de residentes na Coreia do Sul, destacou o executivo.
Sobre o impacto da guerra Israel-Hamas, o CEO da UHP frisou que Fátima está a sentir um efeito positivo nas reservas. Com o destino Israel encerrado, os organizadores de viagens de turismo religioso olham para outros destinos, como Fátima, justificou Alexandre Marto Pereira.
Para aceder ao site da United Hotels of Portugal clique aqui.




