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Geórgia retira apoio à candidatura de Zurab Pololikashvili para o Turismo da ONU

O governo da Geórgia, cuja eleição foi condenada pela União Europeia, que considerou que a votação não foi livre nem justa, retirou o apoio à candidatura do georgiano Zurab Pololikashvili para o Turismo da ONU (UN Tourism, antiga OMT).

“Quando alguém tenta atingir o governo georgiano na cabeça, não deve esperar por uma resposta. Tentou algo que não merecia resposta, mas merecia a retirada da sua candidatura”, afirmou o primeiro-ministro da Geórgia, Irakli Kobakhidze, citado pela agência de notícias georgiana Interpressnews. O governo georgiano vai apoiar a candidatura de Sheikha Al Nowais, dos Emirados Árabes Unidos.

Zurab Pololikashvili, também citado pela agência noticiosa georgiana, afirmou que a decisão de retirar a sua candidatura ao cargo de secretário-geral do Turismo da ONU não foi acordada com ele.

Os motivos da decisão do governo georgiano para retirar o apoio à candidatura não são claros, mas alguns meios de comunicação, como o “The Diplomat in Spain”, associam a decisão a um alinhamento estratégico da Geórgia com a Rússia.

As últimas eleições da Geórgia, em Outubro de 2024, foram consideradas por vários jornais como um momento de decisão entre a democracia europeia e o autoritarismo de influência russa. O partido Sonho Georgiano, fundado pelo oligarca Bidzina Ivanishvili, que fez fortuna na Rússia, reclamou a vitória, mas a União Europeia considerou que a votação não foi livre nem justa e pediu a repetição das eleições.

Após o pedido de repetição das eleições, em Novembro de 2024, o governo da Geórgia suspendeu as negociações para integrar o bloco europeu, o que levou milhares de manifestantes a protestar nas ruas da capital, Tiblisi, e noutras cidades.

O Sonho Georgiano é considerado um partido pró-Rússia pela oposição e por vários analistas, por vários motivos, incluindo pela aprovação da chamada “lei dos agentes estrangeiros”, semelhante a uma lei russa que determina que organizações, meios de comunicação social e entidades similares que recebam pelo menos 20% de financiamento do exterior se registem como uma organização que serve os interesses de uma potência estrangeira. O governo defende que a medida pretende obrigar as organizações a serem mais transparentes, mas os críticos consideram que se trata de uma ameaça à liberdade de imprensa e às aspirações de adesão à UE.

Em 2022, o secretário-geral do Turismo da ONU, Zurab Pololikashvili, liderou o processo de suspensão da Rússia do organismo, devido à invasão da Ucrânia. “O turismo é um pilar da paz e da amizade internacional, e os membros da OMT [actual Turismo da ONU] devem defender estes valores ou enfrentar as consequências, sem excepções”, afirmou na altura Zurab Pololikashvili. “As acções da Rússia são indefensáveis ​​e contrárias aos próprios princípios da OMT e da governação internacional”, acrescentou.

Zurab Pololikashvili foi eleito secretário-geral do Turismo da ONU em 2018 e foi reeleito em 2021, com apoio do Governo da Geórgia, que é liderado pelo Sonho Georgiano desde 2012.

As próximas eleições para o Turismo da ONU estão marcadas para 30 de Maio, em Madrid, e são candidatos Gloria Guevara (México), Habib Ammar (Tunísia), Muhammad Adam (Gana), Shaikha Al Nowais (Emirados Árabes Unidos) e Harry Theoharis (Grécia).

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