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Cooperação, sustentabilidade e tecnologia são os “novos caminhos para o turismo interno”

O Vê Portugal, IX Fórum do Turismo Interno, começou hoje na Covilhã com intervenções de Nuno Fazenda, secretário de Estado do Turismo, e Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, que apontaram a cooperação, a sustentabilidade e a inovação tecnológica como os caminhos para o futuro.

A sessão de abertura também contou com o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, e o reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), Mário Raposo. O evento é dedicado ao tema “Inspirar. Criar. Tecer novos caminhos para o turismo interno”.

O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, salientou na sua intervenção a importância estratégica do turismo interno, acrescentando que cerca de um terço da procura turística é interna.

Nuno Fazenda recordou que o turismo representa 20% das exportações a nível nacional e continua a crescer de forma consistente, acima de 10% ao ano nos últimos anos, com a excepção dos anos da pandemia. Em 2022, Portugal ultrapassou em 15% as receitas de 2019. Este ano, os meses de Janeiro, Fevereiro e Março são os melhores de sempre em vários indicadores.

Este rendimento, de acordo com o secretário de Estado, deve-se às empresas, aos trabalhadores, às instituições e às politicas públicas implementadas pelo Turismo de Portugal e pelas entidades regionais de turismo. Para o futuro, o objectivo é crescer melhor, de forma mais sustentável, mais inclusiva e mais coesa.

Tendo em conta que apenas 5% da procura internacional para turismo é para o interior de Portugal, a estratégia do interior deve passar por promover estes territórios sem prejudicar os que são de “bandeira”, como Lisboa, Porto, Algarve e Madeira.

Esta valorização dos territórios, segundo o governante, deve ter em consideração a base da sua actividade turística, o reforço da competitividade das empresas, condições para cativar e reter talento, e concretizar estratégias, como são exemplo as linhas de financiamento lançadas pelo Governo.

Nuno Fazenda afirmou ainda que o país já tem estratégia e fundos para o turismo, mas que estes só serão eficientes se trabalharmos em conjunto e em rede, e esse é o grande desafio para a concretização dessas estratégias.

O secretário de Estado do Turismo salientou ainda o fim de ciclo de Pedro Machado, presidente da entidade regional do Turismo do Centro de Portugal, que conta 16 anos a promover a região Centro.

Crescimento do turismo interno

O presidente do Turismo do Centro, Pedro Machado, que também discursou, sublinhou que o turismo doméstico representou 4.411.497 dormidas em 2019 e 4.016.888 em 2022, sendo que no ano de 2013 esse número era de cerca de 2.422.000.

O turismo interno continua a crescer de forma consistente e foi responsável por mitigar e almofadar perdas durante a pandemia, contribuindo para o fluxo turístico, salientou Pedro Machado.

Para o presidente do Turismo do Centro, o papel das entidades regionais de turismo é o de estruturar os produtos, tendo em conta os diferentes tipos de turismo (enoturismo, turismo de Natureza, entre outros), sendo que a promoção integrada, como os projectos intermunicipais, é exemplo de uma estratégia valorizada pelo presidente da entidade regional.

O tratamento e análise de dados é outro “instrumento poderoso” sublinhado por Pedro Machado.

O dirigente considera que as entidades regionais são reconhecidas nos territórios, mas que para o futuro é possível que estas entidades acrescentem valor ao trabalhar mais de perto no processo de formação dos agentes económicos, ao ter mais responsabilidades que podem ser delegadas pelo Turismo de Portugal, ao aderir a políticas de sustentabilidade e descarbonização, e a promover o investimento no interior.

Desafios no turismo interno

O reitor da UBI, Mário Raposo, por sua vez, afirmou que Portugal tem uma série de desafios no turismo interno, sublinhando a sazonalidade e a dificuldade de criar marcas, e que o país tem um problema de produtividade, com falhas a nível da inovação e dos intangíveis.

Para o reitor, a estratégia de promoção das diferentes regiões interiores, passa por procurar o segmento de mercado alvo para cada produto e ter uma estratégia de marketing adequada, maximizando os pontos fortes e minimizando os fracos.

Os territórios portugueses, segundo o reitor da UBI, precisam de marketing territorial, criar uma imagem forte e consistente que deve ser encarada como um elemento de gestão. Acrescentou que este processo é mais do que criar um vídeo ou marcar presença numa feira, é uma forma de estar que prioriza a comunidade e o seu bem-estar, seja um bairro, uma vila ou uma montanha.

Vítor Pereira, presidente da Câmara da Covilhã, deu as boas-vindas ao Vê Portugal, afirmando que o certame “representa um momento crucial para o sector”, onde se debatem ideias e são exploradas oportunidades.

O autarca classificou o turismo como fundamental nas comunidades, no emprego, na diversidade cultural e no fortalecimento de laços internos e entre nações, através de “múltiplas enriquecedoras experiências”.

A promoção turística, para o autarca, deve ter em conta uma forma de desenvolvimento responsável, minimizando consequências para o ambiente e comunidades envolvidas.

O autarca sublinhou ainda que a melhoria dos serviços e a criação de novas experiências para os visitantes são o caminho para o futuro do turismo, classificando a inovação digital e as novas tecnologias como ferramentas que permitem preparar crises e lidar com os desafios actuais.

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