Com uma “ligeira melhoria das perspectivas económicas” e com as viagens a subir nas prioridades de consumo, os aeroportos europeus esperam novo crescimento do tráfego este ano, apesar das preocupações com o novo sistema de entrada e saída do Espaço Schengen.
Em 2025, o crescimento do tráfego aéreo de passageiros na Europa provou que “a conectividade aérea é um motor económico poderoso e amplamente resiliente, cada vez mais interligado ao turismo”, afirmou Olivier Jankovec, director-geral do ACI Europe, que representa mais de 600 aeroportos em 55 países.
O tráfego nos aeroportos europeus alcançou um novo recorde no ano passado, com 2,6 mil milhões de passageiros, o que significa um aumento de 100 milhões de passageiros (+4,4%) em relação ao ano anterior.
Para Olivier Jankovec, o crescimento das viagens aéreas na Europa “reflecte a ascensão do consumo experiencial em detrimento do consumo material – uma mudança estrutural profunda e intergeracional que está a remodelar as nossas economias e para a qual a Europa se encontra numa posição única”.
“A aviação é um factor crucial para a competitividade”, defende o director do ACI Europe. “No entanto, muitos governos e formuladores de políticas ainda não conseguem ligar os pontos e não tratam a aviação como o activo estratégico que é – especialmente na UE”, acusou Jankovec.
Em 2025, os três maiores aeroportos europeus em número de passageiros foram Londres, Istambul e Paris. Clique para ler: Londres Heathrow voltou a ser o aeroporto mais movimentado da Europa em 2025.
Em Portugal, os aeroportos receberam 72,5 milhões de passageiros em 2025, mais 3,3 milhões (+4,7%) que em 2024, de acordo com os dados divulgados pela Vinci Airports em Janeiro. Clique para ler: Aeroportos de Lisboa e Porto foram os que mais que cresceram em Portugal em 2025.
Perspectivas para este ano
Em 2026, o director do ACI Europe prevê que o tráfego de passageiros nos aeroportos europeus deverá continuar a aumentar, “rondando os 3,3%”, graças a uma “ligeira melhoria das perspectivas económicas europeias”.
A previsão de crescimento também resulta da perspectiva de que “as viagens continuam a ser uma das principais prioridades de despesa discricionária dos consumidores – mesmo que a geopolítica e a geoeconomia provavelmente continuem a testar a resiliência do sector”, sublinhou o director do ACI Europe.
Jankovec prevê que muitos aeroportos deverão beneficiar “do facto dos europeus estarem mais propensos a viajar dentro da Europa do que para o exterior”, enquanto o continente “continuará a ser um destino de eleição para os não europeus”.
O executivo perspectiva ainda que as companhias aéreas europeias apresentem um melhor desempenho financeiro a nível mundial, e espera que “as pressões na cadeia de abastecimento que limitam a sua capacidade de utilização diminuam um pouco”. Ver também: Companhias aéreas querem “solução real” para atrasos na entrega de aviões e motores.
A capacidade das infraestruturas, “tanto em terra como no ar”, continuará a ser um factor decisivo em 2026, acrescentou Jankovec, declarando-se “particularmente preocupado com a implementação completa do Sistema de Entrada/Saída Schengen a partir de Abril”. Ver também: Governo suspende por três meses o novo sistema de controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa.
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