“As pessoas não deixam de voar” devido à inflação, apenas ficam mais sensíveis ao preço, afirmou Michael O’Leary, CEO do grupo Ryanair, para defender que a low cost deverá beneficiar assim da conjuntura económica por conseguir oferecer tarifas mais baixas que a concorrência.
“A inflação dos preços e as recessões historicamente têm sido muito boas para o crescimento da Ryanair”, começou por contextualizar Michael O’Leary hoje, em conferência de imprensa, em Lisboa.
A quota de mercado da low cost “cresceu mais rapidamente durante recessões e isso acontece porque as pessoas não deixam de voar. As pessoas deixam de voar nas companhias aéreas mais caras. Ficam muito mais sensíveis a preço”, enfatizou o executivo.
O cenário visto por Michael O’Leary é que existem duas tendências: “uma é que as pessoas estão a tornar-se mais sensíveis ao preço devido a preocupações relacionadas com a inflação; a segunda é que a TAP, a easyJet e outras companhias aéreas estão a oferecer menos capacidade”.
Nesse sentido, “a recessão e a inflação dos preços são muito boas para o nosso crescimento”, porque “estamos a entrar nesta crise com novos aviões”, disse O’Leary. A Ryanair recebeu “73 novos aviões da Boeing este ano” e prevê receber este Inverno mais 51 novos aviões do fabricante norte-americano.
Todos estes aviões “têm mais 4% de lugares, gastam menos 16% de combustível e reduzem emissões de ruído em 14%”, o que significa que poderemos “continuar com tarifas baixas”, sublinhou o executivo, que no entanto andou a prognosticar o fim dos preços ultra-baixos.
Além disso, Michael O’Leary indicou ainda que a Ryanair tem contratos de hedging de combustível até ao final de Março que garantem preços de 64 dólares por barril.
“Podemos passar as poupanças que vamos conseguir com os aviões mais eficientes e com o hedging do combustível para os nossos passageiros em tarifas mais baixas para este Inverno”, concluiu.
As reservas têm revelado “uma procura muito forte” este Inverno anunciou ainda o CEO do grupo Ryanair, que até ‘confessou’: “Ficamos surpreendidos todas as semanas, nas últimas oito/dez semanas, com o quão fortes estão as reservas”.
As reservas estão “muito fortes” para as férias escolares de Outubro no Reino Unido (Half-term holiday, de 24 a 29 de Outubro) e estão “muito fortes e a preços altos para o Natal”, detalhou o executivo.
Ver também: “A easyJet pode ser a nº2 em Lisboa, mas nós somos a nº1 em Portugal”, diz CEO do grupo Ryanair




