A Romaria da Virgem da Barca, uma das festas e peregrinações mais emblemáticas da Galiza, que junta dezenas de milhares de pessoas todos os anos em Muxía, na Costa da Morte, celebra-se este ano de 11 a 14 de Setembro.
Destino do prolongamento do Roteiro Jacobeu até Compostela, conhecido como Caminho Muxía-Fisterra, e da Via Mariana Luso-Galaica (que une Braga a Muxía), o Santuário da Barca junta todos os anos milhares de pessoas para a celebração que comemora o aparecimento da Virgem Maria ao Apóstolo Santiago. Este enclave destaca-se pela mágica união de devoção, lenda e misticismo, num espaço onde a força do Oceano Atlântico pode ver-se na usa maior expressão.
Com uma aura tão esotérica quanto fervorosa, as propriedades curativas das pedras e as lendas deste Santuário atraem dezenas de milhares de pessoas à Romaria da Virgem da Barca. A data, que se celebra no segundo Domingo de Setembro, depois do dia 8, comemora o milagroso aparecimento da Santa ao Apóstolo Santiago. Em 2025, a celebração juntou 55.000 devotos oriundos de vários países, sobretudo de Portugal e Espanha, e de outros países como Estados Unidos, Coreia, Reino Unido, França ou Irlanda.
Uma barca de pedra guiada por anjos
Conta a lenda que, num momento em que um discípulo de Jesus se expunha a abandonar o seu trabalho, a Virgem apareceu diante dele, chegando numa barca de pedra guiada por anjos. Assim, inspirou novas forças para continuar com o seu trabalho evangelizador. Foi então que a devoção pela conhecida como a Virgem da Barca começou a crescer de tal modo que se construiu uma basílica na sua honra neste lugar.
Daquele feito milagroso ficaram os restos da barca, representados por três pedras localizadas em redor do templo. A de Abalar (o casco da embarcação), a dos Cadrís (a vela) e a do Temón (o leme). Nos últimos tempos, acrescentaram-se outras duas pedras mágicas: a da Cabeça, para curar os males relacionados com esta parte do corpo, e a dos Namorados, onde se diz que vão os casais para jurar amor eterno.
A enigmática e fervorosa atracção do Santuário da Barca transcende fronteiras e converteu-se em destino de peregrinações. O roteiro mais transitado é o Caminho Fisterra-Muxía, que no último ano registou perto de 2.400 peregrinos. Destaca-se também a Via Mariana Luso-Galaica, desde Braga até Muxía, com 300 peregrinos a completar este roteiro de mais de 400 quilómetros. Finalmente, encontram-se os Caminhos da Barca, que percorrem tradicionalmente peregrinos procedentes da Costa da Morte e de outras comarcas lindeiras.
Origem medieval
A Romaria da Virgem da Barca tem raízes na Idade Média, ainda que os primeiros documentos que falam da sua existência datem do século XVII. Assim, acumulam-se mais de 400 anos de devoção à Santa, padroeira dos marinheiros deste lugar, que derivaram numa celebração multitudinária e multicultural.
Enquanto que, no seu início, celebrava-se unicamente a romaria, desde finais do século XIX foram-se incorporando outro tipo de actividades lúdicas, que se foram compaginando com a programação litúrgica. Essa tendência foi-se alargando até chegar aos festejos actuais: quatro jornadas de intensa actividade nas quais convivem o recolhimento devoto e as propostas culturais e de lazer.
Destacam-se diferentes ofícios, com a Missa Campal no dia principal da Romaria – no Domingo da Barca -, que se desenvolve no exterior, e as procissões em que a imagem da Virgem da Barca – datada de finais do século XV – percorre esta vila piscatória acompanhada por hordas de fiéis.
Por outro lado, as ruas de Muxía enchem-se de actuações de grandes orquestras e artistas internacionais que atraem milhares de pessoas, desfiles musicais, uma sessão de fogo-de-artifício junto ao mar e o maior espectáculo pirotécnico Galiza, que continua a surpreender os habitantes e, sobretudo, os visitantes.
A indómita Costa da Morte
Além da celebração em si, os visitantes aproveitam para explorar a impressionante região da Costa da Morte. Juntamente com Fisterra, Muxía é um destino chave nos roteiros do Caminho de Santiago, que oferece aos visitantes a oportunidade única de presenciar o último raio de sol na Europa Ocidental.
Com as suas paisagens puramente atlânticas, a sua costa única, a sua gastronomia excepcional e os seus produtos locais distintivos, poderão experimentar uma ampla gama de actividades neste destino de turismo sustentável.





