O Governo português aceitou a proposta do Grupo Lufthansa pela TAP Air Portugal, deixando cair, assim, a proposta do Grupo Air France-KLM.
“Avaliadas as propostas, a decisão do Governo recai sobre o grupo Lufthansa, cuja proposta financeira é 16% superior à proposta concorrente e com menor grau de incerteza”, afirmou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, após o Conselho de Ministros desta quarta-feira.
A operação prevê a alienação de 44,9% do capital social da TAP à Lufthansa, ao qual acresce até 5% caso os trabalhadores não exerçam o seu direito de aquisição. O valor total, incluindo os 5% reservados aos trabalhadores, corresponde a 1.201 milhões de euros.
Os restantes 50,1% continuam a pertencer ao Estado português. O Governo queria vender 100% da TAP, mas não conseguiu “consenso parlamentar”, como relembrou o ministro das Infra-estruturas, Miguel Pinto Luz, em finais de Setembro.
O negócio ainda terá que ser aprovado pela autoridade da concorrência da Comissão Europeia.
Em finais de Junho, o CEO do Grupo Lufthansa, Carsten Spohr, esteve em Santa Maria da Feira, em Portugal, para assinalar o início da construção de uma fábrica de manutenção da Lufthansa Technik.
“É óbvio que Portugal é a porta de entrada para o Brasil. Está geograficamente numa localização perfeita para a execução dos nossos planos de continuar a desenvolver as nossas rotas para a América Latina”, disse na altura o CEO da Lufthansa, de acordo com o “Dinheiro Vivo”.
A compra de uma posição na TAP “vem complementar na perfeição a nossa rede, que já conta com seis hubs espalhados por todo o mundo, mas ainda não temos nenhum no sudoeste da Europa”, disse Carsten Spohr.
No primeiro semestre deste ano, o Grupo Lufthansa teve um prejuízo de 542 milhões de euros. Um ano antes, no primeiro semstre de 2025, a empresa tinha registado um lucro líquido de 127 milhões de euros.
“O desempenho empresarial do Grupo Lufthansa foi marcado por um contexto de mercado desafiante devido à crise no Médio Oriente”, afirmou o CEO da empresa, citado no comunicado de apresentação dos resultados, divulgado no início de Agosto.
“O aumento do preço do combustível e os cancelamentos temporários de rotas” afectaram “negativamente o desempenho operacional e financeiro do grupo”, mas “a forte procura nas rotas para a Ásia e África teve um impacto positivo”, acrescentou o Carsten Spohr.
Com uma frota de 740 aviões, o Grupo opera com as companhias aéreas Lufthansa City Airlines, Discover Airlines, SWISS, Edelweiss, Austrian Airlines, Brussels Airlines, Eurowings e Lufthansa Cargo.
A maioria do capital da TAP pertence ao Estado português desde 2017, depois do Governo liderado por António Costa ter renegociado a privatização feita pelo executivo anterior, comandado por Pedro Passos Coelho, segundo a qual o país ficava com apenas 34% do capital.
Com a pandemia de covid-19, que afectou todo o sector da aviação, o accionista David Neeleman e o gestor Antonoaldo Neves abandonaram a companhia aérea. O Estado português passou a deter 72,5% do capital e pediu aprovação da Comissão Europeia para emprestar 1.200 milhões de euros à TAP. Bruxelas aceitou em troca de um plano de reestruturação.
A participação do Estado português na TAP subiu para 92% quando Bruxelas aprovou um auxílio de 462 milhões de euros devido aos impactos directos da pandemia de covid-19.
No final de 2021, Portugal passou a deter 100% do capital da TAP, ao injectar 1.794 milhões de euros na companhia, um montante que incluía os 1.200 milhões de euros do apoio de 2020, mais juros, e uma nova ajuda de 536 milhões de euros. O último apoio público à TAP foi aprovado em Dezembro de 2022, no valor de 980 milhões de euros.




