A Ryanair anunciou hoje que vai cancelar todos os voos de e para os Açores a partir de 29 de Março de 2026, justificando a sua decisão com as “elevadas taxas aeroportuárias” e a “inação do Governo português”, como tem feito em vários países.
A low cost indica que o fim das suas operações significará menos seis rotas de/para os Açores e menos “4.000 passageiros por ano”.
A Ryanair acusa a ANA Aeroportos, gestora dos aeroportos portugueses detida pela francesa Vinci Airports, de aumentar as taxas aeroportuárias “sem qualquer penalização”; e defende que o Governo português “deve intervir e garantir que os seus aeroportos (…) sirvam para beneficiar o povo português e não um monopólio aeroportuário francês”.
A companhia aérea também defende que as “taxas ambientais” da União Europeia estão a prejudicar “a competitividade das regiões europeias mais remotas”, como os Açores. Neste sentido, a low cost apela a Ursula von der Leyen para “garantir condições equitativas nas taxas ambientais da UE, trazendo imediatamente as taxas ETS para níveis equivalentes aos do CORSIA”.
Citado na nota de imprensa, o CCO da Ryanair, Jason McGuinness, afirmou que a retirada da low cost dos Açores “é resultado directo do operador aeroportuário monopolista francês – Vinci – que impõe taxas aeroportuárias excessivas em Portugal (as quais aumentaram até 35% desde a Covid) e das taxas ambientais anticoncorrenciais impostas pela UE, que isentam voos de longo curso mais poluentes para os EUA e Médio Oriente, em detrimento de regiões remotas da UE como os Açores”.
A Ryanair, que é a maior companhia aérea europeia em número de passageiros transportados, com 178,1 milhões de Janeiro a Outubro, está a cortar ligações em vários países por motivos semelhantes, ou seja, por não receber cortes em impostos e taxas por parte dos Governos dos países em questão. Clique para ler: ‘Circo itinerante’ da Ryanair continua na Alemanha.
No sentido inverso, a Ryanair anunciou em Outubro a retoma das “operações completas” na Jordânia, com 84 voos por semana em 18 rotas, indicando que tal expansão se deve “à abordagem pragmática do aeroporto [de Amã] e à atitude pró-negócios” do Governo da Jordânia. Clique para ler: Ryanair retoma operações na Jordânia e anuncia expansão
No trimestre de Julho a Setembro, o Grupo Ryanair obteve um lucro líquido de 1.718,9 milhões de euros, o que equivale a um aumento de 287,7 milhões de euros ou 20,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Clique para ler: Ryanair aumentou lucro líquido em 20% no 3º trimestre.
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