A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão está a criar incerteza sobre a possibilidade de viajar para vários destinos, o que poderá potenciar mais decisões de última hora nas reservas de viagens, prevê o coordenador de Contratação e Produto da GEA Portugal.
Em entrevista ao PressTUR, Paulo Lages manifestou a sua confiança na resiliência das agências de viagens e enalteceu o seu papel no aconselhamento dos clientes em momentos de incerteza.
O executivo destacou ainda o trabalho da equipa da GEA Portugal, que junta 548 empresas com 700 pontos de venda, no apoio aos agentes de viagens para encontrar as melhores soluções para os impactos negativos que a guerra dos EUA e de Israel estão a causar no sector das viagens e turismo.
PressTUR: As agências têm pedido apoio relativamente a questões legais por causa dos suplementos de combustível? Há prazos para comunicar aos clientes, há limites de aumentos…
Paulo Lages: Claro que sim. Para além do conhecimento de cada agência e do resolver do problema perante o cliente, é claro que nós aqui na GEA damos sempre mais informação do que muitas vezes as agências sabem. Com a nossa experiência e com os casos que vamos tendo, vamos dando o feedback daquilo que é o direccionamento para a solução. Não é pacífico, como é lógico, mas de tudo aquilo que nos tem sido exposto temos sempre direccionado para que a agência perante o cliente, perante o operador, perante a situação, consiga dar uma resposta que vá ao encontro da solução do problema.
PressTUR: Ou seja, a guerra trouxe mais trabalho sem trazer mais receitas…
Paulo Lages: É verdade. Mas isso acontece com guerra como acontece com outras situações. Temos que estar aqui sempre e é essa a nossa função, é para isso que trabalhamos todos os dias. Temos que ajudar as agências naquilo que é bom – nas ferramentas para serem mais rápidas em termos de resposta ao cliente –, mas também para ajudar quando corre menos bem. Estamos cá para os direccionar. A solução há de vir sempre do cliente ou do operador, mas nós temos que fazer o caminho para a solução e ajudá-los no caminho para a solução.
PressTUR: Como é que a subida do preço dos combustíveis poderá impactar a rentabilidade das agências de viagens?
Paulo Lages: Pode chegar a uma altura em que o cliente pode não ter o dinheiro suficiente para a viagem que idealiza, mas aí é o trabalho do agente de viagens tentar direcioná-lo para outro destino, consoante o orçamento. E eles têm essa capacidade. Portanto, se calhar não vamos ter a venda de uma viagem de 5 mil ou de 10 mil euros, mas podemos ter uma viagem mais barata, em que a agência canaliza o cliente para outro destino, para destinos de proximidade, como Portugal e Espanha e as suas ilhas. Fica um orçamento mais baixo, se calhar não vão para as Caraíbas, mas vão para outros destinos.
PressTUR: Como é que estão as agências de viagens do Centro de Portugal, das regiões afectadas pelas tempestades? As pessoas têm que reparar telhados, têm que reconstruir casas… isso está a ter impacto na venda de viagens?
Paulo Lages: Sim, essa zona está com alguma retracção. Em primeiro lugar está o recuperar das casas, das fábricas e dos empregos, e possivelmente as férias naqueles momentos, ou nos três meses seguintes, não esteve no pensamento. Mas também penso que, com aquilo que foram as ajudas que possam ter tido, essa situação, em alguns casos está resolvida, noutros sabemos pela comunicação social que não está. Houve ali alguma retracção na compra, porque também não sabiam o que é que iria acontecer. Não há assim um panorama grave. Houve quebra, sim, mas também não há uma quebra acentuada.
PressTUR: A oferta charter disponível no mercado, dado o momento que atravessamos, é adequada à procura?
Paulo Lages: Eu acho que está adequada. Há uma oferta para as Caraíbas que não digo que seja demasiada, mas se calhar um bocadinho acima daquilo que poderá vir a acontecer. Penso que houve um reajustamento, comparando com o ano passado, e que efectivamente está ajustado àquilo que são as necessidades. Houve uma deslocação para o Porto, pela falta de slots em Lisboa, mas se calhar não temos gente suficiente no Porto para encher os aviões. É uma opção e respeitamos. Mas eu acho que está ajustado, não está assim uma coisa descabida, está ajustado àquilo que são as necessidades. E houve situações de cancelamentos de destinos porque não havia pedidos para esses destinos.
PressTUR: Com todos estes temas, como o aumento do preço dos combustíveis, a dificuldade em viajar para o Médio Oriente e para a Ásia por causa da guerra…
Paulo Lages: As agências de viagens são resilientes e conseguem diversificar a oferta mediante o orçamento do cliente e os destinos que podem disponibilizar.
PressTUR: Independentemente destes impactos negativas, pensa que 2026 poderá ser um bom ano as agências de viagens do Grupo GEA?
Paulo Lages: Nós cremos que sim. Agora, lá está, tudo depende daquilo que acontecer amanhã. A guerra está na iminência de acabar, mas será que acaba ou não acaba? Há sempre um medo de viajar, porque hoje estamos bem, amanhã estamos do outro lado do mundo, acontece qualquer coisa e as pessoas retraem-se a tomar a sua decisão. Se calhar este ano vai haver mais decisões de última hora do que propriamente com grande antecipação, embora na Black Friday tenha existido já uma grande venda de produtos para o Verão. Depois na BTL houve um retracção pelo motivo da guerra.
PressTUR: É imprevisível…
Paulo Lages: É imprevisível. Claro, mas eu acho que as agências de viagens se estão a ajustar para aquilo que são os outros destinos disponíveis. E estão a fazer crescer outros destinos também, que sejam mais seguros ou que tenham uma maior percepção de confiança. Portugal e Espanha serão destinos seguros em que, se calhar mesmo pessoas do Norte da Europa poderão vir para aqui, porque efetivamente há segurança.
Ver também: Após impacto inicial da guerra, reservas nas agências de viagens GEA voltam a subir – Paulo Lages
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