O preço médio do alojamento turístico em Portugal atingiu um novo máximo no ano passado, ficando 27% acima de 2019, pré-pandemia, uma evolução que não afasta visitantes, de acordo com hoteleiros ouvidos pelo PressTUR no 34º Congresso Nacional de Hotelaria e Turismo, organizado pela AHP.
Para António Trindade, fundador e CEO do Grupo PortoBay Hotels & Resorts, a resposta é simples: “o mercado vai-se adaptar”. Mais complexa é a explicação para a subida dos preços. Na sua visão, a subida dos custos contribuiu para o aumento dos preços, mas o que foi determinante foi a evolução dos canais de venda, que passaram a permitir “adaptar o preço à variação da procura”.
“Há dez anos, as negociações eram feitas com o agente de viagens ou com o operador turístico. Fixava-se o preço e voltava-se a negociar um ano depois. Os preços eram muito estáveis”. Com as vendas directas e a comercialização através de agências de viagens online (OTAs, online travel agencies) a negociação passou a ser feita através de channel managers, que possibilitam ajustar o preço aos níveis de procura. “É esta actualização que dá o resultado final de aumento das tarifas”, defende António Trindade.
Roberto Santa Clara, CEO da Savoy Signature, considera que o preço médio da hotelaria na Madeira “tinham uma margem de progressão que podia ser feita e foi feita de uma forma exemplar pelo mercado, até porque ela vai ao encontro de uma qualidade de destino por todos nós reconhecida”.
Contudo, o executivo defende que é necessário “haver prudência”, porque “o crescimento não é taxativo todos os anos e ad aeternum”. Roberto Santa Clara considera essencial “acompanhar os fluxos e as dinâmicas adaptando aos diferentes canais e aos tipos de mercados”. É necessário “sentir a temperatura para que o nosso cliente continue a achar que é um preço adequado ao serviço que damos nos nossos sete hotéis e que continue a sentir vontade de voltar”.
Para Manuel Proença, presidente do Grupo Hoti Hotéis, a subida do preço médio na hotelaria está relacionada com o aumento dos custos com a electricidade, a água, o trabalho e outros aspectos. Estes custos “aumentaram mais do que as taxas de ocupação, portanto temos que actualizar os preços”, frisou.
O presidente da Hoti Hotéis defende que a subida dos preços “não afecta” a competitividade de Portugal em relação a outros destinos, mas reconhece que é necessário reforçar a qualidade do serviço prestado aos clientes, o que poderá ser feito com formação.
Paulo Monge, director-geral de Vendas do Grupo Sana Hotels, concorda que “os preços subiram por causa dos custos”. Na sua opinião, o aumento dos preços não afasta visitantes, “porque não subiram só em Portugal, subiram em Espanha, em Itália, em todos os países”.
E vai mais longe: “o valor justo de Lisboa ainda pode subir, quando comparamos com outras cidades. É lógico que temos que ter algum cuidado para não atingir o preço a partir do qual começamos a perder negócio, mas ainda não chegámos lá”.
Paulo Monge enfatizou a importância do hub no Aeroporto de Lisboa. “Enquanto tivermos o hub em Lisboa, continuaremos a crescer” em número de visitantes.
O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Bernardo Trindade, analisa a situação de outra forma: “temos soluções para todos os bolsos e todos os gostos. Esse é claramente o caminho. E é o que temos actualmente”.
Bernardo Trindade defende que os hoteleiros em Portugal estão a entregar “muita qualidade” e devemos “ter orgulho naquilo que temos vindo a fazer”. Mas reforça a necessidade de investir na integração dos imigrantes. “O nosso futuro colectivo será com eles”.
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Hotelaria em “fase crítica”. Preços sobem, mas é preciso garantir serviço – Bernardo Trindade, AHP
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