O Grupo OnTourism, de que faz parte a Alive Travel, vai fechar este ano com mais de 110 milhões de euros de facturação e ambiciona chegar aos 250 milhões em quatro anos. A viagem começou em 2012, com apenas três pessoas numa sala emprestada, contou Marco Sequeira, Chief Operating Officer (COO) ao PressTUR.
Actualmente com mais de 200 trabalhadores, a empresa apresentou-se ao mercado na sua primeira convenção sob o chapéu OnTourism, a nova estrutura que junta várias empresas, com actividade em Portugal, Angola, Moçambique e Espanha.
Em declarações ao PressTUR no evento, que decorreu no hotel Myriad by Sana, em Lisboa, Marco Sequeira afirmou que “a Alive existia como a empresa mais reconhecida, com a marca mais saliente no mercado”, mas a OnTourism existiu desde sempre”. A OnTourism “é um veículo financeiro que é proprietário da Alive. Os accionistas da Alive, na realidade não são da Alive, são da On Tourism e sempre foram, desde o início, sempre foi feito desta forma”.
Ao longo de 13 anos “a Alive foi crescendo, passou a ter escritórios também em Angola, em Moçambique, em Espanha, criámos novas empresas e novas divisões como a Secret Angola, temos planos para criar também um DMC semelhante dentro da marca Secret em Moçambique a breve trecho, temos também uma empresa em Angola que faz transporte de passageiros nomeadamente para companhias aéreas e é GSA da Royal Air Maroc em Angola. E então nós, neste momento já temos cerca de 15 empresas dentro do grupo, algumas com áreas muito fringe, que trabalham mais com rent-a-car e, mais até, se calhar, com as próprias empresas do grupo, shared service center, etc…”.
Um dos momentos do percurso da empresa destacado por Marco Sequeira foi a aquisição, há cerca de dois anos e meio, da Smile, “uma agência especializada em Estado”, que “era uma área que faltava do nosso lado”.
A criação do grupo OnTourism resulta do objectivo de unir “todas as actividades e todas essas empresas dentro de um umbrella corporativo, tal e qual como acontece com grupos semelhantes”.
“Na realidade não existe uma reestruturação, existe apenas a agregação dessas marcas, que estavam de forma isolada no mercado e que faziam o seu trabalho de forma independente, com o seu posicionamento de marca independente, e passamos a ter um umbrella corporativo para juntar todas”, ao que acresce a nova área de marketing transversal ao grupo.
2025: o melhor ano de sempre
“Aparecemos do nada. No início de Fevereiro de 2012, éramos três pessoas numa sala emprestada num escritório, por outro parceiro do trade, que gentilmente nos emprestou a sala, não tínhamos contabilidade, não tínhamos chapas carregadas, não tínhamos contratos com companhias, com hotéis, com nada, e criámos tudo do zero”, afirmou Marco Sequeira.
“Felizmente, sempre tivemos crescimentos mínimos de dois dígitos por ano”, sendo o ano da pandemia a excepção, “mas em 2021 já tivemos vendas superiores a 2020, e depois daí adiante, 2022 o melhor ano de sempre, 2023 o melhor ano de sempre, 2024 o melhor ano de sempre, e 2025 vai ser o melhor ano de sempre”.
Este ano, a empresa já superou a facturação recorde de 110 milhões de euros registada em 2024. “Estamos com uma taxa de crescimento média a rondar os 12%”, revelou o executivo. Clique para ler: OnTourism já garantiu em 2025 o seu melhor ano de sempre.
“Vamos ver como é que chega o final do ano, nem tanto pelas vendas, mas mais pela questão cambial, porque quando consolidamos as nossas empresas africanas em Portugal, por vezes o câmbio é desfavorável no final do ano”, indicou o COO da OnTourism.
“Em termos de vendas, se for falar em moeda local, nós estamos a crescer em todos os mercados, sendo que Moçambique foi o mais complicado este ano, por causa da instabilidade política no princípio do ano”, detalhou Marco Sequeira.
“Trabalhar com mercados emergentes tem partes muito positivas, tem outras que não são assim tão positivas”, relembrou Sequeira, indicando que uma das opções da empresa durante o confinamento do covid foi abrir um escritório em Angola, em vez de deixar o dinheiro potencialmente desvalorizar. Actualmente, além da Secret Angola, a On Tourism também opera com a GSNA e FCM nesse país.
