A taxa turística tem sido a medida mais frequente para combater a pressão dos visitantes em algumas cidades, mas para Eduardo Cabrita, director da MSC Cruzeiros em Portugal, a solução passa por investir na gestão das cidades, para reduzir a concentração de pessoas nos mesmos locais ao mesmo tempo.
Questionado sobre o impacto do aumento das taxas para cruzeiros de curta permanência em Barcelona – vão subir de 5 para 12 euros por passageiro em 2027 e terão aumentos todos os anos até chegar aos 24 euros em 2030 – Eduardo Cabrita começou por defender “um equilíbrio de forças”, porque a pressão sobre as cidades não é exercida apenas pelos cruzeiros, mas pelo turismo como um todo.
“Em determinadas cidades, como Barcelona, Lisboa e outras, o que vemos é que o turismo não tem uma gestão que eu possa dizer essencialmente correcta, porque temos focos de pessoas sempre nos mesmos locais e cabe às cidades fazer o oposto, tornar a cidade mais dinâmica”, sublinhou o executivo.
“Há cada vez mais há pessoas a viajar e o turismo não vai parar. Há uma grande carga nas cidades, e as cidades têm de começar a perceber como fazer esta gestão”, defendeu o director-geral da MSC Cruzeiros em Portugal.
Uma solução apontada por Eduardo Cabrita é seguir o exemplo de Dubrovnik, na Croácia, onde existe uma aplicação móvel que permite ao viajante, no momento em que chega, solicitar um roteiro para visitar a cidade evitando a concentração de pessoas nos mesmos locais, recorrendo a informação recolhida por câmeras e postos de entrada nos monumentos. “Isto chama-se digitalização do turismo”, vincou.
Eduardo Cabrita sublinhou ainda que a associação internacional de cruzeiros CLIA, de que é o chairman em Portugal, tem estado presente em reuniões com as cidades para encontrar soluções para a pressão dos fluxos de visitantes. É necessário “consciencializar as pessoas e as políticas das cidades de que a gestão do próprio turismo tem de ser feita de outra forma”.
A MSC Cruzeiros tem 23 navios e vai receber o seu 24º, o MSC World Asia, no final deste ano. Até 2035 prevê receber mais 12.
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