A escassez de recursos humanos “continua a ser um desafio” para a hotelaria portuguesa, mas “a aflição” abrandou, afirmou a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira.
A falta de mão-de-obra nos hotéis “continua a ser um desafio, sim, sobretudo em alturas de pico, mas já não é uma aflição tão grande como foi na recuperação pós-pandemia, quando em toda a Europa houve uma grande fuga do mercado do turismo”, afirmou Cristina Siza Vieira, ontem, na apresentação dos resultados do inquérito da AHP “Balanço e Perspectivas”.

Apenas 11% dos inquiridos indicou os recursos humanos como um dos três maiores desafios operacionais para este ano. A inflação é a maior preocupação, tendo sido apontada por 88% dos hoteleiros como um três maiores constrangimentos para 2023.
Os custos da energia foram apontados por 73% dos inquiridos, a instabilidade geopolítica/guerra na Ucrânia foi indicada por 56% e o aumento das taxas de juro foi referido por 37% dos hoteleiros no seu Top3 de desafios para este ano.
Há duas explicações para a descida dos recursos humanos na lista dos principais desafios da hotelaria portuguesa, segundo a vice-presidente executiva da AHP. Por um lado, a inflação e a instabilidade geopolítica estão a durar mais do que inicialmente se pensava e, por outro, “há algum abrandamento” na escassez de recursos humanos.
“Estamos a assistir novamente a uma migração de algumas outras áreas para a hotelaria e turismo” e a ligeira subida da taxa de desemprego contribuiu para isso, indicou Cristina Siza Vieira.
Aeroporto de Lisboa fora dos principais desafios
Uma das grandes surpresas na lista de principais desafios operacionais para a hotelaria em 2023 é a ausência do constrangimento de capacidade no aeroporto de Lisboa.
A inexistência de uma solução aeroportuária para a região de Lisboa “esteve sempre” entre os principais desafios apontados pelos hoteleiros e deixou de estar, notou a vice-presidente executiva da AHP.
Para Cristina Siza Vieira, esta ausência justifica-se principalmente por existirem “outros desafios que preocupam mais os nossos hoteleiros”. Por outro lado, admite que os empresários do sector “já não têm expectativas para os anos mais próximos [de ter a questão do aeroporto de Lisboa resolvida]”.
Cristina Siza Vieira acrescentou ainda que o inquérito abrange hotéis em todo o país e que os hoteleiros de regiões como o Algarve ou Porto não apontam o aeroporto de Lisboa como um constrangimento à sua operação.
O inquérito da AHP inclui respostas de 375 estabelecimentos (29% em Lisboa, 20% no Centro, 19% no Norte, 11% no Algarve, 9% no Alentejo, 7% na Madeira e 5% nos Açores).
Ver também:
Mercado dos Estados Unidos deverá continuar a crescer na hotelaria portuguesa este ano – AHP




