A airBaltic, que voa para Portugal, anunciou que vai reduzir a sua frota e que procura obter 225 milhões de euros de financiamento para necessidades de liquidez de curto prazo.
O plano da companhia aérea da Letónia “combina uma rede mais focada em Riga, uma frota reduzida composta exclusivamente por Airbus A220-300, parcerias ACMI mais robustas durante todo o ano e maior eficiência operacional”, de acordo com um comunicado.
O plano anterior da airBaltic tinha por base uma previsão de “crescimento sustentado do volume de passageiros e das receitas de bilhetes em toda a região do Báltico e nos mercados europeus em geral”, com uma expansão da frota para 100 aeronaves. No entanto, “o ambiente operacional mudou substancialmente”.
“O crescimento da procura e das receitas moderou-se, os desenvolvimentos geopolíticos na Ucrânia e no Médio Oriente aumentaram a incerteza e os custos operacionais, e as prolongadas restrições de disponibilidade dos motores Pratt & Whitney afectaram a capacidade da companhia aérea para operar toda a sua frota”, sublinha o comunicado.
A revisão dos planos da airBaltic para os próximos anos “responde a estes desenvolvimentos com uma mudança deliberada de prioridades: a estabilidade financeira em primeiro lugar, o crescimento em segundo”.
Citado no comunicado, o presidente e CEO da airBaltic, Erno Hildén, afirmou que o novo plano de negócios inclui “decisões criteriosas” para fortalecer “a competitividade da airBaltic a longo prazo, preservando o que é mais importante: conectividade e operações fiáveis, juntamente com a sustentabilidade financeira”.
A rede de voos da companhia ficará centrada em Riga, na Letónia, o seu principal hub. “Em vez de procurar uma expansão alargada, a airBaltic irá concentrar-se em aprofundar a sua presença nos mercados existentes, aumentando a frequência e a abrangência dos voos onde a procura e a rentabilidade são mais fortes”.
A companhia sublinha que as suas bases “continuarão a complementar a rede através de serviços ponto a ponto seleccionados, enquanto os voos tácticos e sazonais melhorarão a utilização da frota ao longo do ano”.
Redução da frota
Em 2027, a companhia prevê reduzir em 10,3% a sua capacidade disponível (medida em ASK, lugar disponível por quilómetro voado). A redução será de 9,6 mil milhões em 2026 para 8,7 mil milhões em 2027. Até 2031, a companhia prevê amentar para cerca de 10,5 mil milhões (+9,4% que em 2026).
A airBaltic planeia reduzir a sua frota para um total de cerca de 36 aeronaves Airbus A220-300 até ao final deste ano, o que significa menos 18 aviões que os 54 actuais. O plano prevê novo aumento gradual para cerca de 40 aeronaves até 2031.
“Apesar da frota mais pequena, a capacidade programada deverá manter-se amplamente estável através da melhoria da utilização das aeronaves”, garante a companhia aérea.
A airBaltic sublinha que as parcerias comerciais de aluguer de aeronaves em regime ACMI (aeronave, tripulação, manutenção e seguro) “foram melhoradas” e “permitirão uma implantação mais eficiente das aeronaves durante todo o ano”.
Com os novos acordos ACMI, a companhia pretende uma alocação de capacidade “mais equilibrada” e uma redução de custos fixos durante o Inverno.
“Através das iniciativas combinadas de frota, rede e operações, a airBaltic ambiciona aproximadamente 45 milhões de euros em benefícios recorrentes anuais, principalmente através da redução de custos operacionais, mas também através de oportunidades de receita”, sublinha a nota de imprensa.
Financiamento provisório
“Para fazer face às necessidades de liquidez a curto prazo e apoiar a implementação do plano operacional revisto”, a airBaltic procura um financiamento provisório de 225 milhões de euros.
O financiamento pretende apoiar “a transição da empresa para uma solução de financiamento permanente e está condicionado à aprovação dos detentores de obrigações e outras aprovações necessárias”.
“O pacote de financiamento permanente proposto é composto por até 225 milhões de euros em novo financiamento de dívida e 100 milhões de euros em novo capital próprio”, detalha a empresa.
A companhia acrescenta que “a recapitalização proposta contempla ainda a conversão parcial em acções das Obrigações Séniores Garantidas com maturidade em 2029, sendo a restante parcela substituída por nova dívida reduzida até 125 milhões de euros, bem como a conversão parcial em acções de outras obrigações selecionadas do balanço”.
Perspectivas
Com este plano, a airBaltic espera que as suas receitas atinjam 800 mil euros em 2027, aumentando para 900 mil euros em 2029 e mil milhões em 2031.
O EBITDAR (lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e custos de reestruturação ou aluguer) deverá aumentar para aproximadamente 192 milhões de euros em 2027, 243 milhões de euros em 2029 e 300 milhões de euros em 2031, representando uma margem de aproximadamente 25% a 29%.
A airBaltic é controlada maioritariamente pelo Estado da Letónia, que detém 88,37% dos direitos de voto. As restantes acções pertencem à Lufthansa (10%) e a outros accionistas privados (1,63%).
Para mais notícias clique: Empresas e Negócios
Para aceder ao site da airBaltic clique aqui.



