Com todos os elementos “que determinam o sucesso de um destino turístico”, incluindo “praias e paisagens, gente simpática, música, património e cultura”, Cuba tem tudo para recuperar as chegadas de turistas internacionais. “É uma questão de tempo”, prevê o administrador da Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida.
Uma das questões que afectou o turismo em Cuba foi o “tempo de paragem” após a pandemia, mais prolongado que noutros destinos, o que levou as empresas turísticas dos grandes mercados emissores a reorganizar as suas operações para outros países, afirmou Gonçalo Rebelo de Almeida, em conferência de imprensa esta terça-feira em Lisboa.
“Todos os anos aparecem destinos turísticos em todo mundo” a disputar turistas. “A Costa Rica, outras ilhas nas Caraíbas, todo o Sudeste Asiático estão a disputar” fluxos turísticos, exemplificou.
Gonçalo Rebelo de Almeida reconhece que “Cuba precisa de alguma revitalização”, mas continua a ter os elementos “fundamentais de um produto turístico”, incluindo “praias e paisagens, gente simpática, música, património e cultura”, que “determinam o sucesso dos destinos”.
“É uma questão de tempo” até Cuba recuperar as chegadas de turistas internacionais, prevê o administrador do grupo hoteleiro português.

Em 2025, Cuba recebeu apenas 1,8 milhões de turistas residentes no estrangeiro, menos 18% que um ano antes, de acordo com os dados oficiais.
Portugal foi o 11º maior mercado internacional para Cuba no ano passado, com 29.942 visitantes, menos 3.803 ou menos 11,3% que em 2024. O Canadá continua a ser o maior mercado emissor, com 754 mil turistas em 2025, menos 12,4% que um ano antes.
A Vila Galé tem quatro hotéis no país, incluindo três resorts de praia e um hotel em Havana, com um total de 1.800 quartos. Além destes, a empresa está a construir mais uma unidade hoteleira com cerca de 500 quartos na capital.
A operação do resort em Cayo Paredón, inaugurado em Novembro de 2023, “está mais ou menos estável”, tendo registado “uma ligeira queda de ocupação” em 2025, que “não foi substancial”, de acordo o administrador.
Os restantes três hotéis ainda estão em fase de arranque, uma vez que só passaram a ser geridos pela Vila Galé a meio do ano. O Park View em Havana e o Tropical Varadero “precisavam de intervenções, que estão praticamente concluídas”, indicou o executivo.
Sobre o resort em Cayo Santa Maria, o administrador indicou que “está a trabalhar ao nível dos hotéis dos Cayos, que têm tido boa procura do mercado canadiano, que continua a ser o principal mercado”.

“Cuba vai encontrar soluções alternativas”
O presidente e fundador da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, na mesma conferência de imprensa, admitiu que “a operação é difícil” em Cuba, mas garante que “é possível prestar um bom serviço” aos turistas.
“O maior constrangimento que existe em Cuba é a falta de electricidade e combustível, mas tem sido superado e não temos nenhum hotel parado por isso”, sublinhou o presidente do grupo hoteleiro.
Sobre as potenciais restrições à entrada de combustível procedente da Venezuela, o fundador da Vila Galé afirmou que “até ao momento não se notou”, embora acredite que “poderá acontecer”. Contudo, “existem outras fontes de abastecimento” e “Cuba vai encontrar soluções alternativas”.
Para enaltecer “a capacidade do povo cubano”, Jorge Rebelo de Almeida deu como exemplo os carros dos anos 1950 que ainda circulam no país, graças ao engenho dos cubanos no fabrico de peças, já que estão proibidos de importar devido ao embargo imposto pelos Estados Unidos desde os anos 1960.
Jorge Rebelo de Almeida também prevê que Cuba deverá recuperar as chegadas de turistas internacionais, já que “o essencial para atrair turismo está lá”.
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