O governo de Cuba, que fechou hotéis e realojou turistas noutras unidades para reduzir o consumo de energia no país, está informar as companhias aéreas internacionais que ficará sem combustível de aviação a partir desta segunda-feira, dia 9 de Fevereiro.
A notícia foi avançada pela agência de notícias espanhola EFE. As autoridades cubanas atribuem a falta de combustível ao estrangulamento económico imposto pelos Estados Unidos.
No final do mês passado, a 29 de Janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump, assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos países que fornecem petróleo a Cuba, que perdeu o seu principal fornecedor, a Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, por militares dos Estados Unidos no dia 3 de Janeiro, recorda o jornal espanhol “El País”.
A captura do presidente venezuelano pelos EUA foi classificada como uma “intervenção militar unilateral em desacordo com o direito internacional” pela porta-voz do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, ao comentar a intervenção a 6 de Janeiro.
O “El País” indica que o México também suspendeu os envios de petróleo para Cuba por temer as tarifas americanas. “Estamos empenhados em todos os esforços diplomáticos para retomar o envio de petróleo para Cuba. Obviamente, não queremos sanções contra o México, mas estamos em processo de diálogo e, por enquanto, será enviada ajuda humanitária”, disse a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
O jornal espanhol recorda ainda as declarações do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, na passada quinta-feira, afirmando que o “estrangulamento económico por parte da maior potência mundial” está a agravar a situação da ilha.
O presidente cubano anunciou a implementação de um “plano de contingência multi-sectorial” para combater a escassez de combustível, que provoca constantes apagões.
“A perseguição energética, a perseguição financeira, a intensificação das medidas coercivas são tais que sabemos que temos fazer um trabalhar muito forte, muito criativo e muito inteligente para ultrapassar todos estes obstáculos”, afirmou Miguel Díaz-Canel.
O “El País” indica que o governo anunciou várias medidas como alterações nos horários de trabalho, teletrabalho para os funcionários públicos, paralisações, redução da presença física nas aulas e eventos académicos e o cancelamento de eventos culturais, como a Feira Internacional do Livro de Havana.
O grupo hoteleiro português Vila Galé, que gere quatro hotéis em Cuba, com um total de 1.800 quartos, reconheceu na semana passada que “a operação é difícil” no país, mas declarou-se optimista quanto à recuperação do turismo cubano, enaltecendo “a capacidade do povo cubano” e a riqueza de atractivos do país, que reúne todos os elementos “que determinam o sucesso de um destino turístico”. Clique para ler: Vila Galé: “É uma questão de tempo” até Cuba recuperar o sucesso turístico.