Em relação a clientes, Marco Sequeira destacou que a On Tourism tem contratos com diversas companhias. “Trabalhamos com a Lufthansa, com a Turkish, Emirates, etc, para transportar quer tripulações, quer alguns casos em executiva. Temos também contratos assinados com unidades hoteleiras, nomeadamente com a InterContinental, em que tudo o que é clientes VIPs do hotel e transferes que eles necessitam são feitos por nós. Temos quer viaturas próprias, portanto cargos de nível superior, quer minibuses que fazem esse serviço. Depois, trabalhamos muito também directamente com as empresas”.
“Neste momento nós representamos [a FCM] em Portugal, em Angola e em Moçambique”, destacou Sequeira, acrescentando que aquela que considera ser a terceira maior TMC global, logo a seguir à American Express e à BCD Travel, lançou “uma divisão separada, na qual nós também representamos nestes três mercados”: a FCM Meetings and Events. Esta tendência de abrir uma empresa de eventos, de acordo com Marco Sequeira, é uma forma de não deixar escapar estes negócios que muitas vezes não são abrangidos pelos contratos corporate.
O COO do Grupo OnTourism sublinhou que cerca de 90% do negócio da empresa é corporativo, com o MICE a representar cerca de 24% das vendas dentro da área corporate. “Temos também uma divisão Pharma especializda só em laboratórios, temos uma área de eventos para trabalhar em Portugal, não enquanto DMC, mas com eventos em Portugal. Ou seja, dentro do MICE temos a área de incentivos que faz outgoing e temos a área de eventos que faz eventos em Portugal. [Por exemplo,] a EDP quer fazer um lançamento de um produto, uma activação de marca, utilizamos essa empresa de eventos para isso”.
“Independentemente de não ser um DMC puro e duro, e eu digo que não é um DMC puro e duro, porquê? Porque nós não temos, não fazemos ShorEx, não temos produto próprio para divulgar e vender lá fora, tudo o que fazemos é tailor-made. Se alguém tem um grupo, tem um evento, tem um congresso, nós fazemos um programa à medida. Vai desde a parte design, site, gateway de pagamentos, parte gráfica, etc, e podemos entregar um produto-chave na mão”.
A OnTourism já chegou a ter um DMC em Portugal, que terminou na altura do covid, e, garante Sequeira, “é algo que não está esquecido, poderá vir com base naquilo que nós temos já como eventos, haver um shift no futuro próximo, mas neste momento não”. A partir do primeiro trimestre de 2026, a empresa planeia “começar a criar produto de eventos”, como “assistir a Wimbledon, mas em vez de ser um Wimbledon normal, é um Wimbledon com hospitality, que tem acesso a um camarote, fazer uma Formula 1, mas com ida ao paddock e passar pela área das boxes, fazer um Tomorrowland, fazer um Burning Man, mas com acesso ao Golden Circle, ou seja, tudo aquilo que tiver um factor wow, como costumamos dizer, diferenciador”.
Marco Sequeira garantiu que o negócio da empresa “nunca vai ser um mercado de massas, porque Portugal não é como outros mercados e não vamos vender 600 packages, mas a ideia é criar, há mercado para este produto”, acrescentando que “a ideia é criá-lo, começar a lançá-lo, e criar na mente das pessoas que existe uma empresa que faz este tipo de eventos. A ideia é criá-lo, começar a lançá-lo, e criar na mente das pessoas que existe uma empresa que faz este tipo de eventos”.
Em relação a mercados, “Portugal é o mercado número um, com cerca de 55% das vendas. Angola é o segundo mercado mais forte e terá, talvez, 35% das vendas. Moçambique é um mercado muito mais pequeno, não há comparação”.
“A Alive está há sete anos em Moçambique e no ano passado vendeu 15 milhões de euros, não é um valor astronómico, mas é a terceira agência do mercado”. Em Angola, “normalmente somos o número um ou número dois”, indicou Marco Sequeira, com base em dados de BSP, que indicam os montantes das vendas de voos regulares efectuadas pelas agências de viagens. “Em Portugal vendemos 40 milhões de euros e estamos muito longe de ser o número três”, acrescentou.
“Em África, a aviação representa, se calhar, 85% das vendas que são feitas, portanto é um bom barómetro, entendendo o posicionamento que temos em termos de aviação, permite-nos perceber como é que estamos em termos de mercado”, indicou o executivo. Em Portugal, “a aviação, são 50% dos nossos serviços, portanto está muito mais dividido, depois temos pacotes, temos seguros, temos transferes, temos comboios, temos hotelaria, temos muita hotelaria…”.
