O crescimento do movimento de passageiros nos aeroportos europeus “perdeu claramente fôlego”, o que se deve “mais a choques e pressões na oferta do que a uma queda na procura”, afirmou o director-geral do ACI Europe, Olivier Jankovec.
“É inegável que a geopolítica tem influenciado cada vez mais o desempenho do tráfego aéreo este ano”, sublinhou o líder da organização, que recolhe dados de mais de 600 aeroportos em 55 países, representando 95% do tráfego aéreo comercial na Europa.
Em comunicado, Olivier Jankovec destacou que “o crescimento perdeu claramente fôlego, com o tráfego de passageiros estagnado – ou mesmo em declínio – em vários mercados nacionais até Junho”.
No total, nos primeiros seis meses deste ano, o movimento de passageiros nos aeroportos europeus cresceu 2,6% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
No segundo trimestre (Abril a Junho), o crescimento homólogo abrandou (+1,3%) em relação ao primeiro trimestre (+4,3%).
De acordo com o director-geral do ACI Europe, “é importante salientar que isto se deve mais a choques e pressões na oferta do que a uma queda na procura”. O executivo garantiu que “os europeus continuam a dar prioridade às viagens aéreas, enquanto os norte-americanos continuam a visitar o nosso continente em números recorde este Verão”.
Na UE+, que inclui os países da União Europeia, do Espaço Económico Europeu, a Suíça e o Reino Unido, os aumentos mais fortes do movimento de passageiros no primeiro semestre foram registados na Eslováquia (+101,3%), Malta (+15,6%) e Eslovénia (+14,7%), enquanto os aeroportos da Islândia (-7,1%), Chipre (-4,4%) e Áustria (-2,6%) apresentaram os resultados mais fracos.
Entre os maiores mercados da UE+, a Itália (+4,2%) e a Espanha (+3,7%) foram os “mais dinâmicos”, sublinha o ACI Europe. A França (+0,6%) e o Reino Unido (+0,4%) registaram desempenhos mais ligeiros, enquanto a Alemanha (-1,2%) continuou negativa.
Os aeroportos dos países de fora da UE+ “também registaram grandes divergências no desempenho do tráfego de passageiros”, com os aeroportos da Macedónia do Norte (+27,9%), Moldávia (+21%), Albânia (+17,2%), Uzbequistão (+15,7%), Arménia (+11%) e Montenegro (+10,4%) a apresentarem grandes crescimentos, ao contrário dos de Israel (-19,2%), Azerbaijão (-3%), Geórgia (-2,5%) e Kosovo (-1,5%), que registaram quebras. Entre os maiores de fora da UE+ destacaram-se os aeroportos da Turquia (+2,8%).
Ambiente “muito mais volátil” do que antes da pandemia
Para o futuro, o director-geral do ACI Europe defende que a correcção do novo Sistema de Entrada/Saída do Espaço Schengen deve ser uma “prioridade imediata”.
Olivier Jankovec garante que os “longos, imprevisíveis e inaceitáveis tempos de espera no controlo das fronteiras começaram a desencorajar as viagens” e a “prejudicar a posição e a reputação da Europa como um destino eficiente e acolhedor”.
Por outro lado, “a evolução da guerra no Médio Oriente – e as suas repercussões operacionais e macroeconómicas – determinará em grande parte a trajectória do tráfego aéreo europeu até ao final do ano”.
“A aviação europeia está, sem dúvida, a operar num ambiente muito mais volátil do que na década anterior à pandemia”, alertou Olivier Jankovec.
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