As vendas do operador turístico Soltrópico para o Verão abrandaram após a BTL, mas “têm estado a acelerar” nos últimos dias, o que leva Daniel Graça, director Comercial, a acreditar que o Verão ainda poderá ser “bastante positivo”.
Em entrevista ao PressTUR, o responsável pelas Vendas do operador turístico do grupo Newtour revelou que a expectativa para esta altura do ano era ter “um ligeiro crescimento” em relação ao ano passado, mas a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e os efeitos associados, incluindo a subida dos preços, prejudicou a procura.
Ainda assim, com as vendas “a acelerar” nos últimos dias, “estamos muito confiantes de que ainda vai ser um Verão bastante positivo”, afirmou o director Comercial da Soltrópico.
PressTUR: Que análise faz das reservas em carteira para o Verão?
Daniel Graça: A nível de vendas para o Verão estamos muito alinhados com o que tínhamos no ano anterior, quer a nível de facturação, quer a nível de passageiros. Tínhamos uma expectativa de, neste momento, estar com um ligeiro crescimento. Os números não são maus, mas são muito semelhantes aos do ano anterior. A verdade é que desde a BTL [25 de Fevereiro a 1 de Março] até aqui [7 de Maio] as vendas pararam um bocadinho. Nas últimas duas semanas, e nos últimos dias, principalmente, as vendas têm estado a acelerar novamente. Então estamos muito confiantes de que ainda vai ser um Verão bastante positivo, até porque ainda temos bastantes lugares para vender. E tendo em conta este ritmo mais recente, ficamos muito mais confiantes e com a expectativa de que ainda consigamos atingir os nossos objectivos.
PressTUR: Desde que lançaram a programação até agora, como tem sido o ritmo das reservas para este Verão?
Daniel Graça: Foi muito semelhante ao ano anterior. Normalmente, lançamos a programação em Outubro e fazemos uma campanha de lançamento. E depois temos a Black Friday no mês seguinte, em Novembro. Tivemos muitas vendas de Outubro até ao final de Novembro. Depois em Dezembro estagnou. Em Dezembro normalmente não se vende grande coisa. Volta a acelerar em Janeiro com todo o barulho à volta do Blue Monday. Depois, entre Janeiro e a BTL, há ali um período em que existem campanhas de agências de viagens parceiras que ajudam um bocadinho, e depois volta a aumentar novamente bastante na BTL. E pós-BTL há um abrandamento, nota-se um grande abrandamento.
PressTUR: Então foi muito semelhante ao ano passado…
Daniel Graça: Muito semelhante. Onde eu noto diferença é que talvez este ano tenhamos tido mais reservas de antecipação, ou seja, mais reservas mais cedo.
PressTUR: O início da guerra provocou impacto na vossa operação?
Daniel Graça: Nos destinos directamente afectados pela guerra, no Médio Oriente, tivemos impacto nas novas reservas, que praticamente pararam. Ou seja, tudo o que eram destinos que operávamos via Qatar, Emirados, Arábia Saudita, isso parou completamente. Continuamos a vender destinos como as Maldivas, Maurícias, Zanzibar, essencialmente via Istambul. Só que a oferta via Istambul também não é grande o suficiente para a procura. E quando temos mais procura do que oferta, os preços sobem, e isso aliado aos preços dos combustíveis, os preços estão muito elevados, o que dificulta a vida no processo da venda. Temos estado a vender algumas coisas via Istambul. Via Médio Oriente, nada. Mas houve praticamente uma paragem de vendas para este tipo de destinos que habitualmente faziam escala naquela zona do mundo.
PressTUR: Houve cancelamentos?
Daniel Graça: Cancelamentos não tivemos, essencialmente devido às datas das viagens reservadas. A maior parte dos clientes têm reservas para viagens de Junho até Novembro, Dezembro. E isto aconteceu tudo no início do ano. Portanto, naquele momento não era possível cancelar as reservas porque também não se sabia o que ia acontecer. O que tivemos foram clientes afectados num destino. Tínhamos clientes em Zanzibar que tiveram que ficar lá mais noites até se arranjar uma alternativa de regresso sem ser via Médio Oriente. Tiveram que vir pela Europa, e ficaram lá mais uns quatro ou cinco dias até conseguirem regressar. O seguro assegurou tudo.
PressTUR: Mas teve impacto nas vendas…
Daniel Graça: Não notámos cancelamentos, mas sentimos que isto obviamente afectou as vendas, não só nos destinos de longo curso que habitualmente fazem escala no Médio Oriente, mas também nos outros destinos. Íamos lançados e achamos que isso pode ter tido aqui alguma influência. E depois os preços aumentaram e é sempre mais difícil.
PressTUR: As pessoas que tinham reservas para Junho, Julho e para o resto do ano para esses destinos com voos via Médio Oriente já alteraram as reservas?
Daniel Graça: Não, estão a manter, até porque neste momento há alguma normalidade na operação para esses destinos. Agora novas vendas está parado. Para os clientes poderem cancelar existem duas formas: se acontece alguma coisa no destino e a companhia aérea quer operar o voo na mesma, o cliente pode não querer ir porque não se sente seguro, e o seguro garante essa situação; ou existe uma situação em que a companhia aérea cancela o voo. E, neste caso, em Junho, tendo em conta o cenário como está, os voos da Emirates e da Qatar têm estado a retomar, não havendo cancelamento de voos, não há motivo para as pessoas não irem. Sinto que as pessoas têm algum receio, mas felizmente não tivemos muitos cancelamentos. Isto afecta toda a nova produção daí para a frente.
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