Em relação ao percurso do grupo na Península Ibérica, Marco Sequeira traçou um crescimento “de forma orgânica” com “uma estrutura comercial forte, com uma direcção comercial e três comerciais”, dedicados às zonas Norte, Centro e Sul. “Temos crescido muito através dessa área comercial, portanto é o nosso enfoque, e continua a ser desde o primeiro dia, portanto visitas, visitas, visitas, apresentação de propostas, etc”.
A tecnologia também entra na equação. “No ano passado investimos muito na plataforma Atriis” e “somos a larga distância a empresa que tem o maior número de contas corporate implementadas em Atriis, o maior número de transações”.
Sobre o volume de reservas em NDC (New Distribution Capability), que está a alterar a forma com as agências de viagens vendem voos, Marco Sequeira destacou que, no caso do Grupo Lufthansa, 40% das reservas já são feitas com a nova tecnologia. “Estamos a falar de mais de seis mil bookings, não há muitas empresas que estejam neste nível de adopção como nós estamos, e este nível de desenvolvimento tecnológico”.
Este desenvolvimento tecnológico foi sendo feito “à medida das nossas necessidades e com o crescimento da empresa, fomos criando nós próprios, desenvolvendo automatismos com empresas nacionais”, sendo que até alguns desde produtos criados em conjunto foram abertos ao mercado.
Este tipo de software está “muito ligado à parte operativa, portanto à parte de reservas, agregadores, novas tecnologias, como foi o caso do NDC, e depois análises em todas as áreas desse processo”.
Na área da venda de aviação, para assegurar conteúdo NDC e low cost, o grupo trabalha com a Atriis, os três GDS (Travelport, Amadeus e Sabre), e os agregadores Travelfusion e AirGateway. Para hoteleira, a OnTourism trabalha com a Atriis, Bedsonline, Restel, Expedia e outras.
Eventos exclusivos
Uma das áreas onde a empresa está a apostar é nos eventos exclusivos através da Alive Events, uma divisão dentro da Alive, tal e qual como a parte de Pharma. Clique para ler: OnTourism vai apostar em eventos exclusivos.
Este projecto surge “por um lado, para aproveitar aquilo que já tinha sido disseminado por parte do projecto DMC”, que foi desenvolvido pela Alive Travel e que terminou durante a pandemia, “depois porque achamos que é uma área que tem muita procura em Portugal, e que é difícil vender enquanto agência de viagens, porque existe um preconceito relativamente àquilo que é a agência”.
A título de exemplo sobre o preconceito, Marco Sequeira explicou que “alguns dos nossos maiores clientes em termos de eventos são empresas de eventos, de comunicação, de publicidade. Porquê? Porque eles são os criativos e a maneira como apresentam e vendem o seu produto é fora da caixa, é criativo, é dessa forma. Mas depois somos nós que fazemos toda a logística, e se nós apresentássemos uma coisa exactamente igual à deles, mas vindo de uma agência de viagens, iam achar melhor ver isso com uma empresa de eventos”.
Então, a ideia da Alive Events é contornar este preconceito e tirar partido de outras oportunidades de negócio com a carteira de clientes da OnTourism, que inclui “Grupo Altice, Grupo Millennium, BCP, Deloitte, Grupo Casais, Mars, Media Capital, ou seja, temos uma série de empresas gigantes dentro daquilo que é o nosso portfólio, que têm áreas de marketing específicas, orçamentos, dotações orçamentais muito elevadas nestas áreas, quer seja para lançamentos de produtos, activações…”.
Seria um desperdício, na óptica de Sequeira, “se já lá temos um pé dentro, porque trabalhamos com toda a parte corporativa e com o reconhecimento que nos deram”, não utilizar esse “pé que já temos na porta para ir às outras áreas além disto”, sugerindo aos clientes “ter uma reunião, receber uma proposta, falarmos um bocadinho”.
Falando sobre a operação desta divisão de eventos da Alive Travel, o executivo sublinhou que a Alive Events difere da operação de incentivos, que é quando uma empresa pretende oferecer a um grupo de trabalhadores uma determinada viagem, quer “uma coisa tranquila, bem organizada, com poucos serviços, com um bom hotel, uma boa refeição, e que não saiamos muito daqui porque o budget também não é gigante e tem de ser dividido por vários”.
