A Casa Palestina, casa cultural palestiniana na zona de Alcântara, vai ser inaugurada num evento de dois dias a partir de amanhã, 27 de Março, continuando no dia seguinte.
A Casa Palestina apresenta-se como “enraizada na memória colectiva, na prática artística e na vida comunitária”, criando “um espaço onde a prática artística e a memória colectiva palestinianas se reúnem, se transmitem e se afirmam”.
“Fundada por mulheres palestinianas em colaboração com mulheres portuguesas”, tem como objectivo reunir artistas, escritores, educadores e o público através de “exposições, espectáculos, workshops e outros encontros”.
O comunicado do espaço indica que este “não entende a arte como ornamento ou decoração, mas como linguagem necessária através da qual a identidade de um povo se mantém”, e sublinha que “esta casa não é neutra”, indicando que “assenta em princípios de justiça, autodeterminação e continuidade cultural e no direito dos palestinianos de se representarem a si próprios”.
O espaço a inaugurar encontra-se em Alcântara, que vem do árabe al-qantara, que apropriadamente significa “a ponte”, e propõe “um ponto de encontro entre a Palestina e Portugal, entre comunidades e práticas de criação artística e reflexão crítica”.
O contexto de inauguração do espaço é descrito com o eufemismo de “momento de inqualificável violência contra o povo palestiniano”, que retira o peso da palavra genocídio.
A Casa Palestina promete garantir “um espaço onde as vozes palestinianas – sistematicamente contestadas, silenciadas e deturpadas – permanecem intactas e se exprimem nos seus próprios termos.
A noite de inauguração vai ter Sanaa Moussa, conhecida pelo seu “trabalho de preservação e reinvenção do repertório tradicional palestiniano” durante décadas, ao que acresce a sua exploração de diálogos musicais entre tradições árabes o fado português, acompanhada do músico Michael Rishmawi.
A programação destes dois dias de inauguração começa com a recepção no dia 27 de Março, pelas 19h, com petiscos palestinianos, chá e bebidas, seguido de um discurso de Dima Akram, uma das fundadoras, sendo a outra Carolina Pereira.
Pelas 19h45 começa o espectáculo de dabke por Handala, uma dança folclórica tradicional, seguida do espectáculo de Sanaa Moussa, com “interpretações poderosas da música clássica e folclórica palestiniana”, antes de encerrar pela 1h.
No dia seguinte, 28 de Março, a segunda ronda também começa com uma recepção com petiscos palestinianos, chá e bebidas, antes do concerto de Rawan Roshni, cujo trabalho combina “influências tradicionais da região SWANA [Sudoeste asiático e Norte de África] com sons contemporâneos”.
Pelas 21h30 decorre o espectáculo de dabke por Handala, antes de Isam Elias, que coloca “um piano no centro de um poderoso universo afro-electrónico, combinando expressão acústica com um som electrónico envolvente”.
O DJ set de Adan, palestiniano nascido em Jerusalém e radicado em Londres, que vai apresentar “selecções de minimal house e electrónica com batidas graves pensadas para a pista de dança”, dá por terminado o evento.
Para saber mais sobre os artistas palestinianos envolvidos no evento veja abaixo:
Sanaa Moussa
https://www.instagram.com/sanaamoussaofficial/
Rawan Roshni
https://www.instagram.com/rawanroshniofficial/
Isam Elias
Instagram: https://www.instagram.com/isam.elias/
Youtube: https://www.youtube.com/@ISAMELIAS
Adan
Instagram: https://www.instagram.com/adan_ad268/
Soundcloud: https://on.soundcloud.com/F60KC1iG8riXxE5GsH
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