- Publicidade -
- Publicidade -

Como “um ano muito promissor” se tornou “muito difícil”, com Sónia Regateiro, Solférias

As vendas de viagens para 2026 arrancaram em força ainda antes do ano começar. O cenário era “muito promissor”, mas a guerra dos Estados Unidos e de Israel virou o jogo em várias frentes, revelou Sónia Regateiro, directora de operações da Solférias, maior operador turístico português.

Em entrevista ao PressTUR, a Chief Operating Officer da Solférias revelou que, a 4 de Maio, o operador estava com uma previsão de cerca de 50 mil clientes para este Verão, mas já poderia estar com “58 mil, 59 mil”, não fossem os efeitos negativos da guerra iniciada a 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

PressTUR: Que análise faz das reservas em carteira, agora que estamos às portas do Verão?

Sónia Regateiro: O início deste ano foi muito promissor, com o volume de vendas que tivemos na Black Friday e na BTL. Estava a ser um ano muito promissor. O rebentar e o prolongamento desta guerra no Médio Oriente, sendo o turismo muito sensível a tudo o que são estes factores externos de segurança, deu-nos aqui um abanão grande a nível de cancelamentos, alterações e protelar de reservas. E então sentimos uma quebra.

PressTUR: Pode quantificar?

Sónia Regateiro: Se fizermos uma análise de vendas ao dia de hoje [4 de Maio], comparando com a projeção que tínhamos na mesma altura do ano passado, estamos abaixo em 4% em número de passageiros e em 2% em volume de negócios. Ou seja, nota-se uma quebra nas vendas. Tivemos um grande impacto a nível de cancelamentos de alguns destinos.

PressTUR: Quais?

Sónia Regateiro: Todos os grupos e todas as reservas individuais que passavam pelo Médio Oriente foram cancelados. Para alguns deles conseguimos alternativas com outras companhias aéreas, mas com tarifas já bem mais elevadas do que as habitualmente praticadas. Outras pessoas, por receio de fecho do espaço aéreo ou por questões de segurança, simplesmente decidiram não avançar sequer com alternativas de companhias aéreas, o que resulta, logicamente, num decréscimo de vendas face ao que tínhamos projectado ao mesmo período do ano passado. Para ajudar à festa, esta guerra no Médio Oriente tem outro impacto negativo, que é o aumento do preço do fuel para os aviões.

PressTUR: Que impacto está a ter esse aumento do preço do combustível?

Sónia Regateiro: Nós, com as companhias aéreas, não estamos a conseguir jogar em todas as frentes. De acordo com a lei, os operadores turísticos têm uma margem de 8% para aumentar o preço sem que o cliente possa cancelar. Se o aumento for superior a 8%, o cliente tem a legitimidade de cancelar a viagem e receber reembolso. E alguns hotéis foram comprados com tarifas não reembolsáveis. Então, muitas vezes, o operador tem que analisar se compensa mais aumentar o real, que é superior a 8%, e arriscar a ter um cancelamento por parte do cliente e ficar com o custo do hotel não reembolsável, ou se compensa mais não exceder os 8% e assumir o diferencial do aumento do fuel para as companhias aéreas e arcar com essa responsabilidade. Logicamente, com isto tudo está a ser um ano muito difícil para nós, operadores turísticos.

PressTUR: Consegue quantificar os cancelamentos provocados por esta crise?

Sónia Regateiro: Quantificar não consigo. Consigo apenas dizer que, em número de passageiros, face ao ano passado, estamos 4% abaixo, ou seja, temos cerca de 2.300 passageiros a menos.

PressTUR: Podemos concluir que a maior parte da redução se deve aos cancelamentos provocados pela guerra?

Sónia Regateiro: Sim. Por exemplo, na BTL, a nossa projeção de vendas era muito superior à de hoje. Além dos cancelamentos que tivemos, também tivemos algum impacto negativo no Egipto, embora o Egipto esteja um destino completamente seguro. E, no final de contas, o saldo de passageiros do Egipto até estava em positivo face ao ano passado, mas tivemos um grande impacto de cancelamentos pela proximidade do país em relação a Israel. Ou seja, acabamos por levar um bocadinho de todos os lados.

PressTUR: Ainda assim, no ano passado já estava Israel em guerra contra a Palestina e as vendas da Solférias para o Egipto cresceram…

Sónia Regateiro: Exactamente, cresceu e continua a crescer. Nós fomos forçados a ajustar a operação do Egipto. Não conseguimos viabilizar o voo Lisboa – El Alamein, embora os slots estivessem pré-aprovados. A companhia aérea teve que ajustar os horários, e com esse ajuste de horários já não se conseguiu os slots. Tivemos esse problema, mas ao dia de hoje temos mais 1.236 passageiros vendidos para o Egipto do que no ano passado.

PressTUR: Com quantos voos?

Sónia Regateiro: Continuamos com cinco voos charter semanais para o Egipto: três para Hurghada, um para El Alamein e um para Sharm El-Sheik, que foi a novidade deste ano. Ou seja, para o Egipto, embora tenhamos tido muitos cancelamentos, também continuaram a entrar muitas reservas e o saldo acaba por ser positivo.

PressTUR: Além dos cancelamentos, também se nota abrandamento de reservas desde o início da guerra a 28 de Fevereiro?

Sónia Regateiro: Houve um grande abrandamento. Andámos pelo menos duas semanas a empatar, em que entravam 200 passageiros novos, cancelavam 190. São semanas e semanas de trabalho para nada, porque os cancelamentos são isentos de despesas de reserva, pela situação que é. Então, a nossa força anímica anda um bocadinho em baixo de forma, porque é trabalhar muito para poucos resultados.

PressTUR: E isto directamente relacionado com o início da guerra?

Sónia Regateiro: Directamente relacionado com o início da guerra. Tínhamos um grupo de 200 pessoas para Ras Al-Khaimah em Abril, que foi cancelado. Tínhamos um volume gigante de vendas para o Dubai, para Abu Dhabi, Ras Al-Khaimah, Tailândia, Maldivas. Foi tudo afectado.

Continua:

Charter de Verão para o Brasil tornou-se uma “tremenda mais-valia” – Sónia Regateiro, Solférias

“Governo pode sempre fazer mais” para mitigar os efeitos da subida do custo de vida – Sónia Regateiro, Solférias

Ver também:

Solférias vai lançar voos charter para o Fim de Ano no Brasil e na Madeira esta semana

Para mais notícias clique: Empresas e Negócios

Para aceder ao site da Solférias clique aqui.

- Publicidade-
- Publicidade -