“Nos eventos o que é pretendido? É pretendido um factor wow, algo completamente diferente, uma coisa fora da caixa, são poucas pessoas, nunca vamos fazer, à partida, como fazemos nos incentivos de grupos de 200 e 300 pessoas, eu imagino grupos pequenos, aqueles que chamamos parties, não são individuais porque não são uma ou duas, mas são seis, sete ou oito pessoas, seja de um banco, seja de onde for, e têm ali tratamento personalizado”.
“Até pode ser um jogo de NBA standard, mas em vez de estar na bancada normal, está em court side seats, e isso é que faz a experiência, isto é um mercado que existe, que nós nos apercebemos, até por exemplo que na parte bancária acontece muito no private banking”.
“Existe um mercado para isto e nós pretendemos fazê-lo pouco a pouco, e depois começar a criar este reconhecimento, e isso é o mais importante”, afirmando que “o mercado funciona muito pelo reconhecimento, a partir do momento que nós fazemos aquele trabalho, e entramos em contacto com as agências, e informamos que temos esta área, começa a rolar a ideia um bocadinho”.
Produtos como o Burning Man, Tomorrowland, Rock in Rio lá fora, The Town são algumas das ideias para produtos premium desta divisão de organização de eventos da Alive Travel.
250 milhões em quatro anos
Marco Sequeira destacou que a empresa quer continuar a crescer nos mercados e negócios onde opera e expandir a sua actividade para novos destinos e segmentos, com o objectivo de alcançar os 250 milhões de facturação em quatro anos. Clique para ler: OnTourism prevê chegar aos 250 milhões de euros de facturação em quatro anos.
“Nós queremos ser grandes, e temos noção que não podemos ser grandes a contar com Portugal, que é um mercado pequeno demais”, daí a aposta na internacionalização, com a abertura da loja no Dubai, em Janeiro próximo, e em São Paulo, no primeiro trimestre, sublinhou Marco Sequeira, Chief Operating Officer (COO) do Grupo OnTourism, em declarações ao PressTUR na convenção da empresa, em Lisboa.
“Não vamos para lá por termos dois clientes portugueses com uma obra, não, nós vamos para lá para vender a brasileiros, para vender a empresas do Dubai, não é porque há empresas portuguesas que estão lá. Se houver, vamos tentar tirar sinergias disso, mas não é esse objectivo”, explicou o COO.
“O objectivo é crescer de forma elevada no mercado, e mesmo que seja uma coisa que para o mercado é pequena, como Portugal é tão pequeno, aí há um exemplo prático: imagine se vendemos 20 milhões de euros no Brasil, é um grão de areia para qualquer TMC brasileira, mas é gigante para aquilo que é Portugal”, contextualizou Marco Sequeira.
Esta internacionalização também permite, “enquanto grupo, como se costuma dizer, não ter os ovos todos no mesmo cesto, para disseminar mais aquilo que é o nosso portfólio, porque nós somos muito ambiciosos, temos o objectivo de em quatro anos chegar aos 250 milhões de euros de facturação, e isto não vai acontecer só tendo aqui em Portugal, só se comprarmos alguém, e tem de ser alguém muito grande, ou então não vai acontecer”.
O caminho é o de crescimento nos mercados onde opera, expansão para outros mercados e para outros segmentos de negócio. “Nós começamos com 8 milhões, passámos para 14, depois para 22, sempre um pouco por cima. Nestes dois anos demos um salto muito grande e a aquisição da Smile também ajudou muito nisso. A Smile facturava algo como 5 milhões de euros quando comprámos e no ano passado facturou 15 milhões. Triplicámos a facturação em menos de dois anos. E isto é muito trabalho das pessoas da Smile e do Ricardo Amaral, que é o responsável pela unidade de negócio, mas também é muito trabalho das sinergias e das economias de escala, que ganham pelo facto de estar numa estrutura maior”.
Sobre o futuro, Marco Sequeira indicou que em Portugal o próximo passo será “arranjar alguma coisa na zona Sul do país e depois nas ilhas, mas pelo menos na zona Sul, alguma coisa de DMC, se calhar, uma coisinha assim mais pequena que nós depois possamos juntar, mas ainda estamos a analisar”.
“Como eu costumo dizer, relativamente a oportunidades de negócio e a contratações, estamos sempre a contratar e sempre disponíveis para falar, porque tudo é uma questão, claro, exactamente se o negócio for bom”, rematou Marco Sequeira.
Saiba mais no site da Alive Travel.




