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Tecnologia e distribuição da produção e riqueza como caminho para a sustentabilidade

O debate “Inspirar para garantir a sustentabilidade do turismo”, com participação de Alfredo Vasconcelos, produtor do Boom Festival, de Luigi Cabrini, presidente da GSTC, e João Leitão, director da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional, deu destaque aos conceitos da tecnologia e da distribuição dos meios de produção e da riqueza pelo território português.

Este debate, promovido hoje no decorrer do fórum de Turismo Interno Vê Portugal, no Teatro Municipal da Covilhã, contou com intervenções de Alfredo Vasconcelos, co-proprietário e produtor executivo do Boom Festival, Luigi Cabrini, presidente do conselho de administração do Conselho Global de Turismo Sustentável (GSTC), e João Leitão, professor e director da UBI Executive Business School e do MBA@UBI e presidente da Associaçoão Portuguesa para o Desenvolvimento Regional.

Investimento nas áreas de baixa densidade

Quando questionado sobre como é possível construir um modelo de desenvolvimento sustentável, João Leitão afirmou que “o turismo deve posicionar-se e afirmar-se como uma peça de coesão”, podendo contribuir para a redistribuição da riqueza pelo território, “porque há assimetrias, desequilíbrios que devem ser corrigidos”.

A promoção das zonas de baixa densidade deve ser feita com base em apostas disruptivas, que tirem partido dos recursos abundantes, como é o caso da biodiversidade nos territórios do interior.

Além da coesão, João Leitão indicou que o turismo deve promover o cruzamento entre outros sectores, dando como exemplo o problema de escassez de água que está a ser resolvido no Boom Festival, e que depois pode ser aplicado a outras actividades, como por exemplo desportivas.

O professor também entende que o país deve ser promovido para acolher eventos de cariz científico, distribuindo-os pelos diferentes territórios, sendo que esta iniciativa pode ser utilizada para alavancar aquilo que já é feito em Portugal há vários anos, a nível de saúde e bem-estar, tirando partido dos recursos naturais, utilizando uma base científica.

O investimento em diferentes indústrias que são características de Portugal, como a produção de mel, vinho, azeite, entre outros, também deve ser distribuída por áreas que não tenham uma elevada densidade, sugerindo que o sector do turismo esteja envolvido neste processo de industrialização verde.

‘Contágio positivo’ da sustentabilidade

No que diz respeito ao problema do fluxo de turistas, particularmente o seu excesso, Luigi Cabrini, do GSTC, afirmou que este é um problema “real”, e deu o exemplo de Dubrovnik, que era ‘servida’ por quatro a cinco cruzeiros diários, cada um com milhares de passageiros. A solução passou por entrar em contacto com a CLIA para reduzir o número de cruzeiros diários e aumentar o período de tempo entre as suas escalas na região, tendo em conta a componente sócio-económica.

Luigi Cabrini afirmou também que as acções de sustentabilidade têm aquilo a que chama de “efeito spin-off”, uma espécie de ‘contágio positivo’, que leva outras instituições, destinos e actividades a aderir a práticas consideradas sustentáveis depois de outro player já ter tomado a iniciativa.

Finitude dos recursos

Alfredo Vasconcelos, quando questionado sobre o papel do Boom na educação para a sustentabilidade, afirmou que o conceito tem de ser visto “como um todo, e é nesse todo que nós queremos trabalhar”, na prática do dia-a-dia.

Sublinhou ainda as políticas de gestão assentes no crescimento, algo que considera matematicamente impossível devido à finitude dos recursos envolvidos, classificando esta noção de uma “mentira”. As gerações mais novas, para o produtor executivo do Boom são mais receptivas a esta mensagem de que estamos num caminho que não é sustentável.

Vasconcelos foi mais longe e deu o exemplo da dificuldade que o festival teve em abandonar as garrafas de água de plástico, primeiro porque os fornecedores estão relutantes em abandonar o plástico, e depois porque estes também estão relutantes em abdicar da margem de lucro que tiram com este modelo de negócio.

Papel da tecnologia na sustentabilidade

João Leitão, da UBI, por sua vez, posiciona-se de uma forma mais optimista que o produtor executivo do Boom, afirmando que o crescimento deve ser avaliado de uma forma sustentável e deve ser assente noutras premissas, diferentes das que ‘apelam ao crescimento infinito’. Para o académico, a responsabilidade de tornar o crescimento num crescimento sustentável é da ‘nossa’ responsabilidade, e que a sustentabilidade não deve ser vista como um tipo de cultura alternativa.

A tecnologia para a sustentabilidade, segundo João Leitão, deve ser acessível a todo o tipo de players, desde as micro-empresas aos grandes conglomerados, e deu exemplo da criação de um sistema de micro-irrigação na região do Mediterrâneo, com participação de diferentes países nesta região, incluindo Portugal. Este sistema consiste numa peça, que pode ser produzida com argila através de uma impressora 3D, e que está disponível para todo o tipo de produtores, e que desta forma contribui significativamente para a redução do consumo de água.

Luigi Cabrini, na mesma linha, indicou que a inovação tecnológica tem um “papel fundamental, não só na sustentabilidade, mas na vida do dia-a-dia”, e que as grandes empresas têm de aderir ao conceito se querem continuar a operar no turismo. As exigências não são só ambientais e sociais, mas também por parte dos turistas que exigem produtos sustentáveis.

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